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As angústias dos grandes homens de Deus

 “Disse-vos estas coisas para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo! Eu venci o mundo” (João 16:33).



Recentemente enviei um e-mail para todos os membros cadastrados do Ministério, onde expressava a minha angústia face ao pouco envolvimento deles no processo do crescimento ministerial. Cogitei, inclusive, parar o trabalho do site e dar prosseguimento apenas à igreja que o SENHOR colocou em minhas mãos em Brasília-DF.

Pouca causa dessa minha atitude, recebi alguns e-mails de pessoas, ora tristes, consternadas, sentindo-se sozinhas, desamparadas, repudiadas; ora iradas. Sim, recebi e-mail de duas pessoas atingindo-me em minha honra e pondo em dúvida o meu chamado para a obra de DEUS aqui na terra. Na visão delas, como pode um pastor, que recebeu um chamado maravilhoso de DEUS, querer desistir, parar tudo? Como pode um líder que ensina às pessoas a não desistirem da luta, desistir? Ou ele não é verdadeiramente um pastor ou o chamado dele foi enganoso. Assim, fui chamado de mercenário, de roubador do evangelho, de líder frustrado e outras adjetivações (orei para que o SENHOR os julgue na mesma medida que eles me mediram).

É claro que não me abati nem um pouco. Antes, o SENHOR me fez compreender que em nosso meio há muitas pessoas que ainda não são convertidas ao DEUS vivo e, consequentemente, não possuem visão, entendimento, maturidade espiritual suficientes para compreender as angústias pelas quais passam os grandes homens de DEUS, especialmente aqueles que estão à frente de uma guerra espiritual, como a que eu me encontro. A cada família restaurada através do nosso Ministério, a cada cônjuge liberto das garras do diabo, mais o inferno se levanta contra mim, tentando-me atingir, fazer desistir.

Mostrarei, agora, como alguns dos grandes líderes da Bíblia Sagrada se comportaram ao viverem momentos de angústia profunda.

Moisés recebeu um chamado maravilhoso para ser líder da nação israelita. A Bíblia relata que eram quase 3 milhões de pessoas (sem contar as mulheres e as crianças) debaixo da liderança e autoridade do patriarca, caminhando por um deserto sombrio, em busca de uma Terra prometida por DEUS para eles. Foram 40 anos no deserto, entre muitos milagres e murmurações também. Ao ponto que Moisés, tomado por um profundo abatimento espiritual, certa vez clamou:

“Disse Moisés ao Senhor: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei graça aos teus olhos, visto que puseste sobre mim o encargo de todo este povo?  Concebi eu por ventura todo este povo? Gerei-o eu para que me disseste: Leva-o em teus braços, como a ama leva a criança no colo, à terra que juraste a seus pais? Donde teria eu carne para dar a todo este povo? Contra mim choram, dizendo: dá-nos carne a comer. Eu sozinho não posso levar a todo este povo: é muito pesado para mim. Se assim me tratas, mata-me de uma vez, eu te peço, se tenho achado graça aos teus olhos, e não me deixes ver a minha própria ruína” (Números 11:11-15) (grifo meu).

Se o gemido de Moisés tivesse sido ouvido pela multidão, certamente muitos o teriam apedrejado, colocado em dúvida o seu chamado, ou o taxado de falso líder, pois ela, que vivenciara grandes milagres da parte de DEUS no deserto, ainda assim, por inúmeras vezes, colocou-se contrária à vontade do SENHOR, desejando até mesmo voltar ao Egito.

Outro homem, muito conhecido da Bíblia, por sua retidão e integridade a DEUS, em certo momento também pediu para morrer. Esse homem se chamava Jó. O deserto dele foi bem diferente do deserto físico, geográfico, que Moisés enfrentou. O deserto de Jó foi espiritual mesmo, provado pelas mãos violentas e impiedosas de satanás, o qual tirou todas as suas riquezas, familiares, e ainda o colocou chagas malignas em seu corpo. Jó, na profundidade do seu desespero, disse:

“Quando penso que a minha cama consolará, e o meu leito aliviará a minha queixa, então me espantas com sonhos, e com visões me assombras, pelo que a minha alma escolheria antes ser estrangulada, antes a morte do que este meu corpo. Aborreço a minha vida; não quero viver para sempre. Retira-te de mim; os meus dias são vaidade” (Jó 7: 13-16) (grifo meu).

As lágrimas de Jó escorreram por toda a sua alma e fizeram abrigo em seu coração. Não temos noção exata e precisa do tamanho da dor que aquele homem atravessou. Mas o certo foi que DEUS o ouviu e compreendeu cada expressão do seu gemido.

Outro que iremos citar como exemplo é o rei Davi. O homem com o coração segundo o coração de DEUS também, em dado instante, preferiu a morte à vida. Davi enfrentou grandes batalhas por causa de Saul e também por conta dos seus inúmeros e desastrosos pecados. Davi fez muito mal aos olhos de DEUS: destruiu uma família e, por conta disso, recebeu também a espada sobre a sua casa. A relação entre os seus filhos foi catastrófica. Ao que, em um instante, ele gemeu:

“Estou aflito e prestes a morrer desde a minha mocidade; sofro os teus terrores, e estou desesperado. A tua ardente indignação me cobriu; os teus terrores me destruíram. Como águas me rodeiam o dia todo, cercaram-me completamente. Afastaste para longe de mim amigos e companheiros; o meu amigo mais íntimo agora são as trevas” (Salmos 88:15-18).

“Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas” (Salmos 6:6).

Davi escreveu esses Salmos em momento de profunda dor, angústia e depressão. Não havia mais nada que justificasse a sua predileção por viver. O que mais se aproximava dele eram, verdadeiramente, as trevas.

O grande profeta Jeremias foi outro que não escapou da declaração íntima do desejo de morrer:

“Maldito o dia em que nasci! Que o dia em que minha mãe me deu à luz não seja bendito! Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: nasceu-te um filho; alegrando-o com isso grandemente” (Jeremias 20:14-15) (grifo meu).

Elias, ao ser ameaçado de morte por Acabe, fugiu para o deserto. E, sentado embaixo de um zimbro, pediu para si a morte:

“(…) Já basta, ó Senhor. Toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” (1 Reis 19:4) (grifo meu).

O rebelde e desobediente profeta Jonas também irou-se contra a própria vida:

“Agora, ó Senhor, tira a minha vida, porque melhor me é morrer do que viver” (Jonas 4:3) (grifo meu).

Vimos, a partir desses exemplos, que ninguém é eternamente forte diante das batalhas pelas quais é provado. Os grandes homens de DEUS também choraram e ainda choram, sentem no profundo da alma as suas fraquezas e as fraquezas daqueles que estão sujeitos a eles. Nós choramos o nosso pranto, gememos o nosso gemido e nos alegramos com a nossa alegria. Consolamos uns aos outros com a mesma consolação com que somos consolados, como bem escreveu o apóstolo Paulo:

“Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” (2 Coríntios 1:3-4).

Paulo que tanto sofreu na alma e na pele as aflições pela igreja de CRISTO. Muitas vezes foi preso e, em uma dessas prisões, soube o que é ser abandonado pelos amigos, sentindo-se só, aflito:

“Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras. Tu, também, guarda-te dele, porque resistiu muito às nossas palavras. Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto não lhes seja imputado. Mas o Senhor me assistiu e me fortaleceu para que por mim fosse cumprida a pregação, e a ouvissem todos os gentios; e fiquei livre da boca do leão. E o Senhor me livrará de toda má obra; e me levará salvo para o seu reino celestial; a quem seja a glória para todo o sempre. Amém” (2 Timóteo 4:14-18).

O próprio JESUS CRISTO, o Filho do DEUS vivo, encerrado em uma cruz, não se esquivou de sentir o lamento humano, ao imaginar que tinha sido repudiado pelo Pai: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46).

O certo é que todo aquele que um dia foi separado por DEUS, capacitado e ungido para uma determinada obra aqui na terra vai passar e muito por seus momentos de dor, de lágrimas, de angústias e aflições. Os gigantes também caem, mas não permanecem caídos. Como escreveu B. Scott: “A capacidade de reconhecer o nosso próprio envolvimento com o mal é parte da nossa experiência no Reino”. DEUS não nos abandonará por isso. ELE é o refúgio e a fortaleza de cada um, o socorro bem presente nas horas de angústia.

Quanto a mim, prosseguirei para o alvo, que é CRISTO e o reino de DEUS, esforçando-me por cumprir todos os propósitos estabelecidos por DEUS para a minha vida na área de restauração familiar, porque sou um soldado obediente, um guerreiro do SENHOR, crendo que Aquele que me chamou é fiel e poderoso para me aperfeiçoar, para me corrigir, para me sustentar e para suprir todas as minhas necessidades até o fim da minha existência aqui neste mundo. A vitória de todo filho de DEUS, daquele que se dispõe a obedecê-LO, é certa, pois, como bem disse o salmista:

“Os que semeiam com lágrimas segarão com alegria” (Salmos 126:5).

Então, avante, irmãos! Há uma porta de vitória, de alegria, logo ali em frente para todos nós. Contem sempre comigo!

No Amor de CRISTO.

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

1 comentários:

  1. Amém, Pastor !!!! O Senhor sustenta a todos os que caem, e levanta a todos os abatidos.
    Salmos 145:14.
    Que Deus continue lhe derramando graças para que seu ministério continue alimentando almas famintas e sedentas.Em nome de Jesus, amém !!!

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