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O juízo errado e o que se faz um só corpo com a meretriz

Todo o capítulo 6 da primeira Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios é rico em ensinamentos práticos para a igreja.

Do versículo primeiro ao oitavo, temos a larga convicção de que um cristão não deve, em hipótese alguma, levar o seu irmão à esfera judicial dos homens. Apesar de essas autoridades trabalharem na Justiça, Paulo as trata como injustas, indignas de julgar alguém: “Ousa algum de vós, tendo algum negócio contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos?” (vers. 1).

É a lei do espelho interior que impossibilita alguém do mundo de fazer algo contra um cristão. É como se ele, no versículo nono, explicasse a razão de não buscar o julgamento humano por parte dos homens que não foram transformados pelo Espírito Santo, cujas vidas se encaminham para a morte: “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?”. Está aí a explicação. Como pode um homem, que não conhece a Justiça de DEUS e que, por ser injusto, em sua condição ímpia, não herdará o reino de Deus, julgar, por suas convicções humanas, falhas, erradas, um cristão, um ser justificado pelo Sangue de CRISTO? Em outras palavras, DEUS desautoriza um cristão ir a juízo secular contra o seu irmão. Quem assim faz, age contra a vontade de DEUS. É um julgamento em desacordo com aquilo que o próprio juiz é, em sua condição espiritual.

Os versículos 2 e 3 expressam a autoridade dos cristãos no Dia do Grande Juízo de DEUS. São eles quem julgará o mundo. Se algum filho de DEUS transfere a sua autoridade como cristão para uma pessoa ímpia, ele se torna indigno de julgar, inclusive, as coisas mínimas. Uma pessoa, depois de perder a sua autoridade no mundo espiritual, ora, faz diversas campanhas, e não vê resultados algum. No versículo 3, Paulo afirma que os justos julgarão até mesmo os anjos: “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?”. No versículo 4, o apóstolo prossegue com suas indagações à igreja, afirmando que os ímpios não desfrutam de prestígio, de valor, de estima junto àqueles que são membros do corpo de CRISTO. No versículo seguinte, Paulo questiona, para vergonha da igreja, se não há entre ela algum sábio que possa resolver os problemas existentes entre o povo de DEUS. É claro que ele está chamando atenção da responsabilidade dos pastores nessa questão, pois somente eles são habilitados e capacitados para resolver as questões que se levantam no meio dos cristãos. É como se Paulo perguntasse: “Não há autoridade sábia entre vós?”. No versículo 6, há uma conclusão não explícita por parte do apóstolo: De fato, parece que não há. Porque há “irmão que vai a juízo contra outro irmão, e isto perante infiéis”. No versículo 7, Paulo diz que já é uma falta grande no meio da igreja quando surgem problemas, demandas, uns contra os outros; e que a igreja deveria suportar a injustiça, o dano, ao invés de procurar a justiça dos injustos. E no versículo 8, ele encerra a questão afirmando que os justos se tornam injustos e provocam grande dano à igreja quando preferem a Justiça secular no lugar de suportarem as dores e as injustiças.

Parece-nos que esse é um problema grave e emergente no meio daqueles que se dizem filhos de DEUS e igreja de CRISTO. Era um problema em Corinto e é um problema em nossos dias. Apesar de Paulo ter escrito a uma igreja localizada em Corinto, isso não significa dizer que esse era o modelo de igreja que JESUS deseja para vir buscar no Grande DIA. A escrita de Paulo para um povo supostamente convertido ao SENHOR não representava que este povo, em meio a tantos problemas e dificuldades de caráter e de comportamento, já teria uma cadeira cativa no Céu. A Carta foi e é uma forma de exortação, de alerta, para que, tanto a igreja primitiva em Corinto como a dos dias atuais, desfaça-se desses entraves e prossiga para um viver mais justo e santo. É comum, nos dias de hoje, entre aqueles que se acham já salvos, no Céu, uma vida indigna com os padrões do Reino, justificando que as igrejas do tempo de Paulo possuíam os mesmos ou problemas até maiores que os atuais. Essa é uma forma de justificar a vida relaxada, usando o exemplo errado daqueles que estiveram no passado em nosso lugar.

Como nós lemos, no versículo 9, Paulo foi categórico ao afirmar que quem é injusto não poderá herdar o Reino de DEUS. No versículo seguinte, ele traz uma lista de alguns tipos de injustos: devassos, idólatras, adúlteros (e essa adjetivação é válida não só para quem trai dentro do casamento, mas também para quem mantém relação sexual ilícita com outra pessoa mesmo depois de uma separação ou divórcio com o primeiro cônjuge, conforme Marcos 10:11-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2-3), efeminados (homossexuais), sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores. Nenhum desses tipos citados herdará o Reino de DEUS. A surpresa está bem no comecinho do versículo 11: “e é o que alguns de vós têm sido”.

Você pode estar surpreso (a), assim como eu fiquei quando li pela primeira vez essa revelação. Paulo está afirmando que, no meio da igreja, há pessoas infiltradas com essas características. Ou seja, que muitos dos que se dizem e se acham igreja não herdarão o Reino de DEUS. Isso nos faz lembrar de um outro texto muito forte e impactante dito por JESUS no Evangelho de Mateus: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará mo reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7:21-23).

Há pessoas que um dia confessaram a CRISTO como SENHOR e creram no coração na Sua ressurreição, mas que depois se entregaram novamente à escravidão das velhas práticas, permitindo que satanás roubasse a coroa eterna, como um cachorro que volta a se alimentar do próprio vômito. As práticas dos que se dizem justos em nada diferem das práticas dos injustos; e por isso, procuram os injustos para julgarem e condenarem os santos aqui na terra. O apóstolo Paulo encerrou o versículo 11 trazendo à memória da igreja quem a lavou, quem a santificou, quem a justificou. Quem fez todas essas coisas foi o Nosso SENHOR e SALVADOR JESUS CRISTO pelo Espírito Santo de DEUS.

Um irmão levar o outro à justiça dos homens é assunto totalmente esclarecido na igreja de CRISTO. Isso não deve acontecer jamais. Pelo menos da parte de quem é de DEUS verdadeiramente. Nem entre irmãos da fé; muito menos entre maridos e esposas em primeiro casamento. Assunto encerrado.

E Paulo começa os versículos 12 e 13 para introduzir um outro problema grave existente no meio da igreja. Agora ele vai falar para os solteiros, na questão delicada de sua sexualidade. No versículo 12, Paulo escreveu: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei me dominar por nenhuma”. Vamos começar tratando do valor semântico da palavra “lícitas”, empregada no texto. Lícito aqui não significa o que é justo e verdadeiro, como o primeiro casamento de duas pessoas de sexo diferente, que se constitui em um relacionamento lícito aos olhos de DEUS. Não é desse sentido a que está se referindo o apóstolo. Mas do sentido de permissão, do que posso fazer através da minha liberdade humana concedida por DEUS. “Todas as coisas me são permitidas fazer, mas nem todas convêm que eu faça”. Paulo está afirmando que tudo, o que é de bom e de mau, está à disposição da igreja, como se fosse oferecido a ela em uma bandeja. Cabe à igreja saber fazer as escolhas corretas. O curioso é a presença do termo “dominar” ao final do versículo. Paulo sabia que, como cristão, seria impossível viver uma vida de anjo aqui na terra; que, por um vacilo ou outro, estaria fazendo e saboreando daquilo que não agradaria a DEUS. O valor do cristão não está necessariamente e tão somente nas obras que ele executa; mas em um coração e espírito tementes a DEUS.  Mesmo com muito temor e com desejo de agradá-LO sempre, uma hora ou outra, o cristão vai se encontrar fazendo o que não gostaria: “Bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal vendido pelo pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso eu faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. (...) Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:14-19 e 24).

Alguém imaginaria um homem, apóstolo do SENHOR, defensor da bandeira da santidade, afirmar em alto e bom som que é pecador, miserável, e que faz o mal que não gostaria de fazer? Na religiosidade hipócrita de hoje, um homem desses seria apedrejado até a morte e taxado de herege. Como Davi, depois do grave pecado que cometeu com Bate-Sabe. Mas tanto Davi como Paulo, ambos eram grandes homens de DEUS, com o coração desejoso de agradá-LO.

Voltando à questão da presença do termo “dominar”, Paulo está afirmando que nenhum mal pode ter domínio na vida daquele que fora liberto pelo Filho de DEUS: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). O domínio do mal gera correntes e prisão espirituais. E, assim, deixaremos de ser filhos de DEUS para sermos escravos do mal. O final do versículo 13, da Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 6, Paulo escreveu: “O corpo não é para a fornicação, senão para o SENHOR, e o SENHOR para o corpo”. DEUS tem um anseio enorme pelo corpo físico das pessoas que são igreja. É o lugar onde o Espírito Santo escolheu para habitar. Por isso, precisa ser santo e irrepreensível. Fornicação, do grego pornéia, é o pecado sexual ilícito que os solteiros cometem com outras pessoas igualmente solteiras; é a prática sexual ilícita antes do casamento. Por isso, nessa passagem, Paulo está se dirigindo aos solteiros. O nosso corpo, que é membro de CRISTO, será ressuscitado também de forma gloriosa. Isso é o que está escrito no versículo 14 e início do 15. Porque, ao final desse último versículo, vem uma séria indagação: “(...) Tomarei, pois, os membros de CRISTO e os farei membros de uma meretriz? Não por certo”. Paulo não dá tempo nem de a igreja respirar, pensar para responder. Ele pergunta e imediatamente dá a resposta. No versículo 16, escreveu: “Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne”.

Agora vamos imaginar um homem solteiro, que se diz crente em JESUS, saindo de casa em direção a um prostíbulo. Chegando lá, ele paga para se deitar com uma meretriz, uma mulher prostituta, que se deita com vários homens, e cujo corpo está infestado de demônios. Quando há a conjunção carnal, o corpo desse homem deixa de ser membro de CRISTO para ser um só corpo com ela e os seus demônios. Apesar de o texto do apóstolo ter sido escrito para os solteiros, tal assertiva é válida também para os homens casados, que traem as suas esposas com mulheres estranhas ao casamento. O corpo deste marido deixa de ser santo, um templo e morada do Espírito de DEUS, para ser habitat de demônios. E o prejuízo que ele causa ao casamento e à vida da sua esposa, quando volta a ter relação sexual com ela, é enorme. No versículo 17, Paulo afirmou: “O que se ajunta com o SENHOR é um mesmo espírito”. Ele volta a ser categórico no versículo 18: “Fugi da fornicação. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que fornica peca contra o próprio corpo”. Talvez a sua tradução bíblica esteja diferente da tradução da Bíblia utilizada aqui, Corrigida e Fiel aos textos originais. Qualquer outra palavra, que substitua o termo FORNICAÇÃO, não provém do Espírito de DEUS nem da santidade do Seu coração. Fornicação é um meio de prostituição, sim, assim como é uma relação sexual ilícita. Mas o problema que esse tipo sexual não é o único meio de prostituição nem de relação sexual ilícita, que contemplam muitos outros tipos, que não são tratados de forma específica na passagem estudada por nós. Os solteiros devem fugir da fornicação do mesmo jeito que José do Egito fugiu do assédio sexual da esposa do seu senhor.

Os versículos finais do capítulo 6 trazem novamente à memória da igreja o que o corpo físico representa para DEUS e por quem fomos comprados para sermos detentores de tão privilégio: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.

O apóstolo Paulo tratou em todo esse capítulo 6 de dois temas importantíssimos para a igreja, ensinando-a a fazer o correto: não procurar os injustos pela justiça secular contra irmãos da fé; nem se tornar uma só carne com a meretriz. Esses dois assuntos estão bem sintetizados na outra Carta que ele escreveu a essa mesma igreja e que vou compartilhar agora com a igreja de hoje:

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Coríntios 6:14).

Que DEUS continue a falar ao nosso coração!

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

1 comentários:

  1. Eu fui salvo por Jesus Cristo e nasci de novo. Mai caí em pecado e me casei com uma mulher do mundo, fiz um corpo com uma meretriz. Agora sinto que o espírito de Deus abandonou meu corpo.
    O que devo fazer agora?
    Me ajude?

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