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O novo, o horror, mas o certo

Tudo o que é novo causa um impacto muito forte dentro do nosso ser. Ou repugnamos ou aceitamos. A tendência maior recai sobre a primeira alternativa.

Somos seres aprisionados em costumes e uma cultura. Tudo o que estiver fora desse grande ciclo será reputado como desordem, rebeldia, contravenção. JESUS representou, no tempo em que esteve neste mundo, esse sentido de novidade revolucionária e profunda. Os seus ensinamentos impactaram até mesmo os menos ortodoxos.

O certo é que os nossos costumes e a nossa cultura determinam que devemos buscar o SENHOR em templos, que eles representam a casa de DEUS, que, através deles, iremos alcançar o objetivo máximo de um dia morarmos no Céu.

Bem no final do extenso discurso que Estevão fez antes da sua morte, há um recado direto, efusivo, claro, àqueles que iriam apedrejá-lo: “Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto, o qual, nossos pais, recebendo-o também, o levaram com Josué quando entraram na posse das nações que Deus lançou para fora da presença de nossos pais, até os dias de Davi, que achou graça diante de Deus, e pediu que pudesse achar tabernáculo para o Deus de Jacó. E Salomão lhe edificou casa; mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas? Homens de dura cerviz, e incircunciso de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais” (Atos 7:44-51) (grifo meu).

Paulo, que antes era Saulo e que fora conivente e incentivador da morte de Estevão, depois de convertido, passou a viajar para proclamar o Evangelho em diversos lugares. Em Atenas, encontrou um templo onde havia escrito AO DEUS DESCONHECIDO, ao que, o apóstolo, proferiu um discurso inflamado: “(...) Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; e de um só sangue fez toda a geração de homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; porque nele vivemos, e nos movemos e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também a sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a Divindade seja semelhante ao ouro, ou a prata, ou à pedra esculpida, por artifício e imaginação dos homens. Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo lugar, que se arrependam” (Atos 17:22-30) (grifos meus).

São discursos estritamente iguais. O que Estevão combateu, sob o olhar incrédulo de Saulo, fora o mesmo que Paulo condenou em Atenas. A igreja primitiva reunia-se nas casas, para onde iam os líderes do passado (e não havia mulheres na liderança). Não havia desejo nem necessidade, da parte dos primeiros cristãos, em construírem templos:

“Saúdem também a igreja que se reúne na casa deles. Saúdem meu amado irmão Epêneto, que foi o primeiro convertido a Cristo na província da Ásia” (Romanos 16:5);

“As igrejas da província da Ásia enviam saudações. Áquila e Priscila os saúdam afetuosamente no Senhor, e também a igreja que se reúne na casa deles” (1 Coríntios 16:19);

“Saúdem os irmãos de Laodiceia, bem como Ninfa e a igreja que se reúne em sua casa” (Colossenses 4:15);

“À irmã Áfia, a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que se reúne com você em sua casa” (Filemom 1:2).

A cultura de ser cristão em templo começou entre o IV e o V Século d.C., por meio de um decreto do Imperador Constantino, ignorando todo o zelo da igreja primitiva e a vontade do SENHOR sobre esse assunto. Chamar um templo erguido por homens de “casa de DEUS”, além de ser uma profunda heresia, constitui-se uma afronta ao Espírito Santo de DEUS, que deseja habitar nas pessoas, se elas forem santas e obedientes:

“Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:20);

“O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque nem o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós” (João 14:17);

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1 Coríntios 3:16-17);

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19);

“Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular” (1 Coríntios 12:27);

“E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como disse Deus: Neles habitarei e entre eles andarei, e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2 Coríntios 6:16);

“Assim já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina, no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” (Efésios 2:19-22);

“Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Colossenses 1:24);

“E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa. Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pedro 2:4-5).

No Antigo Testamento, a ideia de construir um templo nasceu do coração de Davi, logo refutada pelo SENHOR, que iria fazer nascer um povo da descendência espiritual do rei para habitar nele. Davi sonhou a construção do templo como um lugar para guardar a Arca da Aliança que, com a destruição do Tabernáculo, não tinha lugar certo. Tal sonho fora realizado pelo seu filho Salomão. O DEUS que permitiu a construção daquele templo fora o mesmo que permitiu a sua destruição por parte dos babilônicos. O templo fora destruído e só fora reconstruído um outro no tempo de Herodes. Certa vez ao saírem desse templo, os seus discípulos ficaram maravilhados com a grandeza dele; ao que JESUS lhes respondeu: “Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada” (Mateus 24:2).

A doutrina é muito clara: DEUS não habita em templos erguidos por homens, mas nos Céus e no corpo de pessoas que O servem e O adoram em espírito e em verdade. A igreja verdadeira deve congregar apenas nas casas; e isso tem uma finalidade precípua: a da unidade doutrinária e da submissão e obediência das ovelhas às autoridades terrenas.

Já observou que os templos denominacionais não produzem a unidade doutrinária esperada por DEUS para o Seu povo? São inúmeros pontos essenciais divergentes entre os frequentadores de denominações diferentes, embora todos se achem herdeiros da glória de DEUS. Há uma grande heterogeneidade doutrinária por parte das lideranças. Algumas chegam até à beira do absurdo.

Outro fator: em templos ninguém se sujeita nem obedece à autoridade, nem ela faz questão de que isso aconteça. Em Hebreus 13 está escrito: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles;  porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas (...)” (versículo 17). Não existe obediência nem sujeição. Há líderes, dependendo do tamanho do templo, que nem sabem o nome de suas ovelhas. Mesmo longe de Filipo, certa vez Paulo escreveu àquela igreja: “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12). Sujeição e obediência à autoridade constituída por DEUS são exigências elementares para quem deseja ser igreja do SENHOR. Famílias são constantemente alvos de destruição por parte do diabo porque as esposas e maridos fazem o que acham que é certo, de qualquer jeito, sem possuírem uma referência terrena que os conduza a um viver de temor. A única referência que eles têm está muito longe, enclausurados em templos, preocupados com as despesas mensais; e muitas nem sabem o que se passa dentro de um lar.

Por causa dos templos, a hierarquia do Reino de DEUS e a doutrina de JESUS e dos apóstolos, aqui na terra, são comumente desrespeitadas. Atitudes como amar o próximo, perdoar e lutar pela restauração familiar fazem parte apenas de um plano teórico superficial, que não produz transformação na vida de ninguém. Hoje temos inúmeras denominações e líderes dizendo-se defensores da família, porém, com infinitos casais em adultério no meio deles. Qualquer união ilícita para eles passa a ser visto como família.

Portanto, dizer a uma pessoa que ela não deve frequentar templos erguidos por homens, mas se reunir nas casas com os irmãos e o pastor, embora tenha respaldo bíblico, neotestamentário, indiscutível, soa como estranheza e absurdo aos ouvidos daqueles que foram induzidos e ensinados que deveriam pertencer a alguma denominação, se quisessem herdar o Reino de DEUS. Essa é uma questão puramente cultural, humana, contrária à vontade de DEUS.

As famílias continuam a ser destruídas dentro dos templos diante dos olhares passivos dos seus frequentadores. Maridos ou esposas envolvendo-se em adultério; esposas totalmente insubmissas, rixosas; cônjuges abandonando o primeiro casamento para se unirem a novas criaturas; uma enorme batalha espiritual se descortinando e as pessoas sem saberem o que fazer, imunes, sem estratégias corretas para destruir as ações de satanás na vida delas e no seio familiar.

Que lideranças são estas, “ungidas e chamadas por DEUS”, que não sabem o menor do posicionamento ante a uma batalha espiritual familiar? DEUS, acaso, chamaria e não as capacitaria?

Ore e peça discernimento a DEUS, porque o que parece estranho e brutal, seja o meio que DEUS quer que você siga para obter a sua vitória...

DEUS nos abençoe!!

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