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Onde está, na Bíblia Sagrada, a aprovação ao divórcio e ao recasamento de divorciados? (Parte 1)

“Qualquer que repudiar a sua esposa e se casar com outra adultera contra aquela; e o que casar com a repudiada pelo marido adultera também” (Palavras de JESUS, transcrita por Lucas, capítulo 16, versículo 18).


O divórcio é e sempre será o tema mais polêmico entre as pessoas que se consideram cristãs. Em parte, porque muitas “saem” do mundo e chegam às denominações, que se dizem cristãs, com a vida totalmente esfacelada pelas mãos de satanás. A área mais atingida, sem dúvida, é a familiar. No mundo, as pessoas se casam por emoção (sem conhecerem DEUS verdadeiramente e muito menos a doutrina correta de casamento cristão), descasam-se (face à tanta facilidade) e se casam novamente quantas vezes acham necessário.

Então chegam aos templos religiosos com essa triste lacuna e não encontram líderes preparados sobre um tema que, para muitos, é tratado com muita superficialidade e heresia.

Quando esse conhecimento chegou até mim, eu tinha todos os motivos para contrair novas núpcias: havia sido repudiado pela minha esposa, era jovem, excelente profissional, escritor com vários livros publicados, professor muito requisitado no mercado de trabalho, de certa maneira reconhecido pela sociedade como um homem inteligente e, em termos de beleza, de não se jogar fora, como se diz por aí. Além disso, recebi apoio do líder da denominação que congregava, da família, dos amigos, enfim, de todos que me cercavam. E, confesso que a princípio dei as primeiras investidas para que esse sonho humano acontecesse. Para qualquer ser humano, frustrado consigo mesmo e com o outro, o caminho mais fácil sempre será, sem dúvida alguma, recomeçar a vida e ser feliz. Não importa se esse recomeço vai ou não agradar a DEUS. Qualquer pessoa, que não conhece e não tenha recebido a doutrina correta de casamento, jamais optaria, voluntariamente, por enfrentar um deserto espiritual, renunciar a tudo, ser motivo de chacota, de zombaria, pagar um alto preço em prol da vida do cônjuge e pela restauração familiar, ainda que fosse completamente apaixonado por ele. Se a razão pela renúncia fosse somente a paixão, questões sentimentais, o deserto não duraria muito tempo. A pessoa, de tanto sofrer, de tanto olhar coisas ruins a volta dela, de tanta humilhação, logo perderia o entusiasmo e desistiria.

Somente quem recebeu do Espírito Santo a Palavra certa, a sã doutrina, o conhecimento perfeito e radical sobre casamento, e busca obedecer a vontade do SENHOR, consegue ir até o final e receber a vitória. Só DEUS faz um repudiado ficar na posição certa e atravessar todo o deserto espiritual. Se não for pelo Espírito Santo, não consegue.

A pressão social pelo divórcio é enorme. Em muitas denominações religiosas, essa é uma porta aberta e acessível quando há duas possibilidades envolvidas na situação: adultério e quando um dos cônjuges é descrente, ímpio e deseja, de qualquer forma, não viver mais casado. Essa é uma concepção extremamente vazia, ignorante, fora da Palavra de DEUS, uma ideia de quem não se aprofundou no assunto do casamento. Vejo alguns líderes (alguns até famosos) usarem meios de comunicação para ensinar, usando superficialmente a Bíblia Sagrada, textos isolados (mesmo assim que não orientam para o divórcio), que nesses dois casos o divórcio é aprovado por DEUS. Para o primeiro caso, usam o que está escrito em Mateus 19:9, enquanto que para o segundo, 1 Coríntios 7:15, tudo fundamentado na tradução bíblica que dá respaldo a opinião deles.

O problema das traduções linguísticas é mais sério do que se imagina. Ele tem sido motivo de grandes debates, discussões em centros universitários de reconhecido valor. Ele é antigo e já suscitou muita indignação por parte de quem estudou ou estuda o assunto. Uma tradução linguística tende a acompanhar a evolução linguística da humanidade, adaptando-se a cada cultura, a cada povo. Nem sempre ela é fiel ao texto original, ou seja, aquilo que foi escrito pelo autor de próprio punho. Truman Capote foi um dos que mais se indignaram com algumas traduções e interpretações que ele viu de alguns dos seus romances mais famosos. Simplesmente, mudavam o sentido de tudo o que ele disse originalmente, com o simples objetivo de facilitar o entendimento de determinado grupo social. A Bíblia Sagrada, ao longo do tempo, não ficou imune a tais investidas.

Por exemplo, se um leitor mais atento ler qualquer tradução bíblica de língua portuguesa realizada antes da década de 70 não encontrará, em nenhuma parte, em nenhum versículo sequer, a palavra divórcio. Esse termo só apareceu na Bíblia Sagrada ao final dos anos 70 e início dos anos 80, coincidência ou não, período em que a Lei do Divórcio foi aprovada no Brasil (26 de dezembro de 1977). Todas as traduções bíblicas, antes desse período, traduziam o termo repúdio (por exemplo: “…mandou dá carta de repúdio…” – ref. Mateus 19:7 – ou “Deus detesta o repúdio” – ref. Malaquias 2:16-) como sendo desquite. O desquite era a permissão civil da época para quem quisesse se separar. Era uma separação judicial, mas que não dava direito a ninguém de contrair civilmente novas núpcias. A Lei do Divórcio, no Brasil, passou mais de 10 anos para ser aprovada pelo Congresso Nacional, devido à forte resistência do Catolicismo Romano e dos protestantes. Depois de muitos anos, a doutrina católica romana foi uma das poucas que se manteve resistente em não aceitar o recasamento de pessoas divorciadas. O Bento XVI em entrevista recente condenou essa prática. A maioria dos protestantes, infelizmente, modernizou-se, corrompeu-se, enquadrando-se à realidade do mundo e do século. E as pessoas que iam chegando do mundo, com a vida totalmente desorganizada, entraram no mesmo ritmo e doutrina desses líderes. A elas foi apresentado um evangelho e um deus totalmente diferentes do Evangelho e do DEUS da Bíblia Sagrada. Não é à toa que muitos artistas, que se dizem convertidos, dão um péssimo testemunho cotidianamente. Como essas pessoas apenas queriam uma resposta que amenizasse alguma dor na alma, sem buscarem verdadeiramente uma intimidade com DEUS, simplesmente mudaram de endereço, de placa denominação, de templo religioso. O deus que foi apresentado a essas pessoas é um ser que se adapta facilmente à realidade delas, um deus que, pela sua graça e misericórdia, tudo concebe, um deus de qualquer jeito, sem ordem e sem leis. A palavra renúncia só vale para algumas coisas do passado, como, por exemplo: deixar de rezar a Maria, não se prostrar mais diante de imagens de escultura, não participar mais de algumas coisas do mundo, como não beber, não fumar, não mentir, não se prostituir. A renúncia só era e só é válida quando não afeta um problema maior da vida dessa pessoa. É como a história do jovem rico da Bíblia. Ele fazia tudo de bom desde a mocidade, cumpria os mandamentos, queria ser salvo apenas pelas boas obras que fazia. Quando JESUS mandou que ele abrisse mão das suas riquezas, ele simplesmente baixou a cabeça e retirou-se do local. Hoje, infelizmente, é a realidade de muitas igrejas, que usam o nome de DEUS. Se o verdadeiro DEUS for pregado, se a verdadeira doutrina for ensinada, se o caminho estreito for apresentado, a pessoa logo se retirará, porque, ela só quer estar onde estiver se sentindo bem.

Muitas pessoas estão com a mente tão cauterizada pela mentira, pelo engano, pela falsa doutrina que, quando chego a um púlpito e afirmo que o divórcio nunca existiu para DEUS nem na Bíblia Sagrada, as pessoas se surpreendem. Ora, o grande douto Águia de Haia, Rui Barbosa, um dos maiores catedráticos de todos os tempos, chega a afirmar que o divórcio surgiu na Reforma Protestante. E foi mesmo. Os reformadores foram os principais responsáveis por esse mal no meio da igreja. A Reforma Protestante, no aspecto histórico, foi importante e necessária. Disso, ninguém tem dúvidas. Porém, o radicalismo extremo com que trataram todos os pontos doutrinários religiosos (rejeitando cegamente tudo do Catolicismo Romano) conduziu uma nova geração a um profundo abismo, no que se refere especialmente ao tema casamento. Já foi declarada pelo próprio Lutero, em um dos seus livros, a defesa aberta pela poligamia. Então a Reforma não foi de todo agradável e satisfatória. O grande erro da doutrina católica romana no tema casamento, a meu ver, é considerar o matrimônio válido para DEUS, apenas se foi celebrado por algum padre ou sacerdote. Mas isso vem da falsa ilusão de que essa doutrina religiosa foi a única fundada por JESUS CRISTO e que Pedro foi o primeiro Papa. Até hoje as lideranças católicas romanas passam mal quando veem sua antiga soberania religiosa no Ocidente se ruindo…

O divórcio nada mais é que um instrumento civil, criado por um homem, um senador da República da época, chamado Nelson Carneiro, que visa, dentre outras coisas, a desfazer um contrato celebrado entre um marido e uma esposa diante de um Juiz de Paz. Esse contrato, quando da sua assinatura, estabelece regras bem definidas dentro do Direito de Família, que um e outro devem cumprir. Mas é impossível a assinatura de um divórcio desfazer o casamento. O casamento é uma aliança espiritual, criada e testemunhada por DEUS. Quando duas pessoas solteiras se dão em casamento, DEUS testemunha e confirma aquela união, ainda que as pessoas não andem conforme a Sua vontade. O ápice e a confirmação do casamento se dão através da conjunção carnal, sexual, do marido com a esposa. Um passa a ter direito absoluto sobre o corpo do outro. Esse é o verdadeiro casamento instituído pelo SENHOR, criado no Éden, infinitamente antes da data de 24 de janeiro de 1890, quando o Marechal Deodoro da Fonseca promulgou o Decreto nº 181, que instituiu o casamento civil no Brasil.

Portanto, quem se assombra com o fantasma do divórcio é porque ainda não tem o conhecimento sobre o único e verdadeiro conceito de casamento criado por DEUS. Quem o defende ou o sugere é porque ainda não foi convertido ao SENHOR. Porque a palavra conversão compreende possuir a mente de CRISTO e viver conforme os ensinamentos DELE. A partir de hoje, tudo o que você lê na Bíblia Sagrada, onde apareça o termo divórcio, risque-o e sobre ele escreva a palavra repúdio. “DEUS detesta o repúdio”, como está escrito em Malaquias 2:16. Repudiar é simplesmente se afastar, abandonar, não querer mais. Não tem nada a ver com o divórcio nem com o novo casamento. O perigo que isso causa na vida de quem repudia está exatamente na facilidade de quem repudiou se tornar adúltero com uma nova pessoa e também de expor a pessoa repudiada ao adultério, como bem ensinou JESUS em Lucas 16:18.

O problema maior não é o repúdio em si. Se por um motivo emocional, psicológico, espiritual, a pessoa precisasse repudiar, se afastar temporariamente do seu cônjuge, até quando tudo voltasse ao normal e, depois, se reconciliasse, isso não causaria maiores danos. O ideal é que ambos resolvam os problemas do casamento juntos, buscando apoio, orientação, saída. Afastar-se do cônjuge significa se abster da vida sexual lícita, ou seja, abrir uma fresta para a entrada de satanás na vida de ambos e no seio da família, como bem escreveu Paulo em 1 Coríntios 7:5.

Nos próximos estudos, vamos fazer um passeio na Palavra de DEUS para provar que o divórcio nem o recasamento de divorciados nunca existiram, que isso foi invenção de homens, pura interpretação humana e carnal. A igreja cristã, pura, verdadeira e incontaminável, vive radicalmente longe dos padrões mundanos, recebe esta Palavra no coração e guarda-a até a volta do Nosso SENHOR e SALVADOR JESUS CRISTO.

Até a próxima e que DEUS nos abençoe!

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

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