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O olhar adúltero

“Ouviste que foi dito: não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus 5:27-28).
O pecado do adultério não é mais nem menos que qualquer outro pecado descrito na Bíblia Sagrada, porém, ele é a razão maior da dissolução das famílias que o SENHOR uniu.

Qualquer ser humano está sujeito a deslizes espirituais e morais, até mesmo os que já experimentaram o novo nascimento; aqueles que se consideram mais santos aos, obviamente, fracos na fé. Todos, neste mundo, indistintamente, podem ser atraídos e enganados pelo pecado, do ímpio ao cristão: “Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os ímpios ficarão prostrados na calamidade” (Provérbios 24:16); com uma grande diferença: quem é cristão, nascido de novo, não vive mais preso ao jugo do pecado, não se torna mais escravo daquilo que foi liberto, pois o Sangue de JESUS o libertou da servidão do pecado e lhe deu a verdadeira liberdade em CRISTO JESUS. “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não nos tornei a meter-vos debaixo do jugo da servidão” (Gálatas 5:1). Em JESUS somos verdadeiramente livres: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres” (João 8:36). Costumo dizer sempre que o problema não está simplesmente em adulterar, mas em como reagimos ao adultério cometido. Davi e tantos outros grandes homens de DEUS, em boa parte da vida, foram escravos do adultério, porém, quando se prostraram aos pés do SENHOR, encontraram a justificação necessária para que se tornassem livres espiritualmente. O salmo 51 é uma profunda declaração à liberdade espiritual do homem face ao adultério.

Na velha aliança, a palavra adultério era utilizada com dois sentidos diferentes: o primeiro, na questão sexual ilícita; o segundo, em trair o SENHOR DEUS, contaminar-se com outros ídolos. Sobre esse segundo significado, encontramos uma advertência no livro do profeta Jeremias: “E, quando, por causa de tudo isso, por ter cometido adultério, a rebelde Israel despedi e lhe dei o seu libelo de repúdio, vi que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu, mas foi-se e também ela mesma se prostituiu. E sucedeu que, pela fama da sua prostituição, contaminou a terra; porque adulterou com a pedra e com o pedaço de madeira” (Jeremias 3:9).

Porém, o adultério, de que vamos tratar neste estudo, refere-se somente ao ato sexual ilícito, que se estabelecia quando um homem repudiava a sua esposa e com outra mulher mantinha relação sexual, expondo a esposa a, também, tornar-se adúltera de outros homens. E era exatamente isso que acontecia: a mulher, repudiada pelo seu marido, quase sempre se tornava objeto de prazer sexual de inúmeros homens, que as subjugavam dentro de uma escravidão cruel. Como os casos de repúdio e de adultério se tornavam, dia-a-dia, cada vez maiores e comuns, a solução veio na tentativa de frear os altos índices desse pecado através de leis rígidas. Quem fosse pego em flagrante adultério deveria, agora, ser morto por apedrejamento: “Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera” (Levítico 20:10).

À época da GRAÇA, as coisas ganharam uma nova feição. O projeto de DEUS da dissolubilidade do casamento apenas na morte, a validade apenas do primeiro casamento, antes perdido e desprezado pelos judeus de coração duro, fora recuperado e reavivado por JESUS, quando afirmou que “qualquer um que repudiar a sua esposa e se unir a outra comete adultério, e o que se unir à repudiada pelo marido, adultera também” (Lucas 16:18). Ou seja, qualquer segunda relação sexual de uma pessoa separada e/ou divorciada, para JESUS, constitui adultério, não tendo a menor proteção de DEUS. Mas os conceitos não pararam por aí. O sentido do adultério foi largamente ampliado: adultério não se constituiria, somente, quando um cônjuge manteria relação sexual com outra pessoa, mas, também, quando destilasse um olhar de cobiça, de desejo sexual, sobre o outro: “Ouviste que foi dito: não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus 5:27-28). Ou seja, JESUS demonstrava com isso que, aquilo que se via como prática sexual ilícita tinha origem mais profunda, no coração: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mateus 15:19) (grifo meu).

É exatamente isso que ocorre dentro dos lares, nas famílias: maridos e esposas, frustrados no projeto divino da realização sexual mútua, terminam se tornando frágeis cristais, sem cobertura espiritual, a ponto de, logo, logo, serem enganados e atraídos pelo falso desejo de realização e felicidade pessoais com outrem. Buscam, em uma terceira pessoa, o anseio de apagar a frustração na alma, gerada por um casamento que, aparentemente, morreu, para tentar refazer a história e o projeto de vida, envolvendo-se na vida de um outro ser, ainda que isso venha a afastá-los da presença de DEUS. O fracasso sexual entre os casais casados abre uma enorme fresta para ação do inimigo nas famílias. Não foi por acaso que o apóstolo Paulo deu um destaque especial a importância da prática sexual constante e a busca do prazer sexual no leito dos cônjuges: “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido. O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher. Não vos priveis um ao outro, apenas por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; depois vos junteis novamente para que satanás não vos tente por causa da incontinência” (1 Coríntios 7:1-5).

Pelas palavras detalhistas e cuidadosas do apóstolo, vemos que o sexo pode se tornar uma grande bênção no casamento, como também uma porta larga para a ação do diabo e as tristes consequências, como a escravidão de uma vida longe de DEUS e entregue ao adultério.

O mundo está repleto de pessoas possuídas de demônios de adultério, que vivem à caça em manter relação sexual com homens e mulheres casadas. Há aquelas que, sem o mínimo pudor e vergonha, declaram, escancaradamente, sentir mais prazer e segurança quando mantêm compromisso com pessoas já comprometidas com outras. Por isso, os cristãos devem ter uma vigilância redobrada na questão sexual para que os leitos preenchidos não se tornem leitos solitários. O sábio Salomão, em alguns dos seus textos, descreve todo o trajeto de um homem, que abandona a família, afasta-se dos propósitos de DEUS, para se unir a uma mulher adúltera em seu leito. Adverte sobre todos os perigos e aponta as consequências terríveis de quem está acomodado nessa relação sexual ilícita. Analisemos, agora, alguns dos seus ensinamentos:

“Filho meu, atende a minha sabedoria; à minha inteligência inclina os ouvidos para que conserves a discrição, e os teus lábios guardem o conhecimento; porque os lábios da mulher adúltera destilam favos de mel, e as suas palavras são mais suaves do que o azeite; mas o fim dela é amargoso como o absinto, agudo, como a espada de dois gumes. Os seus pés descem à morte; os seus passos conduzem-na ao inferno. Ela não pondera a vereda da vida; anda errante nos seus caminhos e não o sabe” (Provérbios 5:1-6).

A mulher adúltera (tanto a casada, que trai o marido, como a solteira que se relaciona com homens casados) possui uma característica própria: ela atrai um perdido com uma aparência sedutora, com palavras doces, suaves, de carinho. Ela dá e faz o que, geralmente, as esposas em casa não tiveram o cuidado de fazer, ou seja, entra no vazio, na carência e na necessidade alheia. A mulher adúltera, na Bíblia, tem a mesma sagacidade e capacidade de seduzir e persuadir que a serpente no Jardim do Éden. DEUS tinha acabado de celebrar o primeiro casamento, de abençoar o primeiro homem e a primeira mulher, torná-los uma só carne: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam. Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: não comereis de toda a árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: é certo que não morrereis” (Gênesis 2:24-25; 3:1-4). A intenção da serpente era destruir o matrimônio puro, sem mácula, que o SENHOR DEUS havia criado para o homem e a sua esposa. Então, ela procurou persuadir o lado mais fraco, mais frágil, a mulher, distorcendo os conselhos de DEUS. DEUS havia ordenado: “não coma para não morrer”. Mas a serpente introduziu um conceito diferente em cima da mesma questão: “se você comer, não morrerá”. Assim, com essa mesma astúcia e sagacidade, age uma pessoa possuída de demônios de adultério. Ela apresenta-se com uma imagem bonita, como a serpente, seduz ou se permite a sedução, usa palavras de mansidão recheadas de fel. O curioso é que Salomão avisa que uma mulher assim “não sabe o que faz”, ou seja, não tem discernimento espiritual do mal que está causando para si nem para o próximo. É uma cega e morta, espiritualmente falando.

“Agora, pois, filho, dá-me ouvidos e não te desvies das palavras da minha boca. Afasta o teu caminho da mulher adúltera e não te aproximes da porta da sua casa; para que não dês a outrem a tua honra, nem os teus anos a cruéis; para que dos teus bens não se fartem os estranhos, e o fruto do teu trabalho não entre em casa alheia; e gemas no fim da tua vida, quando se consumirem a tua carne e o teu corpo, e digas: como aborreci o ensino! E desprezou o meu coração a disciplina! E não escutei a voz dos que me ensinavam, nem a meus mestres inclinei os ouvidos!” (Provérbios 5:7-13).

Salomão, nesse trecho, adverte mais uma vez para que os filhos de DEUS ouçam os conselhos do PAI e não se aproximem do caminho do adultério. Quem vive na prática do adultério (ou o solteiro que se relaciona com uma pessoa casada; ou uma pessoa separada e/ou divorciada, que se dá em um segundo casamento com outra pessoa) perde a honra e a salvação em CRISTO JESUS; os dias passam a ser cruéis; os bens materiais são consumidos, a falência bate-lhe à porta; e há gemidos ao final da vida. Por fim, quem insiste em viver em adultério, lamenta-se em não ter obedecido à voz do SENHOR.

“Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade (primeira e legítima esposa), corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias” (Provérbios 5:18-19) (grifo meu).

Aqui há uma exortação ao arrependimento, ao retorno ao primeiro amor, à presença de DEUS, em desfazer o caminho do adultério e voltar aos braços da esposa legítima. Esta é maravilhosa e suficiente para ele e o prazer sexual sempre estará a sua disposição.

“Por que, filho meu, andarias cego pela estranha e abraçarias o peito de outra? Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do SENHOR, e ELE considera todas as suas veredas. Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido. Ele morrerá pela falta de disciplina, e, pela sua muita loucura, pedido, cambaleia” (Provérbios 5:20-23).

A pergunta que introduz o texto acima parece buscar uma justificativa injustificável: “por que deixaria de estar no caminho que DEUS te colocou, um caminho seguro, para trilhar por caminhos de perdição e de morte?” Como um homem troca a salvação em CRISTO JESUS pela destruição de sua alma por causa de uma mulher adúltera? Este homem se prende cada vez mais no pecado, cambaleia, cambaleia, até encontrar a morte.

Em Provérbios 6 e 7 há outras sérias advertências contra a mulher adúltera: “Não cobices em teu coração a sua formosura, nem te deixes prender com as suas olhadelas. Por uma prostituta o máximo que paga é um pedaço de pão, mas a adúltera anda à caça de preciosa vida. Tomará alguém fogo no seio, sem que as suas vestes não se incendeiem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seu pés? Assim será com o que se chegar à mulher do seu próximo; não ficará sem castigo todo aquele que a tocar. (…) O que adultera com uma mulher está fora de si; só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa” (Provérbios 6:25-29 e 32);  A mulher adúltera “seduziu-o com as suas muitas palavras, com a lisonja dos seus lábios o arrastou. E ele num instante a segue, como um boi que vai ao matadouro; como um cervo que corre para a rede, até que a flecha lhe atravesse o coração; como a ave que se apressa para o laço, sem saber que isto lhe custará a vida” (Provérbios 7:21-23).

Não são poucos os maridos e esposas cristãos que têm enveredado nos cárceres do adultério e se tornado cativo desse pecado. Não são poucos os que têm feito da sua vida “um caminho para a sepultura” e descido “para as câmaras da morte”. Porém, há uma importante e significativa diferença, que preciso mostrar aqui, entre a pena na velha aliança e a pena nos tempos da GRAÇA de DEUS para quem vive preso à prática do adultério: em CRISTO, um adúltero ou uma adúltera tem a possibilidade de regeneração, a esperança de cura, de libertação, enfim, de receber o Amor e o Perdão de JESUS. NOSSO SENHOR E REDENTOR olha para todo aquele que se arrepende e abandona o pecado e diz: “não te condeno! Vá e não peques mais” (João 8:11). O Sangue de JESUS e a possibilidade de regeneração na vida de um homem caído não deixaram que o casamento se desfizesse por causa da prática do adultério. A velha lei encontrara, enfim, o seu desfecho justo, quando da morte e do sacrifício do Filho de DEUS na cruz do calvário.


Por isso, em CRISTO, devemos orar, perseverar, esperar e confiar imensamente no plano de DEUS em refazer tudo aquilo que, um dia, o diabo fez na vida dos cônjuges e nos casamentos. JESUS CRISTO, o Filho do DEUS Vivo é Aquele que liberta também cônjuges opressos e possessos pelos demônios do adultério. Essa é a maior prova de Amor que podemos dar: ressuscitar a nossa esperança de restauração através da obediência à Palavra de DEUS, por aquele (a) que o SENHOR, conosco, nos fez uma só carne e nos selou com o verdadeiro amor para vivermos toda a vida. Descansemos o nosso coração no CRISTO que liberta e restaura famílias. Que DEUS nos abençoe!   

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

O que Deus uniu PARTE 1

Na sua resposta aos fariseus sobre o assunto do divórcio, Jesus usou um verbo de profunda significação quando concluiu: “…o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Marcos 10.9).
O verbo “ajuntar” na língua grega do Novo Testamento era: “sunezeugnumi”, composto da preposição ‘sun’, igual a ‘com’ no português e do substantivo ‘zeugos’, ‘um par’ ou ‘uma junta’ em português. Esta última palavra, por sua vez, oriunda de ‘zugos’, deu ‘jugo’ em português, ou ‘balança’.
Jesus assim representava o casamento em duas figuras: algo como uma junta de bois arando a terra sob o mesmo jugo; outra de dois pratos ou bandejas duma balança antiga – ambas suspensas da mesma barra transversal.
No matrimônio, Deus une duas vidas debaixo de Seu governo para realizarem a mesma tarefa entregue a Adão e Eva: a de estabelecer o reino de Deus até os confins da terra através da família (Gênesis 1.28; Atos 1.8).
Era comum ver uma junta de bois trabalhando nos tempos de Jesus. Lado a lado, os dois animais uniam suas forças para realizar a tarefa determinada pelo lavrador. Com um espaço confortável entre eles determinado pela carga, eles seguiam, cada um no seu trilho, sem atropelar um ao outro ou distanciar-se demais. Um dos bois liderava sob o toque de seu tratador.
No casamento, cada cônjuge precisa estar sob o domínio do Espírito Santo (Romanos 8.14) e ser cheio de seu poder. Só assim haverá o domínio próprio e a moderação para uma boa convivência um com o outro – o homem liderando e a mulher ajudando (Gálatas 5.22,23; 2 Timóteo 1.7).
É do Espírito Santo também que vem a unidade no propósito de Deus. A declaração divina que o casal, ao casar-se, torna-se uma só pessoa (ou carne – Gênesis 2.24) é vinculada ao Deus triuno. Existindo eternamente em três pessoas – Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo – a Trindade vive numa sintonia tão perfeita que, em essência, as três pessoas são um só Deus (Efésios 4.6).
Renovados no poder do Espírito Santo a cada dia (Efésios 5.18-20), o homem e a mulher casados crescem juntos num respeito mútuo e amor profundo, resultando daí uma vida harmoniosa no serviço de Deus.
Para que isto aconteça, Pedro, o apóstolo, aconselhou as mulheres casadas a se preocuparem em primeiro lugar com sua vida interior, a vida espiritual, e não com a beleza exterior. Dos homens ele exigiu o respeito às mulheres como o sexo mais frágil e como co-herdeiras da vida eterna – tudo para que suas orações não fossem impedidas (1 Pedro 3.3-8).
Em outra ocasião, Jesus declarou que seu jugo era suave e seu fardo leve (Mateus 11.28,29). Assim, a parceria debaixo do governo de Deus no matrimônio pode ser uma experiência muito gratificante. Além do companheirismo alegre e confortante “até que a morte os separe”, o casal evita os males tão tristes que afligem muitas famílias do mundo que tentam viver a vida sem auxílio divino.
Há constante provisão por estarem buscando em primeiro lugar o reino de Deus e Sua justiça (Mateus 6.33). O casal terá a satisfação de ver uma continuidade de talentos naturais e dons espirituais na vida dos filhos bem encaminhados. No porvir, aguarda-os o galardão por terem feito sua parte no avanço do reino de Deus na terra (2 Timóteo 4.8). Amém.
Parte II
Na Sua resposta aos fariseus acerca do divórcio, “…que o homem não separe o que Deus ajuntou”, Jesus trazia à mente dos seus ouvintes não somente a figura de uma junta de bois, mas também a de uma balança antiga no uso do verbo unir.
Com seus dois pratos ou bandejas suspensas da mesma barra transversal, a balança tem sempre sido a representação do equilíbrio. Na parceria do casamento, Deus concedeu ao homem a tarefa de liderança, mas em contraponto, deu à mulher a responsabilidade de auxiliadora idônea (Gn 2.18). Com os dois vivendo no Espírito, as virtudes produzidas pelo Espírito proporcionarão para o homem a capacidade de cumprir seu papel com amor e humildade, sem se exceder na sua autoridade, nem fraquejar. À mulher será dada a graça de respeitar a liderança de seu marido, ajudando-o sem tentar usurpar sua chefia, nem, ao contrário, anular sua própria personalidade e dons para viver a vida a dois.
Juntos, como casal e família, eles se empenharão na obra de Deus a partir do seu lar.
A balança também, segundo o dicionário “Aurélio”, tem simbolizado a prudência e a ponderação. Ao longo da vida, surgem muitas ocasiões que requerem a aplicação de discernimento e muita sabedoria para o bom êxito e a solução de problemas. Isto pode acontecer quanto ao relacionamento dos dois cônjuges, ou com os filhos, ou com a família mais extensa, ou com discípulos agregados, ou ao lidar com os que estão sendo evangelizados. Com os dois parceiros enfocados no mesmo assunto haverá um discernimento mais acertado e uma sabedoria mais ampla.
Feliz é o casal onde o homem sabe ouvir o parecer de sua esposa e a mulher valorizar o juízo do seu marido. Como Salomão disse na Antiguidade: “Melhor é serem dois que um, porque tem melhor paga do seu trabalho” (Ec 4.9). O apóstolo Paulo também referiu-se a esta participação recíproca quando disse: “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem independente da mulher” (1 Co 11.11).
Trabalhando juntos, o casal não somente goza a bênção e provisão de Deus nas suas vidas e no seu lar, mas faz sua parte para estabelecer “o reino de Deus e sua justiça” na terra (Mt 6.33).
Por: Mary F.B. Hemmons



 

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