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Testemunho de Casamento Restaurado - Vanessa

Graça e Paz! Louvo e glorifico a Deus por ter chegado a minha vez de testemunhar! As lutas e as afrontas foram tão grandes que achei que não chegaria este dia.

Sou evangélica há 18 anos, e quando entrei na faculdade conheci meu esposo. Nós namoramos por 05 anos e ele frequentou a igreja por um bom tempo, mas ele foi desanimando até que parou. Eu não quis abrir mão do nosso relacionamento e acabei casando assim mesmo. Com 08 meses de casamento, descobri, por uma conversa em uma rede social, que ele estava me traindo. Ele estava saindo com uma moça da academia onde trabalhava, que era casada há 03 anos e dizia não gostar de seu marido.

Irmãos, foi um choque! Falei com minha mãe e com os pais dele, pois estava perdida e não sabia o que fazer. Achei por bem ficar na casa da minha mãe para ver se ele despertaria e sentiria minha falta, foi aí que errei. Não deveria ter saído de casa, pois foi quando eu saí que a outra mulher entrou de vez na vida do meu esposo. Ela se separou do marido, alugou um apartamento na esquina da casa da minha mãe que era onde eu estava morando e levou ele para morar junto. O período da minha saída de casa até o dia dele se mudar para o apartamento dela foram de 02 meses. Na cabeça do meu marido não tinha mais volta. Ele dizia que não me amava mais e que não voltaria nunca para mim. Irmãos, eu emagreci tanto, não tinha mais roupa que coubesse em mim. Quanto mais tempo eu passasse dormindo para mim era melhor, eu queria acordar e ver que era tudo apenas um pesadelo! Ele brigou tanto comigo e me humilhou tanto que fui obrigada a dar a metade dos meus móveis para ele. Ele dormia com a outra em nossa cama, usando nosso guarda-roupa, nosso enxoval, tudo!! Isso me doeu tanto. A outra parte dos móveis que ficou comigo eu não quis abrir mão pois eu cria que meu marido voltaria e eu tornaria a usá-los e foi o que aconteceu.

Chegou a hora de ter uma conversa com Deus. Eu fiz uma campanha de oração na madrugada e perguntei ao Senhor o que Ele queria que eu fizesse. Os 07 dias de orações as respostas foram as mesmas: “Eu Restaurarei!”. O Senhor me levou a vários textos da Palavra e confirmava sempre que pedia confirmações de que era Ele falando comigo. O Senhor teve muita paciência, pois eu fazia como Gideão, pedia sinais e confirmações e Ele sempre me atendeu. Eu achei que minha luta duraria uns 03 meses, que logo um dos dois desistiriam. Mas, irmãos, minha luta durou 01 ano e 01 mês.

Nesse período, muitos irmãos da igreja, parentes e amigos diziam para eu desistir, partir para outra, mas eu havia recebido palavras do Senhor e cria que poderia virar tudo de ponta cabeça. A Palavra do Senhor se cumpriria. Fui procurada por homens de dentro e de fora da igreja, todos bonitos e cheios de lábia. E assim foi, irmãos, com muita tentação, muito choro, muita humilhação, muita gente me virando as costas e meu marido me mandando mensagens me pedindo o divórcio. A outra levou ele para duas igrejas que se denominam evangélicas e diziam para meu marido que ele deveria se divorciar e casar com a amante. Ele tentou dar entrada no divorcio duas vezes, mas sempre que chegava o dia de comparecer no advogado ele não conseguia ir. Comecei a confessar a Palavra de Deus com fé! Sempre declarava um versículo que recebi do Senhor que está em Isaías 62: "Eu serei a procurada, a desejada, a cidade não desamparada.. e minha terra será conhecida como a casada!".

Quando comecei a confessar a Palavra e ao mesmo tempo liberar o perdão para a vida do meu esposo e para a amante, as coisas começaram a mudar. Comecei a declarar que perdoava a outra por ter roubado meu marido e minhas coisas. Comecei também a cuidar mais de mim e procurar a me arrumar mais e a fazer mais amizades na igreja para distrair minha cabeça.

Meu esposo começou a enviar mensagens me pedindo perdão, dizendo que não estava fácil e que havia se arrependido. Durante esse 01 ano eu saí com meu esposo 08 vezes, aí foi meu outro erro. Pois ele me procurava, dizia que me amava, eu cedia e ele voltava para a outra. Todas às vezes eu pensava que já era Deus trazendo ele e eu queria dar uma ajudinha para Deus, mas não era tempo ainda. O Senhor não precisa da nossa "mãozinha". Isso foi até que li a mensagem do Pastor  que dizia que não deveria ceder, pois a dor do segundo e terceiro repudio doeria mais e que poderia voltar para ele apenas quando ele se convertesse ao Senhor e fôssemos acompanhados por pastores.

Quando comecei a dizer não para meu esposo e continuei declarando a Palavra, aí, sim, meu cativeiro começou a virar de vez. Eu mudei minhas atitudes, meu coração mudou. Esse deserto me deixou uma pessoa mais mansa, mais submissa e me fez entender que Deus tem que ser não apenas o primeiro, mas tem que ser tudo. Todos podem faltar e falhar, mas Ele nunca nos desampara. Depois de dez meses juntos, meu esposo se separou da outra e voltou para a casa da mãe dele. Foi aí que a outra começou a sair com outro homem para provocá-lo. Ele não aceitou a situação e começou a ir atrás dela, mas ela dizia que já não queria mais. Então a mãe dela aconselhou meu marido procurar determinada igreja evangélica, pois lá havia psicólogos de plantão, e ele foi. Só que não eram psicólogos e, sim, pastores. Esses pastores mostraram à luz da Palavra que ele estava em pecado e deveria se consertar com Deus e voltar para seu primeiro casamento. Ele seguiu os conselhos dos pastores, me procurou, pediu perdão e passamos a ser acompanhados por esses pastores.

Do dia em que ele voltou para a casa da mãe dele até morarmos juntos foram 03 meses.

Hoje, irmãos, meu marido está prestes a se batizar. Estamos morando juntos há 04 meses e vejo, a cada dia, a fidelidade do Senhor mudando o caráter do meu esposo. Ele faz gentilezas para mim que nunca fez em todo tempo em que estávamos juntos. Estamos envolvidos com os casais da igreja e frequentamos os cultos semanalmente. Hoje ele jejua, ora e diz que olhar para trás é só para ver o quanto ele já conseguiu caminhar e o quanto foi liberto. Ele recebeu algumas confirmações da parte do Senhor sobre o chamado ministerial que o Senhor tem na vida dele. Eu fico maravilhada com as coisas que o Senhor tem feito! Até de trabalho ele mudou, agora está em uma empresa com registro e está sendo honrado.
Hoje minha luta serve de testemunho para aqueles que estão sofrendo nessa área e para todos os que duvidaram da nossa vitória.
Meu queridos, gostaria de poder contar-lhes todos os detalhes, pois eu lia diversos testemunhos neste Ministério, buscando me identificar com algum deles. Sei como é dolorido esse deserto! Mas acima de qualquer coisa que possa dizer, gostaria de pedir o que Judas capítulo 01 diz: "Batalhem pela fé". Guardem a fé sem duvidar. Não olhem nem para a direita nem para a esquerda, mas somente para Deus. Aquele que fez a promessa é fiel para cumprir. Amém!

“Meu casamento foi restaurado. O que fazer agora?”

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que lhe obedecem; o seu louvor permanece para sempre” (Salmos 111:10).
O processo de restauração familiar é um dos mais árduos que existem. É preciso o muito de tudo: muita fé, muito temor à Palavra de DEUS, muita perseverança, muita obediência, muita sabedoria, muita disciplina e, sobretudo, muito amor à vida do outro e ao casamento abençoado por DEUS. O importante é crer que Nosso PAI restaura alianças matrimoniais, traz à vida o que estava morto e torna real o que muitos diziam ser impossível de acontecer.
O primeiro sinal da restauração executada por DEUS é a presença clara do arrependimento na vida do cônjuge que havia se afastado do lar. Sem esse ingrediente, impossível o casamento ter sido restaurado por DEUS; ao contrário, será simplesmente produto de obra humana. Sim, um marido ou uma esposa pode retornar para casa sem que DEUS o (a) tenha restaurado (a) em seu caráter e na sua forma de pensar e de agir. Um exemplo bem simples e comum disso: um marido que vivia no adultério, de repente, briga com a adúltera, frustra-se no mundo e decide voltar para casa com ares de “bonzinho”, como se nada tivesse acontecido. A esposa, que lutava pela restauração da sua família, abre um largo sorriso. Era tudo o que mais queria: ter o marido de volta. Com um tempo, sem o devido arrependimento na alma, tudo volta a ser como antes: erros, pecados ocultos, traições, decepções, sofrimentos e um novo abandono do lar. É que esse marido conheceu uma nova adúltera no mundo, e voltou a fazer tudo novamente. É claro que DEUS, em sua Soberania, pode trabalhar dentro do lar na vida do cônjuge que ainda não se arrependeu, levando-o a uma nova vida. Mas isso é exceção, não é regra geral. É como uma moça que namora um ímpio na esperança de que ele durante o relacionamento venha a ter um encontro com JESUS. Isso pode acontecer, mas as sequelas ficam.
O arrependimento pode vir através de um olhar caído, de uma voz embargada, mas principalmente, através das palavras, do comportamento e das atitudes. Uma pessoa arrependida busca a DEUS com sede e fome de Justiça, ora bastante, louva a DEUS, expressa humildade para o outro, sente o desejo de começar uma nova história. O verdadeiro arrependido confessa com todas as letras: “ESTOU MUITO ARREPENDIDO DO QUE FIZ!”
Um casamento restaurado por DEUS não estará isento de novas tribulações, fortes tempestades, duros embates. Por isso, a primeira atitude do casal que teve o lar restituído é orar bastante, ler juntos a Palavra de DEUS, transformar a casa em uma igreja do Senhor JESUS. DEUS agora precisa ser o condutor verdadeiro do lar. Tudo o que for feito dentro da casa tem que responder à pergunta: será que DEUS se agradará dessa atitude?   DEUS não decidirá nada por ninguém, mas ELE gostará de saber que o casal O tem procurado através da Santa e Gloriosa Palavra. A segunda atitude é a de jamais trazer à tona coisas do passado. Nada mais de abordar o ontem, a história velha, quem foi o culpado ou o que foi feito. Isso jamais. O casal que vive “olhando pelo retrovisor” não prospera e não alcança as bênçãos da parte de DEUS, além de ressuscitar maldições para dentro do casamento. Terceira atitude: fujam de toda e qualquer rotina que se levante no cotidiano do casal. Lembrem-se sempre: um casal casado não vive apenas para calcular as despesas mensais; nem muito menos estar 24 horas no templo religioso. Os dois precisam desfrutar juntos de lazer, diversão, passeios, programar viagens de vez em quando. Fugir do ambiente comum algumas vezes trará vigor e renovará a saúde espiritual e emocional do casal. Nesses lugares se encontra uma ótima oportunidade para reviver os bons dias do namoro e do noivado.
Outros pontos essenciais merecem destaque. Cuidado com a vida financeira. É importante que o casal planeje todo o orçamento mensal do lar, separando de toda a renda (se os dois trabalharem, claro) o dízimo do Senhor DEUS. Nunca deixar de dizimar ou de ofertar, pois DEUS honra os fiéis dizimistas e ofertantes, abençoando-os abundantemente. Não que DEUS precise dessas coisas para abençoar ou executar o Seu Poder, mas ELE espera que tenhamos um coração liberal, sejamos sinceros com ELE, voltados para socorrer os necessitados da Casa do PAI. Devolvido o dízimo, elabore uma planilha de despesas contando apenas com 85 ou 90% do total a ser recebido no mês ou na quinzena (sem o valor do dízimo, é claro). Deixem uma margem de 10 a 15% de sobra para eventuais emergências e imprevistos. Vejo muitos casais se embaraçando com questões financeiras, econômicas. A falta de planejamento orçamentário na família cria débitos pequenos que logo se transformam em uma gigantesca “bola de neve”, afetando o relacionamento de ambos. Gastar com o que é apenas essencial. Deixem os pequenos supérfluos quando estiverem mais “folgados”. Portanto, vigiem na questão financeira para depois não colher frutos amargos.
Outra área que precisa ser bem cuidada: a dos deveres bíblicos da esposa e do marido. O único elemento, na Bíblia Sagrada, que é comparado a JESUS e à igreja é o casamento. Quão importante o é o matrimônio! Observe: “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra” (Efésios 5:22-26) (grifos meus). Ser submissa em tudo ao marido; e amar a esposa como Cristo amou a igreja… Que dois compromissos abençoados! Ninguém receba esses deveres matrimoniais com aparência feia ou com queixumes; mas antes os receba com alegria, amor, pois é a ordem de DEUS para que as famílias sejam alicerçadas e abençoadas pelo poder que há em Seu Nome e na Sua Palavra. A Palavra de DEUS afirma também que a esposa cristã necessita de sabedoria para, através disso, edificar o lar. É a esposa quem é a edificadora do lar, aquela que constrói os alicerces, a base, por onde se sustenta toda a casa. Ao marido cabe fazer o lar funcionar, acontecer, prosperar. Submissão bíblica não é escravidão. Significa que a esposa tem uma missão um pouco abaixo em relação à missão do marido. O prefixo “sub-“ significa abaixo, inferior. A mulher não pode estar no mesmo nível nem no mesmo degrau que o marido. Mas isso não significa que ela não seja importante. Ser submissa primeiramente é respeitar o marido como aquele que define e delega sobre o lar. Ele tem que exercer o papel dele de marido, de definidor, e não repassá-lo para a esposa. Há maridos frouxos, inseguros, medrosos, incapazes. Como também há esposas que querem ir além do que devem, ter uma posição mais alargada do que a Palavra de DEUS determina. Nem os maridos devem se envolver nas atividades que são específicas das esposas, nem as esposas nas atividades próprias dos maridos. Ambos estarão pecando. Isso não significa que, vez por outra, o marido não possa estar na cozinha, preparando deliciosas receitas ou mesmo cuidado da limpeza da casa com a esposa, ajudando-a, ou mesmo quando ela não puder realizar por algum motivo superior. Mas que essa momentânea troca de funções não seja algo constante. Com relação aos filhos, a volta para casa, a reestruturação do lar vai fazê-los melhor, curados dos traumas gerados na separação. Que a esposa ande em harmonia na educação dos filhos. Importante que ambos tenham uma só palavra e uma só decisão. Se houver divergência de opiniões, tratem de resolvê-la longe da presença dos menores. Não descuidem da educação dos filhos. Que as suas palavras sejam coerentes com as atitudes. Pai e mãe cristãos jamais devem educar seus filhos seguindo o princípio mundano do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Esse dito popular é maligno e se esconde por trás de profunda incoerência! Os pais serão espelhos na vida dos filhos. Eduque-os na Casa de DEUS, ouvindo a Palavra, envolvendo-se com as atividades para o Senhor JESUS. Evitem toda e qualquer discussão na frente deles. Cuidando desses detalhes, grandes problemas que poderiam crescer, logo serão eliminados.
Uma última abordagem que considero importantíssima é sobre a vida sexual do casal. O sexo é o primeiro, um dos melhores e um dos principais ingredientes do casamento. É através da prática sexual que o casal se torna uma só carne para DEUS. Por isso, não deixem de possuir uma rotina sexual, alimentando e dando honras um ao outro. Nada de sexo anal (sodomia aborrece o Espírito de DEUS), nada de frequentar motéis (esse é habitat de demônios), nada de perversidade, palavras indecentes, promiscuidade. Zelem por uma vida sexual saudável e abençoada. Não passem muito tempo sem praticar sexo, pois isso dá brechas para a ação do maligno na vida do casal. Atentem para o que aconselhou o apóstolo Paulo: “o marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que satanás não vos tente pela vossa incontinência” (1 Coríntios 7:3-5). O apóstolo sabia que a área mais fácil de satanás invadir a vida do casal e destruí-la é a sexual. Inclusive, as estatísticas provam essa verdade: 90% das separações ocorrem por problemas na área sexual (ou por depravação ou por abstinência – que torna o cônjuge adúltero). Não passem muito tempo sem se preencherem sexualmente. A abstinência sexual representa, no mundo espiritual, a falta da unidade física, que se completa na cobertura espiritual de ambos. Lembrando apenas que a boa atividade sexual depende da busca de uma intimidade saudável. No livro “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento” abordei de forma mais detalhada como adquirir essa intimidade.
Sabemos que o cotidiano dos casados não é nada fácil nem simples. São duas vidas, duas individualidades, duas educações, duas maneiras distintas de ver o mundo, duas concepções, dois costumes, dois gostos, dois elementos, que decidiram, um dia, se tornar um em CRISTO JESUS. Administrar duas vidas dentro de uma só não é nada simples, mas que se tornará pior, de consequências duras e muitas vezes irreversíveis, quando não procuram alicerçar as decisões, a própria família, com o temor da Palavra de DEUS. Problemas existirão sempre, mas nada que os tornem irresponsáveis ao ponto de desejarem abandonar o barco outra vez. Tenham sabedoria e muita fé em DEUS para suportar toda e qualquer tempestade que se levante sobre a vida da família.
DEUS prova a todo tempo que ELE é especialista em restaurar casamentos que antes se encontravam perdidos, quase sem solução. DEUS quer que maridos e esposas, sobretudo, se amem no respeito entre si e no respeito ao bom cumprimento dos conselhos de JESUS. DEUS fez a família para que ela buscasse o SENHOR em tudo, e assim tivesse dias de paz. Não desista jamais dela! Da família depende o nosso futuro, o futuro dos nossos filhos e o futuro de toda humanidade. Famílias esfaceladas, gerações comprometidas, sem rumo, perdidas. Famílias unidas, futuro feliz, certo e seguro. Que DEUS nos abençoe!

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

“Como Deus pode e vai restaurar seu casamento”

“Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” (Efésios 4:12-14) (grifo meu).
Fico admirado com o nível de engano, sujeira e podridão que o diabo introduz nas pessoas que não se mantêm firmes em uma só fé, naquilo que JESUS ensinou em Sua Santa Palavra. Pessoas conduzidas por qualquer vento de doutrina, vacilantes na observância aos mandamentos de JESUS, que procuram um jeitinho de encontrar exceções na Palavra de DEUS, brechas na Lei de CRISTO, como os advogados costumam fazer na lei dos homens.
Desde 2005, iniciei um trabalho de aconselhamento familiar voltado especificamente para o ensino dos conselhos de CRISTO ao Seu povo. De lá para cá, atendi centenas e centenas de pessoas de diversas partes do mundo. Não me recordo de uma só pessoa que não tenha lido o livro, pelo menos uma vez, “Como Deus pode e vai restaurar seu casamento”, escrito por Erin Thiele (Ed. Restore Ministries). Esse manual se tornou uma febre, uma referência na área de restauração familiar. Muitas pessoas, sofrendo com a separação e o divórcio, buscam apoio, orientação em tudo o que está escrito no citado livro.
Para mim, qualquer livro, música, ministração, conselhos, têm que estar totalmente respaldados na Palavra de DEUS, sem que uma vírgula seja retirada ou acrescentada. Não podemos admitir, como filhos de DEUS, a omissão nem o acréscimo de nada na Palavra Santa e Perfeita. JESUS era assim. Quando foi tentado por satanás no deserto, ELE foi persuadido pelo diabo, usando a Palavra de DEUS, para trocar todas as promessas que DEUS tinha para ELE por outras falsas promessas. Observe o nível de atrevimento a que chegou satanás: tentou convencer JESUS CRISTO, DEUS encarnado, a Própria Palavra Viva, usando a mesma Palavra. Se ele usou dessa artimanha e desse atrevimento diabólicos com o Filho de DEUS, imagine o que ele não é capaz de fazer conosco, se não retivermos firmes a fé em JESUS. Seremos levados facilmente como uma pena em uma grande tempestade de vento. E logo estaremos confusos, porque é objetivo de satanás confundir a igreja de CRISTO aqui na terra, fazê-la acreditar que DEUS não é radical com aquilo que determina, que ELE abre algumas exceções.
Não estou aqui para acusar nem denegrir a imagem de ninguém, pois sou apenas um simples servo de JESUS. Estou aqui para ensinar a Verdade sem contradições, a Verdade pura, sem mácula nem alguma sujeira inserida pelo homem. Como Pastor da área de família e conhecedor da Lei Conjugal de CRISTO para o Seu povo, não posso me omitir de refutar aquilo que vejo contrário ao pensamento de DEUS, embora aparentemente seja algo de DEUS; e que esteja contaminando as pessoas, muitas delas ingênuas, mas que também não firmam a fé em um só pensamento.
Na página 75, capítulo 12, do livro em questão, a autora afirma, após citar Deuteronômio 24:1-4, com todas as letras, o seguinte: “Como você pode ver, este versículo diz à mulher para não voltar para seu primeiro marido. É por isto que nós não encorajamos mulheres a pensarem que, porque seu segundo casamento está com problemas, devem voltar a seu primeiro marido. Aqueles que atêm-se ao casamento ‘aliança’, fazem isto através da crença de que Deus não reconhece o segundo casamento, mas somente o primeiro casamento.Entretanto isto não é afirmado claramente na Bíblia e este versículo contradiz tal teologia da ‘aliança’. E também, esta passagem especificamente diz que é a mulher que casa novamente e fala da mácula dela”. Adiante, na página 76, sexto parágrafo, ela escreve: “A verdade a respeito do chamado ‘casamento de aliança’ é que Deus reconhece SIM o segundo casamento. Além do mais, a doutrina da ‘aliança’ encoraja àquelas que estão no segundo casamento a voltarem para seu primeiro marido. Esta doutrina contradiz os versículos em Deuteronômio 24:1-4, com o qual nós abrimos esta questão. Estes versículos provam que Deus reconhece o divórcio e o recasamento, porque se esta mulher não tivesse casado novamente, ela estaria em adultério, o que teria resultado no seu apedrejamento até a morte. Estes versículos também provam que encorajar esta mulher a voltar para seu primeiro marido é encorajar uma abominação diante de Deus”.
É triste ler conclusões desse tipo de uma pessoa que se diz cristã. A não ser que a autora seja judia ou seguidora do Judaísmo, presa às leis judaicas do passado. JESUS CRISTO não se deixou contaminar por nenhuma lei judaica da época; antes ELE deu nova roupagem, impôs, sem acordo algum, novos conselhos a serem seguidos, porque, segundo JESUS, todo aquele que fosse nascido DELE e do Espírito Santo não teria o coração duro dos judeus e não precisaria mais obedecer à lei antiga, assinada por Moisés. Basta observarmos todo o capítulo 5 do livro escrito por Mateus. Foi no monte onde JESUS começou a ensinar todos os detalhes dos conselhos da Nova Aliança para os seus discípulos. No versículo 20, ELE diz: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. A justiça dos fariseus, fundamentada no Pentateuco, não era suficiente para uma pessoa herdar o Reino de DEUS. A justiça de CRISTO era e é muito maior às Leis assinadas por Moisés. Com esse versículo, JESUS determina que nenhum cristão, nascido DELE e do Espírito de DEUS, poderia viver baseado na Velha Aliança. Até mesmo para o casamento. JESUS simplesmente torna sem efeito a Lei Matrimonial antiga e recupera aquilo que DEUS, o PAI, criou antes mesmo do pecado: a indissolubilidade do casamento. Vejamos alguns pontos da Lei que o próprio JESUS contrapôs aos conselhos DELE:
LEI JUDAICA: “Ouvistes que foi dito aos antigos: não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo” (versículo 21);
LEI DE JESUS: “Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: louco, será réu do fogo do inferno” (versículo 22);
LEI JUDAICA: “Ouviste que foi dito aos antigos: não cometerás adultério” (versículo 27);
LEI DE JESUS: “Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (versículo 28);
LEI JUDAICA: “Também foi dito: Qualquer que deixar a sua mulher, dê-lhe carta de desquite” (versículo 31);
LEI DE JESUS: “Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de relação sexual ilícita, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada, comete adultério” (versículo 32);
LEI JUDAICA: “Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor” (versículo 33);
LEI DE JESUS: “Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei” (versículos 34 e 35);
LEI JUDAICA: “Ouviste que foi dito: olho por olho, e dente por dente” (versículo 38);
LEI DE JESUS: “Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra” (versículo 39);
LEI JUDAICA: “Ouviste que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo” (versículo 43);
LEI DE JESUS: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (versículo 44).
Os contrapontos de JESUS em relação à velha aliança não pararam aí. A Lei Judaica dizia que era ilícito fazer alguma coisa no sábado. Certa vez, passou JESUS pelas searas com os seus discípulos, que por muita fome, começaram a se alimentar. “E o fariseus, vendo isto, disseram-lhe: eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado. Ele, porém, lhes disse: não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam? (…) Mas, se soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor” (Mateus 12:2-3 e 7-8 ).
A todo o tempo, os fariseus e escribas, seguidores fiéis da Lei do Pentateuco, colocam-se como opositores de JESUS. Eles não aceitavam o fato de o Messias Enviado por DEUS ter nascido humildemente em uma gruta, por sobre uma manjedoura e com aparência tão rude. A vaidade dos corações deles esperava um outro rei, vindo talvez montado em um cavalo branco, vestido de vestes reais, cheios de tesouros, bens materiais, rico, e cumpridor de toda Velha Aliança. Mas JESUS veio como uma Nova e Eterna Aliança, ensinando o caminho do arrependimento, do perdão e da salvação por meio da fé. Eles nunca aceitaram CRISTO como o Filho do DEUS de Abraão, de Isaque e de Jacó, antes O rejeitaram, como lemos no evangelho de João: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1:11). Por não crerem em JESUS, que o Nosso Senhor e Salvador muitas vezes agiu com dureza com eles: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mateus 12:34); “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mateus 23:27). Por quantas vezes, esses mesmos fariseus lançaram armadilhas contra JESUS com suas perguntas maliciosas? Mas Nosso SENHOR não engolia uma vírgula errada sequer que eles proferiam. Quando eles perguntaram a JESUS, em Mateus 19, por que Moisés mandou dar carta de divórcio e repudiar, JESUS tratou logo de corrigi-los: “Por causa da dureza dos vossos corações,vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas no princípio não foi assim” (vers. 8 )(grifos meus).
Todos os pontos da Lei antiga, especialmente no que se refere ao casamento, foram abolidos por JESUS. Os artigos referentes ao divórcio por qualquer motivo (Deuteronômio 24:1-4) e ao divórcio em caso de fornicação (Deuteronômio 22:13-18), únicos casos utilizados pelos judeus, foram anulados por JESUS em Mateus 19. Esses artigos só foram assinados por Moisés por causa da dureza dos corações dos judeus, que não queriam de forma nenhuma aceitar o sentido verdadeiro do casamento único criado e abençoado por DEUS. Eles queriam trocar de mulher como se troca de roupa. Por isso, JESUS, nesse capítulo de Mateus, rebate as duas perguntas dos fariseus, ordenando que eles olhassem para o que DEUS criou no princípio: casamento é um só. Cabem dois questionamentos nesse contexto: por acaso, um cristão, nascido da água e do Espírito de DEUS, possui coração duro? Por acaso, é correto o cristão viver conforme a justiça antiga dos fariseus e dos escribas?
Talvez a Bíblia da autora Erin Thiele se resuma apenas ao Pentateuco. Talvez não conste as seguintes palavras de JESUS: “Portanto o que Deus uniu não separe o homem” (Mateus 19:6); “Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12); “Qualquer que deixar a sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera também” (Lucas 16:18). Talvez não conste também as palavras de JESUS confirmadas pelo apóstolo Paulo: “Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido” (Romanos 7:2-3); “Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” (1 Coríntios 10-11); “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).
O livro “Como Deus pode e vai restaurar seu casamento” está recheado de contradições bíblicas e confusões teológicas. Ao mesmo tempo em que a autora profere uma fé voltada para o divórcio e para o segundo casamento de divorciados, ela afirma que Deus pode e vai restaurar seu casamento. Na mesma medida em que ela cita a Lei antiga, prende-se ao texto de Deuteronômio, cita também o perdão que JESUS atribuiu à mulher que foi flagrada em adultério pelos fariseus. DEUS perdoa todo e qualquer pecado do homem, menos a blasfêmia contra o Espírito Santo, desde que esse mesmo homem se arrependa e abandone o pecado. É impossível ao homem receber o perdão de DEUS e ainda querer continuar preso ao pecado. O perdão está condicionado ao arrependimento e ao abandono da prática pecaminosa: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13); “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo o lugar, que se arrependam” (Atos 17:30). JESUS disse àquela mulher que adulterava: “(…) Vai-te, e não peques mais” (João 8:11). Em que lugar da Bíblia, após receber o perdão, lemos essa mulher adulterando de novo? Em nenhum outro! Ao contrário, a mulher passou a seguir a JESUS e ela foi a primeira mulher a quem NOSSO SENHOR apareceu ressuscitado. Se DEUS me diz na Palavra que segundo casamento de divorciados é adultério, como poderei eu receber o perdão de DEUS se eu quiser continuar nesse pecado? Essas contradições mais lembram a voz que satanás introduziu à primeira mulher no Éden, para a qual DEUS tinha dito que se comesse do fruto proibido morreria. Satanás, com a astúcia que lhe é peculiar, apresentou-se e disse à mulher: “certamente não morrereis” (Gênesis 3:4). Até os dias de hoje é assim: DEUS diz não faça isso porque te levará à morte; e o mesmo satanás chega depois e convence o homem de que o mesmo pode fazer.
Só aceito a verdade que está transcrita no título: DEUS NÃO SÓ PODE COMO ELE VAI RESTAURAR TODOS OS CASAMENTOS! Mas meu DEUS não restaura adultério nem alguma outra relação sexual ilícita aos olhos DELE. Não é estranho para mim ler, em outro título dessa mesma autora, que ela estava enfrentando o segundo divórcio com o mesmo marido. DEUS sabe por que permite certas situações adversas na vida de alguns (medite em Apocalipse 22:18-19). A PALAVRA DELE não pode ser ensinada pela metade, com ajustes, mácula nem contaminação alguma. ELA TEM QUE SER ENSINADA E DIVULGADA DO JEITO QUE ESTÁ ESCRITA. Aceite quem quiser aceitar; doa em quem doer, ouça quem tem ouvidos! Não me sinto melhor nem pior do que ninguém, aliás vivo de escassos recursos financeiros, apenas da Obra de DEUS, mas não posso admitir que meus irmãos na fé sejam conduzidos em ensinamentos falsos, que não condizem com a Verdade de JESUS! Se assim admitisse, DEUS cobraria de mim tamanha irresponsabilidade. Amém! Ora, vem, NOSSO SENHOR E SALVADOR!

“Diga-me com quem andas…”

“Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo? (…) Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:3 e 7).
 
Em toda Bíblia Sagrada, vimos DEUS chamar o Seu povo a viver uma vida de santidade, que é alcançada através da unidade espiritual. Santidade e unidade são duas palavras que andam juntas no projeto maior que o CRIADOR de tudo estabeleceu para os Seus filhos amados.
Em uma ocasião, Elias reuniu, no monte Carmelo, todo o povo de Israel, que desejava seguir os conselhos dos profetas de Baal, e disse-lhe: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu” (1 Reis 18:21). DEUS não aceita, em nenhuma hipótese, que a Sua glória seja repartida com ninguém nem que os Seus conselhos sejam contaminados. Ou seja, quem pretende ser santo precisa antes tomar uma posição radical: de ouvir e servir somente a DEUS. NOSSO SENHOR exige exclusividade em tudo, posição firme. Muitos foram os que queriam servir a DEUS estando preso às correntes mundanas, de ídolos ou falsos ensinamentos. Nem a santificação nem o ensino devem ser parciais, pela metade. Sobre a importância de termos uma só fé, Paulo escreveu: “e Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Efésios 4:11-14) (grifo meu). Ao ler esses versículos, desconfio que o apóstolo estava, não só ensinando aos crentes em Éfeso, como também fazendo uma revelação bem antecipada da realidade da igreja em nossos dias.
A igreja de CRISTO atual está dividida. Muitos dos seus líderes pregam e ensinam apenas aquilo que lhes convém, segundo os seus interesses. Em especial, quando o tema é “problemas no casamento”, as orientações são as mais terríveis que se possa imaginar. De frases tipo “seu casamento foi um erro”, “desista dele, peça a DEUS outro e busque a sua felicidade”, “tire tudo dele (referindo-se ao cônjuge que está em adultério); deixe-o falido, sem nada”, “se ele não quiser, nada DEUS poderá fazer” aos sermões recheados de prolixidade, assistimos às heresias invadirem as igrejas, tornando os frequentadores apenas religiosos.
Nada do que está escrito na Palavra de DEUS deve ser ensinado de maneira parcialmente honesta, pura ou justa. JESUS certa vez afirmou: “quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha” (Mateus 12:30)“seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mateus 5:37). Esse radicalismo faz com que a pessoa se proteja de qualquer tipo de heresia e contaminação. Sobre o perigo da contaminação, Paulo advertiu: “um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gálatas 5:9). Há líderes que são sábios em seus próprios conhecimentos e interesses, não buscam a direção de DEUS, querem a glória do que fazem para si, possuem os olhos arregalados para o dinheiro e para a quantidade de pessoas. Para atingirem isso, fazem de tudo o que podem, até mesmo passar por cima dos ensinamentos de CRISTO de disciplina e correção. Eles têm medo de perderem a ovelha, ou melhor, o dinheiro da ovelha. Todos, sem exceção, que defendem o divórcio, ainda que em caso de infidelidade conjugal, apoiando-se equivocadamente em Mateus 5:32 e 19:9, também aprovam o segundo casamento de divorciados, estando, portanto, contrários ao Verdadeiro ensinamento de CRISTO e longe da salvação: “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é soberbo, nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho;aparta-te dos tais” (1 Timóteo 6:3-5) (grifos meus). Ou seja, Paulo escreve que devemos nos afastar desses líderes para que o nosso interior, a nossa fé, não seja contaminada pelo fel que desses homens jorra. Cabem, então, algumas perguntas a serem pensadas: como uma pessoa, que deseja ter seu casamento restaurado por DEUS, pode querer tal coisa, estando sob a autoridade espiritual de pessoas que não ensinam o que JESUS ensinou? Como conseguirá tal intento? Se conseguir, porventura não voltará a fracassar? Como posso abençoar, com meus dízimos e ofertas, uma obra humana que não traz nenhum benefício espiritual para mim na área de família? “Mas ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezais o juízo e o amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras” (Lucas 11:42).
Reflitam cuidadosamente nas seguintes palavras de Paulo: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias, carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles. Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência, perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou” (2 Timóteo 3:1-11) (grifo meu).
Amados, quando fui ordenado Pastor para cuidar da área de família, fazia parte de uma denominação, cujo líder maior era divorcista, ou seja, era a favor do divórcio em caso de adultério e do segundo casamento da parte traída. DEUS já havia me dado o Ministério Restaurando Famílias para Cristo e havia me prometido que, através dessa obra, milhares de casamentos seriam refeitos. Daí tive que tomar uma posição radical: abandonei a denominação e fui fazer parte de uma outra radicalmente contra o divórcio. Como eu poderia ter uma fé voltada para a restauração familiar e ao mesmo tempo estar debaixo de uma doutrina diabólica? Vocês acham que se eu tivesse permanecido naquela primeira denominação, DEUS nos abençoaria com tantas restaurações de casamentos através do Ministério? Claro que não. DEUS não me aceita com a fé dividida, vacilante. ELE me quer sem mácula, com uma fé pura, incontaminável.
O apóstolo Paulo parecia mesmo ser muito radical com essa questão. Em outra Carta que escreveu para Tito, ele volta a abordar o mesmo assunto: “Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transformam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Um deles, seu próprio profeta, disse: os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos. Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé. Não dando ouvidos às fábulas judaicas (como muitos hoje fazem quando querem justificar o divórcio, usando textos da lei antiga), nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade. Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados.Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” (Tito 1:10-16) (grifos meus).
Como o apóstolo João andava em unidade com Paulo, ambos beberam da mesma Fonte, que é JESUS CRISTO, leiam o que ele escreveu em uma de suas Epístolas: “se alguém vem ter convosco, e não traz essa doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem saúda tem parte nas suas más obras” (2 João versículos 10 e 11) (grifos meus).
Há um ditado popular que não está na Bíblia, “ao pé da letra”, mas que tem inspiração bíblica, que diz: “quem com porcos anda, farelo come”. Saindo do aspecto literal dessa verdade (o filho pródigo abandonou a família, perdeu toda a riqueza; teve que trabalhar em uma pocilga e se alimentar com os porcos para poder voltar para casa), entendo que quem enfrenta uma batalha espiritual no casamento, não pode vacilar em nada, nem mesmo na ação simples, ingênua, porém maldita, de estar na companhia ou sob a autoridade de quem prega o contrário dos conselhos de CRISTO para o casamento. Hoje, todos sabem que eu só prego a JESUS, defendo a unidade familiar e a indissolubilidade do casamento até a morte, ainda que, com isso, tenha que pagar um preço alto. Mas não abro mão (nem mesmo uma vírgula) daquilo que o ESPÍRITO SANTO ministrou e ministra na minha vida. ELE tem plena liberdade para agir em mim. Pois sei da grande responsabilidade que me foi dada por DEUS, que, um dia, tudo isso me será cobrado com rigor, e que eu poderei, finalmente, nesse Grande DIA, apresentar ao SENHOR as milhares e milhares de famílias que foram restauradas e salvas para louvor exclusivo do Seu Santo Nome. Que DEUS nos abençoe!

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

Filhos de pais separados

“Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre, o seu galardão” (Salmos 127:3).
 Estava retornando para casa em uma tarde chuvosa, quando começamos a conversar. Essas conversas inicialmente descompromissadas, que servem apenas para passar o tempo. Ele, um cidadão que aparentava ter entre 35 a 40 anos, moreno claro, calvo, expressão bem tranquila, casado e pai de uma menina de 6 anos. Conversamos sobre quase tudo: as consequências que as fortes chuvas causam na sociedade, violência urbana, televisão, até entrarmos no tema FAMÍLIA. Ele me faz um relato no mínimo preocupante. Conta-me que certo dia sua filha foi abordada por uma colega de classe. O diálogo entre as duas foi narrado mais ou menos assim:
– Você tem pai e mãe? Perguntou a coleguinha.
– Sim, tenho! Respondeu a filha desse conhecido.
– E eles vivem juntos?
– Sim, vivem.
– Aguarde, pois daqui a um tempo eles vão se separar!
 A criança ao chegar a casa, entrou pelas portas aos prantos, desesperada, perguntando: “papai, por que o senhor vai se separar de mainha? Não deixa mainha, não, papai!” O pai perguntou quem havia dito tal coisa a ela, de onde ela tirara isso. A menina respondeu: foi Débora, a minha colega de classe. No outro dia, o pai então foi à escola conversar com a psicóloga e a professora responsável pelas crianças, as quais se comprometeram de averiguar a razão que levou Débora a afirmar tal coisa. Uma semana se passou, e a surpresa veio logo em seguida: 80% das crianças daquela sala de aula eram filhos de pais separados, crianças que guardavam algum tipo de trauma pela separação dos pais.
Após comentar essa história com a minha irmã mais nova, que também tem uma filha de 6 anos e é muito bem casada, fui rapidamente surpreendido por ela, que me trouxe um outro relato, igualmente parecido e preocupante. Dessa vez, as personagens eram outras: Maria Luiza, minha sobrinha e uma amiga dela de classe. Transcreverei em seguida o diálogo das duas, conforme narrado por minha irmã:
– Tua mãe ama teu pai? Perguntou a colega à Maria Luiza.
– Sim, ama. Respondeu minha sobrinha.
– Porque o meu pai não ama a minha mãe. Eles só fazem brigar, e o papai vive chamando nomes feios com a mamãe.
Luiza responde:
– Meus pais também brigam, mas depois eles pedem desculpa e ficam numa boa.
Quando estão enfrentando uma crise na relação, com forte desejo de se separarem, marido e esposa não imaginam as marcas que aquela decisão pode causar na vida dos seus filhos. Infelizmente, as crianças não têm estrutura emocional saudável nem condições psicológicas necessárias para aceitar numa boa a separação de ambos. Intuitivamente, essas crianças sabem que nasceram e são criadas dentro de um lar, onde, ao redor delas, há a presença de um pai e de uma mãe. Aos poucos, elas vão aprendendo também que a isso chamamos FAMÍLIA, e que essa instituição, criada por DEUS, não pode ser desfeita por causa da péssima condução do lar pelos responsáveis. Os pais serão sempre os super-heróis de todo filho, e, como tais, não podem se entregar face às adversidades que se levantam. Antes de deixarem tristes sequelas nos seus filhos, os pais deveriam, de todas as formas, buscar apoio, especialmente em DEUS (e, se for o caso, também com terapeutas cristãos da área de família) para que a família não acabe. A ferida de uma separação nos filhos não vai ser curada se os pais conseguirem manter uma relação amigável ou se os filhos se tornarem bons amigos dos novos cônjuges que porventura venham a aparecer.
As duas histórias transcritas acima trazem dois pontos distintos do problema. O primeiro, o trauma de quem sofre com a separação dos pais, de quem já assimilou como normal que casamentos existem para serem desfeitos. Certamente a criança da primeira história sofrerá com esse mal no futuro. O segundo, a dor de uma criança que ainda tem seus pais ao seu lado, mas que não suporta presenciar as brigas e as confusões entre eles. Para essa segunda criança, que já conseguiu associar a falta do amor à falta de respeito, ela crescerá e se desenvolverá no meio de uma sociedade impiedosa, agressiva, que se inicia dentro do ambiente familiar. O segundo problema, sem sombra de dúvida, desaguará no primeiro.
Se o núcleo familiar pode se parecer, aos olhos dos filhos, com um lago tranquilo, com águas calmas, a separação dos cônjuges representará para eles como uma pedra atirada violentamente no meio desse lago. As separações são como uma avalanche que atinge todos os setores da vida de um menor de idade. Observem alguns depoimentos de crianças que têm os pais separados:
“Eu era muito jovem. Não entendia o que estava acontecendo. Eu sabia que estava faltando o papai, mas não sabia por quê” (Menina de 8 anos).
“Eu estava muito zangado com o meu pai e queria que ele morresse para que eu pudesse me lembrar dele do jeito que era antes de nos deixar, e não no que ele tinha se transformado” (Menino de 9 anos).
“Meu pai não nos deixou. Minha mãe me levou enquanto eu dormia e ela o deixou. Eu não sabia nada sobre isso” (Menina de 5 anos).
“Atualmente moro com meus avós. Vivo com eles desde os nove anos de idade. Minha mãe e meu pai se separaram três vezes. Eu enfrentei o primeiro e o segundo divórcio de minha mãe. Meus avós me protegeram dos outros divórcios” (Jovem de 18 anos).
Se é tão difícil curar as cicatrizes na alma e no caráter dos filhos que tiveram os pais (legitimamente casados) separados, o que dizer dos filhos que nasceram frutos do adultério, ou seja, oriundos de uma relação sexual ilícita dos seus pais? Os dois, para DEUS, são pais dessa criança, mas não são marido e esposa legítimos, ainda que tenham oficializado a união segundo a Lei Civil. Ao descobrirem, segundo o temor à Palavra de DEUS, que não devem permanecer mais juntos, que têm que separar o leito, pois estão em adultério (um dos dois ou os dois já foram casados antes com outra pessoa), deixarão inevitavelmente marcas profundas nos filhos que só DEUS poderá apagá-las. Terão, agora, que conduzir a educação (e as outras responsabilidades) dos filhos, vivendo em casas separadas; e fazê-los entender, quando atingirem o nível de maturidade suficiente, que eles (os filhos) nasceram em decorrência do pecado da mãe e do pai, mostrando isso na Palavra de DEUS. Se assim fizerem, destruirão o mal e evitarão que os filhos não trilhem por esse caminho no futuro.
Trazendo esse tema para as igrejas cristãs, um outro fator desperta muita preocupação: a falta de ambiente e de lideranças potencialmente preparadas para lidar com ovelhas emocionalmente doentes, sofrendo de insegurança, agressivas, devido a traumas do casamento. Infelizmente, a maioria dos pastores ainda desconsidera a importância psicossocial na vida humana. Para muitos, doenças emocionais, carências afetivas, traumas psíquicos, herdados de uma separação, são tratados com jargões do tipo “repreendo em nome de Jesus” ou “sai satanás”. Essa lacuna gera uma crise de identidade dentro das igrejas. As pessoas geralmente se perguntam: “por que não consigo externar para minha vida social aquilo que sou dentro dos templos?” No ambiente de trabalho, um cristão grita com seus subordinados, um outro furta ou deseja a mulher do próximo, chegando ao ponto onde nossa identidade cristã não apresenta mais diferença em relação à identidade do ímpio. O que afirmo é que a ideia de espiritualizar tudo só aprofunda os problemas comportamentais do necessitado.
Nos bancos das igrejas é comum encontramos pessoas que passaram pela experiência da separação. Os filhos, como herança de um matrimônio que não deu certo, apresentam uma variedade de estados emocionais. Alguns têm medo da vida, outros são bem ajustados. Alguns têm bons relacionamentos com os pais, outros foram abandonados. Alguns ainda estão profundamente magoados, outros já aprenderam a perdoar. Enfim, os filhos que melhor enfrentam a separação dos seus pais são aqueles que possuíam uma forte estrutura emocional – os que se sentiam amados e aprenderam a ser responsáveis por si mesmos e por suas reações. Porém, nem todos os filhos possuem uma “saúde” emocional estabilizada, como disse anteriormente. Para esses, a separação se torna um processo psicológico devastador, com profundas cicatrizes emocionais, que reflete na relação social e escolar.
É preciso perceber que, embora o casamento tenha sofrido um forte abalo, a boa relação tem que ser mantida, principalmente quando se deixam frutos do casamento. Se a separação é inevitável na vida de um casal, que os envolvidos, inicialmente, não tratem de buscar a solução, relacionando-se com outras pessoas. Os pais precisam superar seus orgulhos, os aborrecimentos, as culpas, enfim, precisam deixar de olhar para si um pouco para cuidar da família como algo sagrado, indissolúvel. A primeira providência é nunca se separar dos filhos. Muitas vezes são eles que mais sofrem com o desajuste familiar. Se não mais conforta aos pais saberem que DEUS não é favorável às separações e aos divórcios; se não há mais caminhos de esperança a trilhar, que reste, então, a preocupação pelo futuro dos filhos. Pais separados encontram amparo nas igrejas, com psicólogos, grupos religiosos, apoio de amigos, organizações destinadas a esse objetivo, familiares, amigos, conselheiros no geral. Os filhos, com frequência, são a parte negligenciada e habitualmente se sentem sozinhos, desamparados, sem condições de se defenderem. A unidade familiar é a principal referência de um filho. Ele cresceu e se reconheceu dentro de uma família (pai, mãe e irmãos). Essa referência passou a ser o seu mundo, a sua identidade. A quebra dessa unidade cria uma série de dúvidas e tudo se torna instável.
Tenho um grande amigo de infância em Olinda, Pernambuco, que teve que presenciar a separação dos seus pais ainda criança. Após esse desligamento, apareceram profundos distúrbios emocionais e até mesmo doenças. Ele cresceu com a ideia paterna que a mãe sempre lhe ensinou: “seu pai é a causa de todos os problemas”. Mais de 30 anos se passaram, esse amigo se casou, também se separou, e até hoje as suas dificuldades emocionais e físicas se agravaram. O pai faleceu recentemente e nunca teve contato algum com o filho. Geralmente, o pai ou mãe tenta esconder dos filhos suas próprias dores; porém, expressá-las de forma direta ou injusta, pode legitimá-las.
Certa vez, ao ler sobre as consequências das separações dos pais na vida dos filhos, surpreendi-me com alguns depoimentos: “eu choro, à noite, quando estou na cama, mas minha mãe nunca fica sabendo”. Uma garota afirmou: “Eu procuro não demonstrar ao meu pai uma dor que eventualmente é minha e é dele também”. Ao ser perguntada sobre as suas expectativas do que pretende fazer no futuro, uma jovem respondeu: “vou me casar, ter filhos e me separar”. É lamentável, mas os adolescentes de hoje veem a desestruturação familiar como um caminho impossível de não ser trilhado. Em outros textos, vi a preocupação que muitos filhos têm com a falta de diálogo dos pais depois da separação. Não faz muito tempo (década de 80), estudei numa grande escola pública, com aproximadamente três mil alunos, em um bairro da cidade de Olinda. Naquele tempo, não me recordo ter conhecido ou ouvido falar de algum aluno que tivesse os pais separados. E, acreditem, eu era uma pessoa extremamente conhecida naquela instituição de ensino. Hoje, século XXI, difícil é encontrar uma criança, um jovem, que não tenham sofrido com a separação dos pais.
“O mundo jaz no maligno” (1 João 5:19), como bem afirma a Palavra de DEUS. Não me surpreendo se as pessoas que não temem a DEUS se separam e acham isso normal. O que me preocupa é a igreja aceitar isso como algo normal, irreversível. Quando a igreja de CRISTO aqui na terra (as pessoas que carregam consigo a marca de JESUS) não rejeita as trevas que no mundo há, é porque grandes são as trevas dessa igreja: “Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão tais trevas” (Mateus 6:23).
Acredito ser possível reverter esse quadro. Como disse anteriormente, devemos fazer com que os pais olhem muito além de suas mágoas e ambições, mantendo como prioridade, em suas mentes, as consequências devastadoras que seus filhos podem apresentar no futuro. Uma separação até pode resolver alguns problemas, porém, inevitavelmente causará novos. Somente o milagre do perdão e da reconciliação, gerados em corações tementes a DEUS, pode impedir futuras gerações de filhos divorciados. Meu desejo, ao invés de uma geração frustrada, é ver uma geração abençoada no propósito familiar; não só com desejo de subir ao altar, mas também de permanecer ajustada no compromisso de superar todas as dificuldades, e encravar verdadeiramente, no seio da humanidade, o selo do Amor que o apóstolo Paulo proclamou na sua Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 13: “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (vers. 7). Somente em CRISTO, renovando diariamente o compromisso do casamento por meio da Palavra de DEUS, poderemos transformar esse meu sonho (que acredito ser o seu também) em realidade. Que DEUS nos ajude!!

E Deus formou a família…

“Disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma adjutora que lhe corresponda. (…) Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou, então, uma das suas costelas, e fechou a carne em seu lugar. Então da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou a mulher, e a trouxe ao homem” (Gênesis 2:18, 21 e 22).
De tudo o que DEUS formou, a família aparece como projeto principal. DEUS a criou para atender inicialmente a uma necessidade do homem que, depois de fazer a obra do Criador, precisava agora de uma companheira para ser com ele uma só carne. Quando DEUS afirmou que não era bom que o homem vivesse sozinho, ELE, nesse instante, contemplou algo que seria extremamente necessário. A presença da mulher ao lado do homem formaria a família, a gênese para todo o cumprimento dos projetos de DEUS para a humanidade.
DEUS conhece as nossas necessidades, por isso ELE nos colocou no seio de uma família; e não nos deixou como desamparados, solitários, a vagar pelo mundo: “Deus faz que o solitário viva em família (…)” (Salmos 68:6). Ao dar vida ao homem, DEUS também já criara a sua mulher, pois foi de uma de suas costelas que o SENHOR lhe deu a companheira. O mesmo homem teve consciência da responsabilidade que lhe fora dada a partir do nascimento da sua mulher: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada mulher, pois do homem foi tomada” (Gênesis 2:23). Em outras palavras, homem e mulher se tornariam inseparáveis, indissociáveis, osso a osso, carne a carne, unidos, até que a morte os separasse. Antes mesmo de trazê-la à vida, DEUS estabeleceu um dever à mulher: seja ajudadora, cooperadora, auxiliadora; esteja ao lado do seu marido em quaisquer situações e sempre que ele precisar. Nunca o deixe por nada!“(…) que a mulher não se aparte do marido” (1 Coríntios 7:10). Esse também é o principal dever da submissão confirmado em Efésios pelo apóstolo Paulo: “Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor” (5:22). Do homem, a esposa foi formada, da sua própria carne, para a base do amor perfeito, porque amando a própria carne, o marido estará automaticamente amando a sua mulher: “Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Afinal de contas, nunca ninguém odiou a sua própria carne, antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja” (Efésios 5:28-29).
A mulher, em nenhuma circunstância, poderia ocupar a posição de proeminência em relação ao marido; mas, pelo seu bom procedimento de sabedoria, o lar em que eles viverem será enormemente abençoado por DEUS e edificado pela esposa.
A obra criadora foi perfeita. DEUS contemplara a grandeza daquilo que ELE mesmo tinha feito, saído de Suas mãos. Tanto é que DEUS agora faria o homem cair em um sono profundo, para arrancar de uma de suas partes aquela que seria sua companheira por toda a vida. DEUS formou a esposa do próprio marido, mesmo osso, mesma carne, no sentido de propriedade absoluta. O corpo de um passaria a ter domínio sobre o do outro: “Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. O marido pague à mulher o que lhe é devido, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido. Do mesmo modo o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher” (1 Coríntios 7:2-4). A carne da mulher só poderá se unir à carne do homem de onde ela saíra. Nunca de outro homem. DEUS foi rigoroso nesse processo criacional. De cada homem sairia a sua própria mulher. Uma mulher, que não foi formada de determinado homem, jamais poderia se unir a ele, sexualmente falando. Tal conjunção é algo abominável aos olhos do SENHOR, pois iria de encontro à perfeição do matrimônio que ELE mesmo abençoou.
DEUS fez adormecer o homem em um sono profundo. O sono significa descanso, relaxamento, estado onde não se vê nem se deixa revelar ansiedades e preocupações. Enquanto o primeiro homem dormia, DEUS trabalhava. Ninguém pode assistir ao trabalhar de DEUS. O ser humano precisa descansar, relaxar, confiar, entregar ao SENHOR toda a confiança pelas obras que sairão de Suas mãos. O salmista escreveu:“Descansa no Senhor, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa astutos intentos” (37:7). Em mais duas oportunidades veio a exortação para esse segredo: “espera no Senhor, e guarda o seu caminho (…)” (vers. 34); “Esperei com paciência pelo Senhor; Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Salmos 40:1). DEUS nos convida a sempre esperar NELE. JESUS uma vez afirmou: “Qual de vós poderá, com as suas preocupações, acrescentar uma única hora ao curso da sua vida?” (Mateus 6:27). Pessoas ansiosas, preocupadas, não podem receber o resultado do trabalho do SENHOR. A melhor maneira então de não ser dominado pela ansiedade é descansar em DEUS, adormecer, confiar. Quando dormimos, a escuridão passa mais depressa; e logo, veremos o nascer de um novo dia, de uma nova criação.
O deserto daquele homem já durara muito tempo. Ele vivia só, fazendo apenas a obra de DEUS, dando nomes aos seres viventes. Mas, ele sabia que lhe era necessário uma companheira. DEUS não dá aquilo que queremos, mas dá, em abundância, aquilo de que necessitamos. O apóstolo escreveu: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Efésios 3:20). O homem não sentiu dor, nem angústia, nem lágrimas escorreram dos seus olhos quando DEUS arrancou dele uma costela, porque ele adormeceu, ficou quietinho, sem se mexer, só esperando o resultado final. “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre as nações, serei exaltado sobre a terra” (Salmos 46:10).
Então o homem dormiu. Enquanto ele dormia, DEUS retirava dele uma parte para transformá-la. Que DEUS maravilhoso! Definitivamente não entendemos o Seu trabalhar em nossas vidas! ELE retira algo de nós para, depois, nos devolver melhor. Enquanto DEUS trabalha, precisamos apenas descansar. DEUS escolheu uma costela das muitas que existiam, limpou-a, tirou as impurezas, transformou-a numa mulher. Depois de pronta, devolveu-a a quem lhe pertencia. DEUS restaurou e preencheu a parte que faltava do homem, que não poderia despertar daquele sono profundo sem que a obra estivesse inteiramente concluída. Por isso, DEUS a entregou perfeita ao seu marido. E assim DEUS formou a família. Nem o homem nasceu do acaso da criação nem a mulher foi uma ideia tardia do CRIADOR. Ambos foram planejados em todos os aspectos e formados para serem à imagem e à semelhança de DEUS: “Assim Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. Deus os abençoou e lhes disse: frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra, e sujeitai-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre todas as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gênesis 1:27-28).
DEUS formou a família para que ela dominasse sobre toda a criação, fosse uma instituição representativa dos Seus conselhos e multiplicadora de gerações. Mas o CRIADOR não deu poder para a família dominar sobre si mesma. Maridos e esposas não se dominariam, mas seriam guiados e conduzidos pelo Espírito de DEUS em tudo o que fossem fazer. Por isso, quando a serpente, como imagem de Satanás, aproximou-se da família, usou de sutileza nas palavras para enganá-la e colocá-la longe de DEUS. Quem ouve a voz do maligno, peca, cai, transgride, entra no estado de desobediência e de pecado. As sequelas são profundas para as famílias que não atendem o desejo de DEUS, mas curvam os seus ouvidos à influência maligna.
Mesmo tendo desagradado ao PAI, não vimos nem a mulher nem o homem se sentirem desejosos de se separarem, destruírem a família. Nem da parte deles, nem da parte de DEUS. Nas profundezas da miséria, do pecado, eles permaneceram ali juntinhos. Uniram-se carnalmente, tiveram filhos, netos, bisnetos, até o dia em que o SENHOR os guardou. Toda e qualquer separação física do marido e da esposa é uma tentativa de destruir o projeto familiar que DEUS criou. É como se arrancasse uma coluna do homem e a jogasse fora ou a entregasse a outro homem. Essa nova união gera abominação, impureza, adultério. Daí a razão da contundência de todos os textos da Nova Aliança para a preservação da família que DEUS uniu e abençoou, não abrindo mão dela por nenhum motivo. Daí a razão de JESUS por diversas vezes ter nos alertado a voltarmos o nosso olhar ao princípio de tudo, à origem familiar criada por DEUS. Na época da velha Aliança, ser infiel no casamento representava, segundo a Lei judaica, a morte por apedrejamento. Em CRISTO, o mandamento maior nos aponta para o perdão, o arrependimento e a consequente reconciliação.
A história da criação do primeiro homem e da primeira mulher, que lemos de forma resumida acima, para muitos não passa de mera ficção, algo que foi retirado do imaginário popular. Para os verdadeiros filhos de DEUS, aqueles que creem na Bíblia Sagrada, essa história é muito mais que uma simples narrativa. Nela, está contido todo o segredo para a paz entre as pessoas, a solução de todos os desajustes mundiais. Basta que saibamos valorizar, respeitar e amar as famílias como se ama a DEUS, ajustando-as conforme a Palavra do SENHOR, projetando-as para o Reino vindouro e glorioso. QUE AS FAMÍLIAS BUSQUEM A FACE DO PAI!

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 
 

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