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A cura para o vazio é o preenchimentos

O título acima parece conter o óbvio. Cresci ouvindo que o remédio para o abandono seria entregar-se para outro ser. Minha mãe amada, no alto da sua ignorância à Palavra de DEUS, ainda hoje diz: “A fila anda, meu filho”.

Há muitos outros ditos populares parecidos. Mas a vida de um cristão deve ser bem diferente daquilo que ensinam por aí…

JESUS ensinou que os seus discípulos não poderiam pagar o mal com o mal, mas com o bem; e que a premissa judaica de “olho por olho, dente por dente” estava deveras ultrapassada no tempo da Graça de DEUS.

No decorrer de minha vida ministerial me aparecem inúmeras pessoas sofridas, abatidas, por que não dizer, destruídas emocionalmente. Desamparadas fisicamente e ultrafragilizadas no seio emocional. Duas peças que contribuem para o desajuste e o enfraquecimento espiritual.

Enquanto estive sobre uma cama, profundamente triste, pré-depressivo; eu me enchia de perguntas para as quais não encontrava respostas. Minha vida era estagnada, parada, como águas em um pequeno rio cheio de entulhos, que não podem se movimentar para lugar algum.

Assim é a vida de quem vive na ignorância dos fatos. Ela até cresce fisicamente, até se torna mais velha na idade, porém, a sua estrutura espiritual é extremamente definhada, reflexo de uma visão limitadíssima, que nunca a permitiu enxergar mais adiante.

É assim também a situação de quase todas as pessoas que me procuram.

Só fui me reencontrar com o SENHOR e, consequentemente, comigo mesmo, quando compreendi a importância do relacionar-se com o outro. Hoje, não à toa, sou um grande defensor do relacionamento no meio da igreja. O relacionar-se causou em mim o preenchimento do vazio que o repúdio havia me causado (observe que a tendência do repudiado é exatamente o contrário: de se isolar, de viver na clausura).

A vida só foi redescoberta em mim quando permiti que outras vidas, com a mesma fé que eu tinha, se relacionassem intimamente comigo. E, aqui, precisamos trabalhar alguns conceitos: relacionar-se é se unir a uma ou a várias pessoas; intimidade é uma aproximação quase irrestrita, é compartilhar; abrir a porta e deixar que o outro entre, faça parte da nossa vida; é amá-lo, crescer com ele. Dentro do propósito de ser igreja, isso é bem diferente do arrumar-se, ir a uma academia, ficar com o corpo bem malhado, colocar a melhor roupa, o melhor perfume e ir ao mundo conhecer nova pessoa para um novo relacionamento.

Precisamos nos sentir importantes e valorizados como igreja. E para ser igreja é imprescindível esse envolvimento santo, esse relacionamento profundo, essa vida que se entrelaça com outras vidas (porque somos iguais perante DEUS). Quando há relacionamento, descobrimos o outro também em suas fragilidades e pecados, não somente na sua condição distante de santidade plena. E, assim, reconhecendo que temos estrutura semelhante e que precisamos perseverar para juntos chegarmos a um Alvo, passamos a amar o outro verdadeiramente, do jeito que ele é. Vivendo como igreja, aprendemos a viver dentro de casa, na família e no casamento. Nosso marido e nossa esposa são tão falhos como somos. O segredo da maturidade e da durabilidade está exatamente no amor consciente, racional, com que amamos o outro. Fulano ou Beltrano é falho, mas eu o amo mesmo assim, porque também sou muito falho e o SENHOR me ama e me ajuda nas minhas fraquezas. A igreja, que se relaciona, cresce em meio às dificuldades e à ajuda. Relacionar-se é ainda estar no deserto, mas caminhar no oásis.

A igreja, que hoje cuido e lidero, em Brasília, já foram pessoas extremamente feridas e machucadas. Hoje estão de pé, firmes na fé da salvação, bem estruturadas espiritualmente, porque, um dia, permitiram-se a esse relacionamento específico. Fiz que todos enxergassem que a vida não havia terminado nem que a destruição familiar não era um caso sem solução. Tudo isso porque DEUS não havia escrito ainda a sentença final. Eu sabia que trazia um grande desafio comigo: entrar no coração dessas pessoas e, pelo Amor de DEUS em mim, amá-las, preenchê-las, fazê-las compreender o quanto eram (e são) importantes para DEUS e para o Seu Reino. Esse foi um desafio traçado e um objetivo alcançado. Mas, todas as pessoas precisariam entender que a chave para esse universo de Paz dependia do nosso relacionamento como igreja. Primeiramente comigo; depois com os irmãos. Mesmo as pessoas que hoje são minhas ovelhas a distância (Cristiane, de São Paulo; e Andréia, do Rio Grande do Sul) receberam a cura emocional e a estrutura espiritual. A distância, elas se amam, nós as amamos, se reconhecem como igreja e se ajudam. Parece que estão bem pertinho de nós…

Ninguém vive preocupado com o último passo, o último estágio dessa caminhada: o da restauração familiar. A igreja vive cada dia com paciência, com perseverança, em amor, sendo alimentada pela sã Doutrina, sem contaminação de filosofia alguma. Se a igreja quisesse caminhar apenas para alcançar o último estágio, o da restauração, seria a mais mesquinha de todas. O que arde no coração da nossa igreja é o desejo de conquistar o Reino algum dia. A família, assim como o pão de cada dia, a questão financeira, o vestuário, o trabalho, tudo está no controle absoluto de DEUS; e ELE suprirá tudo no tempo certo.

Os cônjuges repudiados deveriam ser os primeiros a serem amados e acolhidos, relacionados, abraçados dentro dos templos. Olhados não como coitadinhos nem coxos de família, segredados da sociedade, mas como membros igualmente importantes do corpo de CRISTO. Sabendo que o que hoje está com o cônjuge, amanhã poderá não mais estar; e o que está repudiado poderá estar com o casamento restaurado.

Escrevo isso muito tristemente porque os templos são os lugares onde quase não se vê o verdadeiro relacionamento. Não me refiro aos encontros semanais em cultos ou às festividades esporádicas (nem a um curto encontro com o pastor na porta e uma despedida breve com o “Deus te abençoe”), mas a uma convivência diária e contínua, onde se telefona, sai, conversa, abraça. A vida de CRISTO precisa se encontrar com outras vidas, que estão enfrentando um enorme deserto. De nada adianta arrumar-se, ir ao templo e voltar com a mesma sensação de repúdio rondando a alma. O lar é um vazio e a cama, um habitat de lágrimas, de desespero. Tudo continua da mesma maneira; até que o próximo culto aconteça.

A vida em abundância que hoje temos foi porque a vida de CRISTO entrou em nós e conosco se relacionou. DEUS quer que sejamos íntimos DELE; mas essa intimidade só será possível quando percebermos que DEUS está no Céu, mas também na vida do irmão. O isolamento é um dos caminhos para a morte. Por isso, não se isole!

O Espírito Santo é Aquele que preenche todo e qualquer vazio. Não apenas de forma sobrenatural, mas especialmente quando nos relacionamos com quem é parte do Corpo do qual fazemos parte.

Já que a grande maioria vem de uma cultura religiosa de templos, onde ser cristão é fazer parte de uma denominação e o único dever é assistir passivamente a um culto, espero que os termos “entregar-se”, “relacionar-se”, “intimidade” não sejam vistos como tabus, de forma preconceituosa ou de uma maneira distante, mas algo que vai nos ajudar a redescobrir o nosso valor como seres humanos e como igreja; que vai nos curar, estruturar espiritualmente e nos fazer fortes para vencer todas as batalhas. Só unidos no amor de CRISTO conseguiremos. De fato, na minha vida a fila andou, mas para o Céu…

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

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