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A origem de toda confusão

“Temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:19-21) (grifo meu).

A Palavra de DEUS, a essência daquilo que DEUS disse e aconselhou, é imutável, inerrante; está além das questões culturais e de conveniência humana; é santa e perfeita. A Palavra de DEUS é a resposta para todas as dúvidas, perguntas e questionamentos. Todas as pessoas, que se dizem cristãs, em tese, devem acreditar nessa verdade. E de uma forma muito teorizada, infelizmente, creem que essa Palavra é manual de fé e prática na vida de todo aquele que crê em DEUS e em Nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO.

A Palavra de DEUS deve estar infinitamente acima das religiões, das placas, daquilo que os homens concebem e entendem como verdade, independentemente dos tempos e das circunstâncias. Ela tem que se sobrepor aos Estatutos das denominações (cristãs ou não cristãs). Enfim, a Palavra de DEUS é suficiente para vivermos uma vida de santidade e obediência até atingirmos o nosso objetivo, que é sermos moradores do Reino de DEUS.

Também sabemos que todo esforço humano de entendimento e compreensão a essa Palavra é vão, se o Espírito Santo não nos convencer dessa Verdade. Por essa razão, oramos para que isso aconteça. E a igreja (não placas nem templos), como povo escolhido, deve ter uma só Fé, um só parecer, dizer e crer em uma mesma coisa, como um clamor de Paulo para os dias atuais (1 Coríntios 1:10 e 2 Coríntios 13:11).

Mas, por qual razão, há tanta confusão doutrinária nos templos, nas religiões, nas placas denominacionais? Católicos romanos acreditam em várias rezas, santos, possuem imagens de esculturas, creem que Maria pode interceder; em purgatório; batizam crianças; creem que o casamento é indissolúvel e que a salvação é por obras e não somente por fé, dentre outros assuntos. No meio protestante, as diferenças entre as denominações são bem mais acentuadas: uns batizam por aspersão, outros por imersão. Há os que não batizam crianças de jeito nenhum; há, porém, os que não veem problema nisso. Uns creem no batismo do Espírito Santo, no falar em línguas estranhas, enquanto que outros não. Há aqueles que creem que quem está salvo, não pode jamais perder a salvação (os mais achegados à doutrina calvinista), diferentemente dos protestantes arminianos que creem que a salvação também é de responsabilidade humana e que o homem pode perdê-la.

 Os adventistas (me parece) que são os únicos desse segmento que guardam o dia do sábado como ordenança do SENHOR. Os demais creem que, na época de CRISTO, não há mais necessidade da guarda do sábado, e que o Dia do Senhor, depois de Sua ressurreição, passou a ser o domingo. A maior parte acredita que o casamento pode ser desfeito por qualquer motivo; outros, apenas em caso de adultério; e uma parte bem menor, dizem que o casamento é dissolúvel apenas na morte, concordando com o que dizem os católicos romanos. Por que tanta confusão doutrinária? Estariam todos perdidos ou todos salvos; ou até mesmo uma maioria perdida dentro dos templos e uma minoria salva? Ou todas essas questões não têm a ver com a salvação do espírito do indivíduo? Fora os espíritas, umbandistas, muçulmanos, xiitas e tantas outras infinidades de crenças e doutrinas várias espalhadas pelo mundo…

Não vou aqui entrar em outras questões doutrinárias, mas me deter apenas no tema casamento, aquele que nós trabalhamos com mais especificidade. Primeiramente, vamos expor os Ensinamentos de DEUS, de JESUS, referendados pelos apóstolos sobre o casamento.

Olhando para os livros de Mateus, Marcos, Lucas e as cartas de Paulo, encontramos uma doutrina clara, indubitavelmente definida sobre casamento. Não é preciso ter feito Teologia nem ter um nível de instrução razoável para entender o que todos Eles disseram acerca do casamento e do recasamento.

Palavras de JESUS: “O que Deus uniu não separe o homem” (Mateus 19:6); “Eu, porém, vos digo que quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação*, e casar com outra comete adultério; e o que casar com a repudiada, adultera também” (Mateus 5:32 e 19:9) (*colocamos o termo presente na tradução bíblica mais fiel ao Texto original, que é a publicação da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil); “Qualquer que repudiar a sua esposa e se casar com outra comete adultério. E se a mulher repudiar a seu marido e , se casar com outro homem também comete adultério” (Marcos 10:11-12); “Qualquer que repudiar a sua esposa e se casar com outra comete adultério; e o que casar com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18). Agora vamos às Palavras do apóstolo Paulo e, consequentemente, defendida pelos demais apóstolos: “Porque a mulher que está sujeita o marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será chamada adúltera, se for de outro marido” (Romanos 7:2-3); “Todavia, aos casados, mando não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o seu marido. E que o marido não deixe a sua mulher” (1 Coríntios 7:10-11) “Mas, se o(marido ou esposa) descrente se apartar, aparte-se; porque o irmão ou a irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus nos chamou para a paz” (1 Coríntios 7:15)(acréscimo meu, considerando o contexto do versículo); “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas se falecer o seu marido fica livre para se casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39); “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar” (1 Timóteo 3:2).

Pronto. Acima está a essência do que JESUS disse e o pensamento apostólico ratificou sobre a relação de marido e esposa. JESUS diz que a segunda união sexual ilícita, estando os primeiros cônjuges ainda vivos, é chamada de adultério. Paulo confirmou todo esse pensamento do Nosso SENHOR. Não há dúvida alguma na manifestação desse pensamento. Ele é claro e só não quer entender quem é preso ao Estatuto interno da denominação, ou se preocupa com o êxodo de membros ou perda de dízimos dentro dos templos. Pessoas que agem assim têm o seu EU e as suas preocupações, como o seu senhor; e não o SENHOR JESUS.
Para ser do SENHOR JESUS é preciso cumprir o versículo seguinte: “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim; renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mateus 16:24); “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem” (João 10:27).

Paulo confirmou essa verdade sobre a sua vida: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20).
Crucificar o próprio EU, parece-me ser uma missão impossível para aqueles que se dizem de CRISTO e, muito especialmente, para as lideranças dos tempos de hoje, que querem mais fama, mais aplausos para si, mais status, mais dinheiro em suas contas bancárias, do que agradar a DEUS. Essa é uma triste realidade, longe de qualquer falácia. E muitas ovelhas, com medo de estarem desagradando a DEUS, submetem-se a qualquer tipo de liderança, e ficam por caminhar por portas largas e escancaradas, completamente mortas espiritualmente.

Adentraremos agora na questão histórica dessa problemática toda do casamento. Após a Era apostólica e do surgimento da igreja cristã primitiva, veio a Era dos homens, chamados Pais da Igreja, a partir do ano 95 depois de Cristo. Alguns se preocuparam em defender à igreja contra os fortes ataques e perseguições. Outros se defendiam contra as heresias que iam aparecendo, e outros, na aplicação da Teologia em áreas científicas e filosóficas. Assim, considerando o mundo oriental e ocidental, tivemos: Clemente de Roma, Inácio, Policarpo, Barnabé, Didaquê, Tertuliano, Justino, Taciano, Teófilo, Irineu, Cipriano, Ambrósio, Agostinho e outros. Essa é chamada da Era Patrística, ou seja, dos Primeiros Pais da Igreja.

Esses líderes foram unânimes no entendimento de CRISTO e dos apóstolos em relação ao tema casamento: se alguém sofresse o repúdio, um novo casamento não era permitido, independentemente do motivo que o levou a acontecer. Para esses, só a morte seria capaz de desfazer o casamento.
Quase 1.500 anos depois, mais precisamente no início do século XVI, houve a chamada Reforma Protestante. No Renascimento, as críticas à igreja católica romana se acentuaram em diversos meios. As obras de Erasmo de Roterdã, Thomas Morus, John Wyclif e João Huss continham severas críticas a heresias apresentadas por essa religião supostamente criada por JESUS CRISTO. Dessa forma, a transformações que se seguiam na Idade Moderna trouxeram à tona a criação de instituições religiosas com uma diferente base doutrinária cristã. Entre essas novas instituições, podemos destacar o Luteranismo (sob a liderança de Martinho Lutero); o Calvinismo (de João Calvino) e o Anglicanismo (entenda-se, John Wyclif, Tomas Morus e Henrique VIII) como exemplos das novas religiões protestantes surgidas no século XVI. Há uma figura, nesse tempo, que merece igual destaque: Erasmo de Roterdã. Erasmo foi um contemporâneo de Lutero, que sustentava que os ensinamentos do Senhor JESUS davam margem a um novo casamento, se o cônjuge sofresse o repúdio e o divórcio. Lutero, há esse tempo, já tinha dado o seu parecer sobre o divórcio: “Ego quidem detestor divortium” (traduzindo: Eu, de minha parte, abomino o divórcio”). Mas, Erasmo de Roterdã insistiu em defender as suas teses, que eram contrárias àquelas defendidas pelo reformadores mais ortodoxos, e que chegaram a contaminar e a influenciar a maioria dos teólogos protestantes modernos, como por exemplo, John Murray. Por ser considerado herético pelos seus contemporâneos, Erasmo terminou sendo desligado deles. O curioso é que o pensamento erasmiano influencia 80% da doutrina protestante atual.

Havia também uma corrente de pensadores religiosos que defendia que a cláusula de exceção, presente em Mateus 5:32 e 19:9, referia-se apenas a pessoas em situação de noivado. Tais argumentos têm seus méritos. Segundo essa corrente, os casais de noivos da época de JESUS se consideravam a si mesmos como marido e mulher, mesmo sem ainda terem se dado ao casamento propriamente dito (a relação sexual). E eles citam o caso de José e Maria. José entendeu que Maria, sua noiva, tivesse engravidado de outro homem, ou seja, o traído, como vemos em Mateus 1:18 em diante. José quis repudiá-la em secreto. Ele sabia que, por ser apenas noivo dela, podia usar dessa prerrogativa judaica do repúdio. Daí, esse grupo entende que a palavra grega pornéia, presente nessa suposta cláusula de exceção, só pode ser conferida ao significado de fornicação (relação sexual ilícita antes do casamento), visto que, já naquele tempo, existia uma palavra grega específica para adultério, no caso, MOICHÉIA. Em síntese, mesmo para os defensores dessa tese, só a morte podia destruir a aliança do casamento.

E uma última corrente de pensadores afirma que o termo presente na suposta cláusula de exceção, pornéia, tem o seu significado definido para os graus proibidos de consanguinidade (pessoas parentes, com o mesmo grau sanguíneo), como está estabelecido em Levítico 18:6-18. Daí um divórcio seria permitido na extraordinária circunstância de se estar casado com um parente próximo. Nesse caso, o casamento seria anulado, ou seja, deixaria de existir para DEUS; ambos seriam solteiros e estariam livres para contraírem um matrimônio lícito aos olhos de DEUS.
Todas as correntes concordam com o seguinte: que o casamento só pode ser validado entre um homem e uma mulher, ou seja, ele é monogâmico; que DEUS detesta o divórcio (embora o pensamento de Erasmo diga que esse detestar é anulado em caso de adultério; e que a vítima estaria livre para contrair novas núpcias).

Quais os maiores argumentos utilizados por Erasmo para defender a sua tese de que o casamento é dissolvido em caso de adultério e que a vítima estaria livre para se casar de novo?
1)      Para ele, a palavra pornéia poderia ter o seu significado ampliado para adultério (embora, repito, existisse já naquele tempo uma palavra grega específica para adultério);
2)      Que nos tempos da Lei, quem fosse pego cometendo adultério, seria penalizado com a morte por apedrejamento (Levítico 20:10). Assim, para Erasmo, o cônjuge adúltero era COMO se estivesse morto aos olhos de DEUS, liberando, assim, o parceiro inocente a procurar, se quiser, um novo casamento. O escritor Ehrlich chama isso de “ficção legal”, uma vez que o adúltero é tratado COMO SE estivesse morrido, ainda que ele esteja respirando ainda.

São nessas argumentações vazias e completamente furadas, de um homem herético, que a maioria das lideranças protestantes, hoje em dia, sustenta a sua defesa pelo recasamento de pessoas divorciadas. A origem de toda confusão doutrinária está aí, em um pensamento de um homem, cujos contemporâneos o refutaram como herético.
Essas lideranças preferem deixar para trás todo o ensinamento duro e radical do SENHOR JESUS e dos apóstolos (porém bom e perfeito para a nossa salvação) a viverem preocupados em encher templos, em terem dízimos altos todo mês, em obedecerem ao Estatuto da denominação, na qual servem ou foram criados, ainda que ele não esteja completamente de acordo com o que diz a Palavra de DEUS.

A Palavra de DEUS sofre forte resistência no coração daqueles que querem servir a DEUS do jeito que lhe apraz, agradando o próprio umbigo ou a situação irregular de uma multidão. Essas pessoas não estão apenas longe da Verdade de CRISTO; estão radicalmente em uma posição oposta à Palavra.
O divórcio e o recasamento de divorciados são doutrina do mundo, da carne, do diabo. Quem é igreja verdadeira precisa estar atenta a essa questão. JESUS e os apóstolos bateram contra isso com veemência. A igreja verdadeira (as pessoas santas, separadas) também precisa rejeitar. JESUS disse: “Quem não é comigo, é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha” (Mateus 12:30); “Quem vos ouve a vós a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lucas 10:16).

É bem verdade que o divórcio e o recasamento de divorciados tornaram-se algo muito comum e natural no mundo e que muitas pessoas, advindas desse mundo, adentraram nos templos com a vida arruinada pelo segundo casamento originário de um divórcio. Há pessoas, que estão nos templos, que apenas vivem juntas, mas não são casadas de fato para DEUS (e nunca se casaram antes com ninguém). Há outras, como disse antes, que já vieram do mundo nessa triste situação. Mas há outras, que mesmo se dizendo cristãs, divorciaram-se e se casaram novamente com a anuência de suas lideranças. Em todos os casos apresentados, há o pecado da relação sexual ilícita presente. Esse problema se tornou um câncer no meio das denominações, algo que parece não ter cura, não ter solução. E surgem inúmeros questionamentos de algumas lideranças nos aconselhamentos, especialmente na questão da existência dos filhos envolvidos nesse novo “casamento”. Daí vêm os questionamentos altamente carnais e diabólicos, como do tipo: “como vou destruir essa nova família e separar os pais com filhos já envolvidos?” (tema para um próximo estudo).

Uma coisa sempre digo e repito: não podemos deixar de olhar para a Palavra de DEUS, para os ensinamentos mais genuínos de JESUS e dos apóstolos. Não podemos deixar de cumpri-los, ainda que tenhamos que arrancar um membro do nosso corpo ou até mesmo dar a própria vida por essa Palavra. Para JESUS, um segundo envolvimento sexual, estando os primeiros cônjuges vivos, é adultério. Sendo assim, para ter vida com o SENHOR, é preciso haver o arrependimento e o abandono do pecado (não existe arrependimento sem abandono). Se é pecado, ele precisa ser desfeito. E a única maneira de abandoná-lo é parando de praticá-lo. Outro ponto também merece relevância: a igreja precisa ajudar a uma pessoa, que toma essa atitude para agradar ao SENHOR, a superar todas as consequências originárias do seu pecado, tanto no aspecto espiritual como no emocional e familiar. O único meio de se desfazer o adultério é ouvir a voz do SENHOR JESUS, o que ELE disse àquela mulher que foi pega pelos fariseus em flagrante adultério há muitos anos, ecoando em nossos corações até que ELE venha: “Vai-te e não peques mais” (João 8:11) (grifo meu).

Que DEUS nos conserve santos e irrepreensíveis em sua perfeita doutrina!!

FONTE - PASTOR - FERNANDO CÉSAR

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