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Do Egito à Canaã Celestial (Parte 1)

“Quando Faraó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, posto que era mais perto. Pois Deus disse: para que o povo não se arrependa, vendo a guerra, e volte para o Egito. Assim Deus fez o povo rodear pelo caminho do deserto perto do Mar Vermelho. Os filhos de Israel subiram da terra do Egito armados para a batalha” (Êxodo 13:17-18).

A história do povo de Israel, desde a saída do Egito até a entrada em Canaã, traz lições significativas para as pessoas que hoje atravessam um deserto parecido.

Aquele povo, desde a morte de José, vivia escravizado sob o domínio do império do mal. No Egito, eles cresceram e se tornaram fortes, a ponto de despertar inveja do rei, que agiu com astúcia para frear esse crescimento.

A origem dessa prisão remonta a tempos passados. Os irmãos de José tiveram a oportunidade de optar por viverem sob o domínio daquele que o SENHOR havia o escolhido para dominar sobre eles através da revelação de um sonho. Porém, tomados por uma inveja maligna, preferiram arquitetar um plano audacioso que os faria, a todo custo, se livrarem do irmão ungido de DEUS. José é vendido aos ismaelitas por vinte siclos de prata (equivalente aproximadamente a 5,6 gramas), os quais os levaram para o Egito. Lá, José fora vendido a Potifar, oficial de Faraó. Ou seja, desde que fora alvo da inveja dos irmãos, José se tornara objeto de negociações como se fora um objeto qualquer. Nas mãos inimigas, a Bíblia afirma que José se tornara próspero porque o SENHOR era com ele (ref. A Gênesis 39:2). Adiante, se tornou objeto da cobiça da mulher de Potifar, que o seduziu para que se deitasse com ela. Recusou. E a sua resposta foi a seguinte: “Ninguém é maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher. Como, pois, posso cometer este tão grande mal, e pecar contra Deus?” (Gênesis 39:9) (grifo meu). José tinha consciência de que manter relação sexual com uma mulher cujo corpo pertencera a outro homem era profundamente desagradável a DEUS. E ele tinha temor.

Ao lermos a resposta de José, logo nos lembramos também do desafio que Jó lançou para DEUS, ao enfrentar um profundo deserto: “Fiz uma aliança com os meus olhos para não cobiçar donzela alguma. (...) Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se andei rondando a porta do meu próximo, então moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela” (Jó 31:1, 9 e 10).

José venceu as tentações porque o SENHOR era com ele, e este tinha grande temor a DEUS. Por causa de sua fidelidade ao SENHOR, DEUS o colocou como Governador do Egito. Tempos depois, uma grande fome tomara conta do lugar onde seus irmãos viviam. Assim, todos tiveram que pedir socorro ao Governador do Egito, sem saberem que o mesmo era o irmão que, no passado, fora desprezado e vendido por eles.

Já ouvimos falar que o mundo dá muitas voltas. E ao final, a honra é sempre daqueles que renunciam a tudo para agradar a DEUS. O sonho profético se cumpriu. Os irmãos terminam, um a um, prostrados diante da autoridade que era José.

O deserto dos israelitas começa quando todos se encontravam debaixo da escravidão e da tortura dos egípcios. José, a esse tempo, já estava morto. DEUS se compadeceu daquela gente e veio com providência para libertá-la de lá. Escolhas erradas, no passado, não significam necessariamente condenação eterna. Muitas pessoas, ignorantemente, casaram-se com outras que não tinham temor algum a DEUS; e, durante o casamento, sofreram bastante. O mesmo DEUS se apiedou dessas pessoas, arrancou-lhes das mãos do opressor; e os levou ao deserto.

O sentido principal da ida para um deserto significa promessa de salvação, de regeneração e de restauração. Aquela grande multidão precisava aprender a viver debaixo da obediência a DEUS. E isso representava obedecer às instruções de um homem comum, porém escolhido e capacitado por DEUS para ser o grande líder: Moisés. DEUS usou Moisés para ser o libertador daquele povo. Ou seja, DEUS não deixou a multidão de seus filhos sozinha, desamparada e sem recursos.

O posicionamento de DEUS, em toda essa história, não é de omissão. Ao contrário. DEUS conduzira tudo à distância: “O Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para guiá-los pelo caminho; e de noite numa coluna de fogo, para alumiá-los, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem de dia, nem a coluna de fogo de noite” (Êxodo 13:21-22).

O SENHOR, que nunca mudou, é o mesmo ontem, hoje e eternamente; é Aquele que leva ao deserto, mas que cuida, abençoa e dá total assistência, seja de dia, seja de noite. É o SENHOR chamado DEUS PROVEDOR.

DEUS queria que o povo obedecesse a Moisés; confiasse NELE; jamais murmurasse; que acreditasse que ELE daria livramento e suprimento de tudo, até à entrada na terra de Canaã.

Mas, na primeira provação, aquele povo murmurou a Moisés, contra o SENHOR: “Aproximando-se Faraó, os filhos de Israel levantaram os olhos, e viram os egípcios que vinham atrás deles. Temeram muito e clamaram ao SENHOR. Disseram a Moisés: Foi por não haver sepulcros no Egito que nos tiraste de lá para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, tirando-nos do Egito? Não foi isto que te dissemos no Egito: Deixa-nos que nos sirvamos aos egípcios? Pois melhor nos fora servir aos egípcios do que morrermos no deserto” (Êxodo 14:10-12).

Qual a primeira deficiência daquele povo? Olhar para o inimigo, para a perseguição do mal. Isso gerou medo, aflição. Os inimigos espirituais até hoje estão a atormentar aqueles que se encontram no deserto. A função deles não é outra. Eles usam aqueles que estão cativos em suas mãos para amedrontarem os filhos de DEUS que se encontram no deserto. E as suas obras são terríveis de se ver: Maridos fazendo juras de amor eterno à outra mulher; esposas demonstrando a maior felicidade e certeza de que não querem mais (algumas até já relacionadas com outro homem); pessoas que se levantam como instrumento de desestímulo etc. Quem fixa o olhar para aquilo que o inimigo está fazendo sofre bastante. No máximo, aquele povo poderia até perguntar a Moisés: “Moisés, por que aqueles inimigos estão nos perseguindo?”. Certamente, o líder ungido por DEUS iria encorajá-los a confiarem no SENHOR e a prosseguirem na caminhada.

Ao verem as obras do mal, eles desejaram a morte. Preferiram o Egito massacrante ao deserto com o SENHOR. Demonstraram falta de fé e de confiança. Muitos, de fato, ao verem o que o inimigo está realizando, regressam ao Egito e, mortos, sem direção, vão se relacionar com novas pessoas. Há pessoas, no deserto, que perguntam: “E vou ficar sozinha (o) durante todo o tempo? Vou envelhecer sem a companhia de ninguém? Será que o meu casamento vai ser mesmo restaurado?”. São indagações de desorientados, de pessoas perdidas, sem acompanhamento, sem instrução.

É preciso obedecer; ser acompanhado (a) no deserto; estar debaixo da autoridade de um líder ungido; receber todas as instruções; congregar com irmãos e um líder de mesma fé; para ver o milagre de DEUS. A desobediência a esses fatores gera murmuração e morte espiritual.

No próximo estudo, daremos continuidade, apontando outras lições significativas que podemos obter no deserto.

DEUS nos abençoe!!


ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

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