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“MEU MARIDO VOLTOU PARA CASA. O QUE FAÇO AGORA?”

A volta do cônjuge para casa. Esse, talvez, seja o momento mais aguardado por aqueles que estão no deserto espiritual, lutando e esperando pela restauração da família.
                                               
A Bíblia ilustra uma passagem em que um filho rebela-se contra o pai, pede a parte dos seus bens para viver dissolutamente no mundo; e, depois de muito sofrer, retorna ao seio familiar. Essa é uma das histórias mais conhecidas e lidas do Evangelho.

Tanto na narrativa literária quanto na realidade, as consequências são iguais na vida de quem abandona o lar: no início, um mar de rosas, uma aparência de prosperidade e bem-estar. No fim, falência e desgraça moral e espiritual.

A trajetória para quem está no deserto parece penosa, sofrível, demorada e paradoxal. Enquanto os repudiados buscam, a sua maneira, uma melhor qualidade de vida, restaurar a paz espiritual, através de muitas lutas; quem repudiou, ao contrário, demonstra felicidade, sossego, prosperidade. Por isso, é preciso entender os propósitos do deserto, viver todas as etapas possíveis nele, até que se esteja preparado (a), maduro (a), alicerçado (a) para alcançar a bênção tão aguardada.

A melhor maneira para se enfrentar um deserto espiritual com êxito é estar em comunhão como igreja. A presença dos irmãos de mesma fé, a cobertura espiritual e a submissão plena a um pastor ungido e capacitado por DEUS trarão cura emocional, criação de uma base doutrinária bíblica, amadurecimento pessoal e espiritual.

Há dois grandes motivos conjuntos que causam a destruição de uma família: a insubmissão da esposa e o desamor do marido. Todo lar sem essa estrutura vai à ruína. Daí, a separação e o deserto servirem como conserto nessas duas áreas essenciais do casamento. Se quiserem ter um lar abençoado por DEUS, é preciso cumprir bem esses dois deveres. Eles representam o princípio de um casamento abençoado, santo e feliz. Um marido só compreenderá que, se possível for, ele terá que dar a própria vida pela esposa, assim como CRISTO fez com a igreja, se estiver completamente liberto do pecado e firme na presença de DEUS. Uma esposa só experimentará um casamento imune à dor do repúdio, quando ela entender o quão precioso e maravilhoso é a submissão.

Daí a presença da igreja de mesma fé e do pastor ungido ser tão importante e indispensável. Os irmãos ajudarão com o fortalecimento emocional, humano, em oração e jejum. O pastor, além de todas essas coisas citadas, com todas as respostas e direcionamento na caminhada. A mudança é inevitável.

Uma esposa, que antes fora insubmissa e rebelde com o marido, no deserto, junto à presença do pastor, aprenderá a viver esse dever bíblico. O pastor, como autoridade dela, manda no SENHOR; ela o obedece. Costumo dizer que a obediência plena e irrestrita gera uma transferência de responsabilidade espiritual diante de DEUS. Quem obedece uma autoridade terrena, deixa de ser cobrada por aquilo que fez. A cobrança da parte do SENHOR virá da autoridade. Se para o bem ou para o mal, o pastor, que deu as ordens, receberá, em si, todas as consequências. As mulheres bíblicas tinham noção precisa da grandeza do obedecer. Assim colheram os frutos da obediência todas que viveram debaixo da autoridade de um grande homem de DEUS: a cusita, com Moisés; Bate-Sabe, com Davi; Sara, com Abraão; Herodias, com Herodes; e tantas outras. Não estou analisando nem questionando aqui o que foi feito, o que foi obedecido, se tal coisa fora ou não agradável a DEUS; mas o caráter da obediência em si. DEUS se alegra com quem obedece à autoridade que ELE constituiu aqui na terra. Isso representa obediência indireta a ELE. E enquanto ela obedece e é transformada pelo SENHOR, DEUS vai trabalhando de forma milagrosa, sobrenatural, na vida do cônjuge que está entregue ao pecado.

Infelizmente, os gabinetes pastorais, em sua inoperância e ineficiência, se transformaram quase em consultórios psicológicos. As pessoas que conseguem agendar uma conversa com o pastor recebem orientações isoladas, as quais, no máximo, servirão apenas para uma situação específica. Depois, outras dores virão e outras dúvidas renascerão. A falta de preparo de muitos líderes religiosos é entristecedor. A hipocrisia em querer estabelecer uma imagem angelical não tem criado o efeito esperado de mudança na vida dos desesperados. É preciso muito mais que conhecimento dos Evangelhos. É preciso ter passado pelo deserto, conhecer a temperatura da terra quente com pés descalços; ter vivenciado grandes experiências com o SENHOR; e, o mais importante, ter sido chamado e capacitado por ELE para tal missão de cuidar de pessoas com o mesmo problema. Como vou orientar corretamente sobre algo que não vivi nem conheci? Como vou me atrever a cuidar, sem ter sido chamado cuidadosamente pelo SENHOR? Como me atreverei a tais loucuras?

O acompanhamento leva a mudanças radicais e significativas, como também à vitória. E ele não se encerra por aqui. Continua até com o processo da volta do marido para casa. Quando o marido chama a esposa para uma conversa, com o intuito de revelar-lhe o desejo de voltar para casa; a esposa, totalmente transformada, vai colocando para ele em amor, pouco a pouco, que o mesmo não está mais diante daquela mulher que ele, outrora, repudiou. Agora, não é mais ela que definirá se é o momento de o marido voltar ou não; mas o pastor. Em seguida, deverá acontecer uma conversa dos três envolvidos: marido, esposa e pastor. Só o pastor dispõe das ferramentas necessárias para descobrir se o marido realmente fora liberto por DEUS; ou se ele quer voltar por uma simples conveniência humana, de momento. O pastor saberá confrontá-lo até descobrir a verdade, o que está por trás de tudo. Se o marido aceitar tal conversa, há um grande indício de mudança verdadeira da parte dele. Se rejeitar, ficará claro que não houve mudança espiritual alguma.

Se o pastor observar que, de fato, o marido fora liberto e quer, verdadeiramente, compromisso com o Reino, ele (o pastor) liberará o casal para o retorno à convivência e acompanhará a ambos, fazendo um trabalho de evangelização no lar. Esse é o trabalho correto. Dessa forma, o casamento vai crescendo e se desenvolvendo conforme a vontade de DEUS; e totalmente imune à nova separação.

Mas muitas mulheres e maridos, no deserto, não querem se submeter a todo esse trabalho. Preferem mesmo viver dentro dos templos e fazendo o que acham o que é certo. Em muitos casos, o marido ou a esposa opressa desejarão mesmo voltar para o convívio diário. Não porque foram libertos pelo SENHOR; mas por algum motivo circunstancial que o (a) fez querer voltar. Ou seja, não demorará, ele ou ela voltará a sonhar com a outra (ou com o outro); sentirá saudade do pecado, até uma nova saída de casa. As setas do diabo serão grandes na vida dele para uma nova saída; e a esposa não terá como evitar. O desgaste de uma nova separação é prejudicial demais; a dor muito maior que a dor do primeiro repúdio. Conheço uma esposa que vivera essa triste experiência que chegou a se suicidar. A ignorância e o não posicionamento podem levar alguém à morte. A primeira coisa que satanás vai soprar no ouvido de quem deseja apartar-se novamente é: “Eu não te falei que esse casamento não tem mais jeito?? Desista dele definitivamente...”.

Hoje eu não creio em qualquer restauração como sendo do SENHOR, sem que tenham passado e cumprido por todas as etapas necessárias no deserto. Não creio em restauração sem a plena e devida submissão. Afinal, DEUS não quer lares restaurados por si mesmos, mas deseja, sobretudo, pessoas salvas, alinhadas em Sua Palavra, lares alicerçados sobre a Rocha.

Que DEUS nos abençoe!!

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

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