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OS DOIS LADOS DA MOEDA

Ontem tive o privilégio de fazer mais um atendimento pessoal a uma esposa repudiada em Brasília, Distrito Federal. Tive a oportunidade de contar um pouco o meu testemunho de vida, a qual ficou impactada e a fez refletir o porquê do meu chamado ministerial.

Em dado instante, eu lhe disse que o adultério era a prática mais recorrente na vida de quem repudia seu cônjuge, o lar. Para minha surpresa, a jovem esposa respondeu que, no caso dela, não houve adultério da parte do marido. Essa conclusão dela me fez pensar na plena verdade transcrita em um estudo que havia publicado em maio de 2012: “O diabo é um mentiroso previsível”.

Todos os projetos estabelecidos por satanás em minha vida, no passado, pela permissão de DEUS, não são diferentes das metas desenvolvidas por ele na vida dos maridos e esposas desobedientes nos dias de hoje. O diabo é o mesmo. Não existem dois diabos de caráter diferente. O antro de pecados, no qual fui conduzido, com suas nuances, mesmas características, com os degraus que levam às escalas do esgoto infernal, continua muito aberto e suscetível às almas perdidas, enganadas, e aos corações endurecidos.

Sim, estou afirmando categoricamente, com 100% de certeza, que a prisão do adultério é o fim de todos os cônjuges que repudiam a sua família em troca de histórias mais felizes. Se ainda não confessaram explicitamente a presença de uma nova pessoa, não tardará a fazê-lo. Há uma frase minha bastante conhecida: “satanás não tira um cônjuge de casa para colocá-lo de joelhos em oração a DEUS”. Em outras palavras, ele não é profundamente ruim para uns e surpreendentemente bonzinho para outros. A medida satânica é a mesma no assunto destruição familiar e ela é a pior possível para todos: enganar, aprisionar, destruir, levar ao inferno.

Eu sei tudo o que satanás é capaz de fazer na vida de um marido e de uma esposa aprisionados por ele. Sei porque um dia o servi com o meu corpo, com a minha mente, com o meu coração. E com o tempo entendi o quanto ele é um mentiroso previsível: as formas que um cônjuge opresso se utiliza para sair de casa; as razões defendidas; os porões do pecado com as suas peculiaridades infernais. Mas também aprendi o que é um deserto, para que ele serve, como se posicionar corretamente; todos os atalhos; a natureza rochosa e árida do caminho; até o processo de libertação total e a volta para casa do cônjuge. Tornei-me, pelo grande Amor de DEUS por mim, uma profunda fonte de conhecimento adquirido com os pés vulneráveis aos espinhos e a pele à exposição de um sol escaldante. Sei de tudo isso porque fui uma das poucas pessoas que viveram os dois lados de uma moeda: o de adúltero e o de repudiado.

Outro dia uma pessoa me pediu para detalhar os degraus que levam aos porões do pecado. Comecei a narrar cada degrau. Nem havia chegado à metade, quando a pessoa me pediu para parar, pois ela estava com ânsia de vômito. É repugnante demais ouvir de mim mesmo tudo o que vivi. A conclusão é de uma redundância imperceptível: “satanás é mesmo um sujo”. Essa fora a conclusão que também chegara à moça do atendimento em Brasília.

Procurei abrir-lhe os olhos para que ela não vivesse enganada e iludida no deserto, mas, ao mesmo tempo, já sabendo a reação que aquela verdade exposta iria causar nela: “Pastor, sabe de uma coisa? Não quero mais lutar pelo meu marido. Não sei mais se o amo. Ele não merece nada disso”.

Aí vem uma outra questão importante: Quem somos nós diante de DEUS?

Quando nos sentimos traídos, humilhados, entristecidos, geralmente sobe um ar de grandeza, de superioridade e de inocência dentro de nós. O sentimento de vítima pode nos enganar e igualmente nos aprisionar dentro de um erro. Uma vez alguém me perguntou: “Como amar e não desistir de uma pessoa que nos fez (ou faz ainda) tanto mal?”. A resposta que encontrei foi a mais perfeita possível: “Olhe-se interiormente no espelho e perceba quem é você diante de DEUS”. Temos a mania defeituosa de colocarmos uma lente de aumento no pecado dos outros e julgá-los, e desprezá-los; e nos esquecemos de que DEUS tem a Sua própria lente para nos julgar (“Com a mesma medida que medirmos, seremos medidos”). Consideramo-nos muito bons diante de DEUS; e aqui reside o nosso maior problema. E essa é a nossa pior conclusão que chegamos de nós mesmos.

Quem somos nós diante de DEUS? Quem sou eu? Quem é você? Foi essa a pergunta que eu procurei levar ao coração daquela esposa repudiada e perdida em seu deserto espiritual. A Bíblia define perfeitamente quem somos nós: “Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a DEUS. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios, cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue; em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Romanos 3:10-18).

Sim, éramos e muitas vezes somos exatamente assim diante da santidade do SENHOR. Muitas vezes dizemos que somos de DEUS e o rejeitamos com os nossos pensamentos e ações. Nosso louvor e nossa oração são mesquinhos demais. Precisamos nascer de novo todos os dias e clamar pelas misericórdias de DEUS para a nossa salvação.

Quando penso em desistir de alguém, DEUS me leva a me enxergar no espelho de minha espiritualidade. Às vezes tenho vergonha de olhar para mim mesmo. Recuo de minhas pretensões egoístas e vou rasgar o meu coração em oração, clamando misericórdia, e dizendo ao PAI quem exatamente eu sou em estado de humilhação. Assim como fez Davi: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” (Salmo 51:1-4).

Eis a minha conclusão exata e inerrante: “Quem vê alguma qualidade e virtude em mim, essas vêm do SENHOR; é obra DELE em minha vida. Agora, todo o pecado e transgressão que cometo a culpa tão somente é minha, provêm de mim, de minha natureza e coração maus”.

Ao final do encontro, a jovem esposa estava convencida pelo Espírito Santo de que não poderia nem deveria desistir do marido dela. Eu disse para ela: “olha para a minha vida. Eu sou um milagre das mãos de DEUS”. Ela me disse: “é verdade, pastor”.

Ninguém, na igreja da qual sou pastor, está com o coração sedento à espera do marido ou da esposa. Os olhares estão no REINO e o desejo de toda a igreja é que seja feita a vontade do SENHOR. Se for para restauração, amém. Se for para a morte, a viuvez, amém do mesmo jeito. O importante é não pagar com a mesma moeda; fazer o mesmo que o outro nos fez. A igreja se posiciona corretamente, vive debaixo de cobertura espiritual, e espera pacientemente pela resposta de DEUS para a vida dela.

Mas desistir, no coração, de alguém, seria o mesmo que ouvir de DEUS: “Você gostaria igualmente que EU desistisse de você?”. Seria o fim de toda alma, a morte da esperança, saber que o Espírito Santo não se importaria mais com ela. Assim é o casamento: uma aliança entre marido e esposa como é a aliança de CRISTO com a Sua igreja. Não podemos desistir de ninguém, porque o SENHOR nunca desiste de nossas vidas. E se ELE nos ama em nossa natureza miserável e pecaminosa; assim devemos amar o próximo que nos atinge e nos faz muito mal.

Que o SENHOR continue a nos abençoar!!

ESTUDO ELABORADO PELO  PASTOR  FERNANDO CÉSAR 

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