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Uma reflexão para Eliane

“Ah, meu pastor, hoje me encontro muito desanimada. Os problemas aqui na empresa só aumentam; soube que haverá demissões, tudo está muito difícil. Mas é como o senhor mesmo diz: DEUS está no controle da minha vida”. Foram com essas palavras que iniciei hoje meu contato diário com a minha amada irmã em CRISTO e ovelha do SENHOR JESUS, Eliane. O seu nome quer dizer: “O sol que resplandece”.

Todos os seres vivos precisam do sol para sobreviver. Os vegetais, por exemplo, só conseguem realizar a fotossíntese com a presença da luz. Sol é luz, luz é vida. JESUS é o sol e a luz que alumia permanentemente na vida dos seus discípulos. Mas antes de o sol nascer, há uma tenebrosa escuridão que reina durante toda a noite e madrugada. Depois, vem o sol imponente, majestoso, reinando sobre tudo. Há uma Luz, chamada JESUS, que brilha constantemente em nosso ser, mesmo quando enfrentamos grandes tempestades.

Eliane é daquelas fiéis. Está congregando comigo em Brasília desde a minha chegada na Capital Federal. Tem crescido na doutrina e no conhecimento. Entretanto, há um tempo, vem enfrentando dias muito conturbados, aqueles dias em que pensamos que a luz fugiu de nós, que estamos sozinhos e desamparados. Apenas pensamos e de maneira errada: “(...) E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:28). Os séculos ainda não se consumaram por inteiro, e eis que ELE continua conosco.

Essa é a vida do crente em CRISTO JESUS. Do crente-igreja, templo do SENHOR, desapegado a templos erguidos por homens e de denominações, cujas lutas, muitas vezes, parecem ruir sobre a sua cabeça. Mas há uma certeza inabalável: DEUS está com Suas mãos poderosas sobre a vida daquele que é fiel a ELE. Não há o que temer.

Certa vez, eu estava em uma lanchonete com a Eliane colocando os assuntos em dia. De repente, vi, um pouco afastado de mim, o marido dela evangelizando a todos que chegavam aquele lugar. Não era bem ele em pessoa ainda, mas uma imagem que o SENHOR me mostrara para dizer a Eliane que, um dia, o marido dela voltaria e que seria mais crente do que ela. A vida dele é muito preciosa para o SENHOR. A promessa foi feita. DEUS é fiel para cumpri-la. Quem vive debaixo da autoridade e submissão, do PAI recebe grandes promessas. Vejo DEUS, mesmo diante de tantas lutas, trabalhando na vida da irmã.  O trabalhar de DEUS é mistério e tem profundos propósitos, que, muitas vezes, não entendemos.

O DEUS da irmã Eliane é o mesmo que, em tempos passados, provou a fé do seu servo Jó com uma das provas mais duras das histórias bíblicas. O livro de Jó começa dizendo que “este era íntegro, reto e temente a Deus e se desviava do mal” (Jó 1:1). O nome Jó significa “voltado sempre para DEUS”. Que bênção!  Se formos parar para analisar, os nomes Jó e Eliane se entrecruzam nos mistérios celestiais: Jó é se voltar sempre para DEUS; Eliane é o sol que sempre resplandece. Só se volta para DEUS, quem tem a luz do Seu Filho dentro de si. Mesmo tendo esse sol e sempre se voltando para o SENHOR, DEUS permitiu que satanás tocasse nas coisas mais valiosas da vida do seu servo: repentinamente os seus dez filhos morreram, a sua riqueza desapareceu, doenças cercaram o seu corpo e até a esposa incentivou-o a amaldiçoar a DEUS. Jó rapou a cabeça com um caco, glorificou a DEUS na beleza da Sua santidade e na dor que estava atravessada em sua alma. Jó fez o sol da sua fidelidade brilhar mais alto: “Nu saí do ventre de minha mãe e no tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR” (Jó 1:21).

Ainda por cima, três dos seus amigos surgiram para incitá-lo injustamente por causa do estado deprimente pelo qual ele atravessava. Tudo conspirava contrário a Jó. As coisas só pioravam, mas DEUS nunca deixou de estar no controle da vida dele. Nem da vida de Eliane. Nem da minha. Nem da sua, querido leitor e irmão, se tão somente fazermos o mesmo que Jó fez diante da dor. Dizem que o melhor louvor é aquele que provém de um coração amargurado, ferido, machucado, contrito. Sai só o sumo do bagaço, o sumo puro e verdadeiro. Foi esse louvor que saiu da boca de Jó. É esse mesmo que tem de sair dos nossos lábios. Nada de seguir um caminho diferente. É tempo de glorificar a DEUS.

Quanto tempo durou a tempestade na vida de Jó? Quanto tempo durou a dor no seu deserto? Decerto, não sabemos. É claro que durante o deserto dele algumas dúvidas suscitaram em seu coração falho e limitado. Jó chegou a pensar que DEUS havia lhe abandonado e que só as desolações lhe cercavam. Conheça mais um pouco da angústia de Jó em seu deserto e veja, se em muitas situações, ela não se assemelha com a sua angústia: “Até quando afligireis a minha alma, e me quebrareis com palavras? Já dez vezes me vituperastes; não tendes vergonha de injuriar-me. Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro. Se deveras vos quereis engrandecer contra mim, e arguir-me pelo meu opróbrio, sabei agora que Deus é o que me transtornou, e com a sua rede me cercou. (...) Da minha honra me despojou; e tirou-me a coroa da minha cabeça. Quebrou-me de todos os lados, e eu me vou; e arrancou a minha esperança, como a uma árvore. (...) Pós longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos se apartaram de mim. Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. Os meus domésticos e as minhas servas me reputaram como um estranho, e vim a ser um estrangeiro aos seus olhos. Chamei a meu criado, e ele não me respondeu; cheguei a suplicar-lhe com a minha própria boca. O meu hálito se fez estranho à minha mulher; tanto que supliquei o interesse dos filhos do meu corpo. Até os pequeninos me desprezam, e, levantando-me eu, falam contra mim. Todos os homens da minha confidência me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim. Os meus ossos se apegaram à minha pele e à minha carne, e escapei só com a pele dos meus dentes. Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou” (Jó 19:2-6; 9-10; 13-21).

Os propósitos de DEUS na vida de Jó quase o levaram a uma falência geral: física, familiar, moral, financeira e social.

Física: chagas malignas se apoderaram do seu corpo.
Familiar: a esposa o repudiou e passou a tratá-lo com estranheza.
Moral: servos não o respeitavam mais.
Financeira: toda a sua riqueza sucumbiu, desapareceu.
Social: os amigos zombavam dele e o repudiaram.

Quase, porque a espiritual se manteve intacta. Jó apenas desejou que todo o seu sofrimento fosse registrado em um livro com pena de ferro e chumbo. E foi. Mesmo diante de tanta dor, a esperança de sua salvação não desapareceu do coração dele.

Espiritual: “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E, depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus” (Jó 19:25-26).

Jó só não sabia que DEUS ainda iria restituí-lo de tudo em vida:

“E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía. Então vieram a ele todos os seus irmãos e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram acerca de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pendente de ouro. E assim abençoou o SENHOR o último estado de Jó, mais do que o primeiro; pois teve catorze mil ovelhas, se seis mil camelos, e mil juntas de bois e mil jumentas. Também teve sete filhos e três filhas” (Jó 42:10-13).

As lutas de Jó não são diferentes das nossas lutas, nem o desânimo da irmã Eliane indiferente à igreja do SENHOR. O apóstolo Paulo escreveu: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre, por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; e assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal” (2 Coríntios 4:8-11).

O importante, diante de toda a adversidade, é permanecer posicionado na fé, como igreja, sujeito e obediente à autoridade ungida por DEUS; glorificar, compartilhar e nunca se isolar. Quem se isola entra na masmorra de satanás e é atingido especialmente na mente, o que causa o desânimo e o fracasso. Mas quem se sujeita alcança as bênçãos de DEUS.

E assim como o choro pode durar uma noite ou várias delas, a alegria da providência do SENHOR vem logo pela manhã e em todas as manhãs. Porque a alegria do SENHOR e a Sua fidelidade representam o sol resplandecente no nome e na vida da irmã Eliane e o desejo incessante de se voltar sempre para DEUS, como era no nome e na vida do servo Jó.

Que DEUS renove nossas forças neste novo dia!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

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