Páginas

DEUS nos chamou para a Paz

O repúdio pode até não ser evitado; mas dores, desespero, depressão, desesperança, vontade de morrer, frustrações futuras, tudo isso pode nem renascer no coração de um repudiado, se ele estiver bem posicionado na batalha espiritual.

O fato da alma de um cônjuge ruir no mundo, no deleite das concupiscências carnais, não significa que a estrutura espiritual de quem ficou também deva desabar. Mas, infelizmente, não é isso que se vê, especialmente, quando ocorre a destruição familiar. Não bastasse a dor do abandono, as pessoas repudiadas frequentemente se desesperam, sentem vontade de morrer, perdem o chão e a esperança de viver. Refiro-me especificamente às esposas e aos maridos repudiados cristãos, que conhecem a doutrina cristã do casamento que afirma que só a morte pode desfazê-lo.

As pessoas, que quase não sentem a dor da destruição familiar, são exatamente aquelas que não têm uma vida dedicada ao Reino de DEUS; apenas frequentam templos, e que já veem como normal as separações conjugais. Logo, estarão nos braços de outros, entregues igualmente ao adultério, refeitas no aspecto emocional.

É possível ter Paz, mesmo depois de ter sido abandonado (a) pelo cônjuge do primeiro casamento? É possível viver de cabeça erguida e de alma em Paz, logo depois de o vendaval ter destruído uma parte importante da estrutura familiar? É possível evitar dores futuras, novas surpresas desagradáveis? A resposta que darei é que não é só possível, mas necessário.

O que causa a dor e o sofrimento na alma é ver o sonho familiar, do casamento, frustrado. É o vínculo emocional, a raiz invisível sentimental que une maridos e esposas. É o olhar para trás e imaginar que toda uma trajetória de sonhos e de ambições fora perdida, desde o primeiro olhar de quando se conheceram, os dias de namoro, noivado, o esperado dia da troca de alianças no altar e a difícil construção do lar.

É preciso ter maturidade e fé para entender que nada está perdido. A presença do inesperado em nossa vida é para que possamos estudá-lo melhor e entendermos o porquê de ele ter acontecido; o que motivou o fracasso na convivência familiar; e um olhar de esperança de restauração no futuro. A Psicologia até faria o mesmo, sem a perspectiva de um novo começo com a mesma pessoa. A Psicologia secular e até algumas lideranças religiosas desavisadas orientam um cônjuge repudiado a se convencer dos seus fracassos, aceitá-los, dar a volta por cima e recomeçar com uma nova pessoa. São orientações de quem não conhece genuinamente a doutrina do Reino de DEUS.

DEUS não manda ninguém aceitar os erros do passado; mas enxergá-los e corrigi-los. Assim como não orienta a nenhum casado em primeiro casamento, mesmo depois de um repúdio e de muitas traições e de um divórcio, dar as costas àquele ou àquela o repudiou. DEUS nos convida a mudarmos de vida, de atitudes, e, principalmente, a lutarmos. Todo o sentido de DEUS aponta para a restauração, seja da alma, seja de uma família. DEUS é Aquele que restaura o que está perdido.

O processo de restauração em um deserto espiritual passa a ser prazeroso e tranquilo quando se tem maturidade espiritual; quando, repito, se está bem posicionado. O que chamo de bom posicionamento no deserto é a consciência de que não se deve tentar atravessá-lo sozinho (a). Também uma vida dedicada aos templos religiosos não significará que uma pessoa não estará sozinha. Há muitos sozinhos, sem cobertura e acompanhamento adequados dentro dos templos denominacionais, tão sozinhos quanto aqueles que não vão. E a depender da grandeza e do tamanho do prédio, aí é que a solidão espiritual se torna maior e a porta de saída do deserto mais distante.

No geral, pastores de templos possuem uma preocupação bem diferente daquelas, por exemplo, em acompanhar de perto uma pessoa que está com a família destruída e que deseja restaurá-la no SENHOR. Tenho dito com insistência que esse é um trabalho apenas para quem, um dia, atravessou o deserto, e fora chamado, ungido e capacitado por DEUS para essa grande missão. É preciso amar as vidas e as famílias (não de boca); mas com atitudes que levem cura, maturidade espiritual e pessoal, doutrinação neotestamentária, esperança aos corações hoje sofridos.

A Paz, a que DEUS nos chamou quando nos tornamos igreja DELE, deve prevalecer na alma, no espírito, mesmo depois de um repúdio. Vejamos três versículos que citam a importância dessa Paz em nós.

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33);

“Deixo-vos a Paz, a minha Paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27);

“Mas se o descrente se apartar, aparte-se; porque nesse caso o irmão ou a irmã não estará sujeito à servidão; mas Deus nos chamou para a Paz” (1 Coríntios 7:15).

Veja bem: o SENHOR não está dizendo que os Seus filhos não iriam passar por dissabores, mesmo depois que receberam a promessa de herança do Reino. Mas ELE está nos exortando a vivermos inseparavelmente com a Paz que ELE nos deixou como o sustento nas horas mais difíceis. É essa Paz que não vai permitir que a verdadeira esperança desapareça do nosso coração. É a Paz de JESUS que não nos deixará sair do Caminho e, consequentemente, do foco celestial. Observe que no primeiro versículo, JESUS afirma que no mundo sofreremos grandes aflições, dissabores, injustiças. Mas ao final, ELE exorta: mesmo diante de tudo isso, tenham ânimo que, traduzindo, quer dizer vida. No segundo versículo, JESUS faz a diferenciação da Paz, que provém DELE, com a paz do mundo. A verdadeira Paz, aqui transcrita com P maiúsculo, é o ingrediente necessário para os filhos de DEUS superarem os momentos mais difíceis de suas vidas. Ou seja, no meio da dor e do sofrimento, essa Paz sempre existirá; ela estará dentro de nós e nos conduzirá a uma vida de vitórias e plena NELE. A paz do mundo acontece apenas quando tudo está indo muito bem. Se algo aparecer fora do esperado, logo ela vai embora.

O terceiro versículo transcrito traduz uma situação bem específica: a de um momento de repúdio familiar, separação conjugal. O texto escrito pelo apóstolo Paulo traz uma informação importantíssima bem no seu começo: o desejo de repúdio é da natureza de uma pessoa descrente, ímpia, sem temor algum a DEUS. Depois, ele diz que o descrente está livre para seguir o caminho que quiser, do pecado; e que o cônjuge cristão, que fora repudiado por ele, precisa não se opor a esse desejo maligno  para que, no futuro, não venha o cristão a sofrer maus tratos físicos ou morais por ter forçado uma situação de convivência conjugal. E ao final está escrito: “Deus nos chamou para a Paz”.

A Paz de CRISTO não nos habilita a seguirmos um caminho que ELE próprio diz ser do mal e que tanto abomina: um novo relacionamento sexual e a conivência com o divórcio. Há alguns teólogos fracassados e lideranças puramente carnais que insistem em ver nesse chamado uma possibilidade para um novo casamento depois do divórcio. Toda a exegese bíblica, neotestamentária, alerta a igreja de JESUS aqui a terra a permanecer santa, mesmo diante de alguns fracassos. A perseverança pela santidade levará a igreja a seguir o caminho da renúncia do próprio EU, a ser totalmente diferente do mundo. Não existe igreja de JESUS com feições mundanas. Esse é um fato indiscutível. Se ela tiver que se tornar “eunuco” pelo Reino, que se faça. Se ela tiver que arrancar algum membro do corpo, que esteja sendo obstáculo para uma vida em santidade, que também o faça. Quando necessário, a santidade do SENHOR exigirá do seu povo que tome atitudes radicais pela preservação de sua santidade e salvação.

Por fim, é preciso estarmos muito íntimos do SENHOR DEUS, se quisermos receber o selo da vida eterna; e também se quisermos ver os milagres DELE ainda neste mundo. Para isso, temos que nos sujeitar e obedecer à autoridade terrena que ELE ungiu e constituiu para cuidar de nós e nos direcionar a Sua vontade (Hebreus 13:17). DEUS não se agrada de quem insiste em andar sozinho (a), orar sozinho (a), fazer o que acha que está certo. Pessoas assim não crescem, não aprendem, não são transformadas nem mais que vencedoras em CRISTO JESUS; e ainda terminam sendo marionetes do diabo no deserto em que enfrentam...

Que DEUS continue tendo misericórdia de nós!


FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

0 comentários:

Postar um comentário

 

© - 2014. Todos os direitos reservados.Imagens Crédito: Valfré