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O Tribunal de DEUS imaginado pelos homens

E eis que chegou o dia mais esperado pela igreja e menos desejado pelos mundanos e religiosos. DEUS, soberano Juiz, está assentado sobre o Seu Trono e com ELE, o Seu Filho, JESUS CRISTO, Justo Advogado. O julgamento se inicia. Entra o primeiro da fila:
 
- Furestreco da Silva!, brada o SENHOR com voz firme e poderosa.
- Sou eu, DEUS.
- Vejo que na terra você se considerava filho meu, mas entra na minha presença em segundo casamento o que, segundo a minha lei, é adultério (Livro do Evangelista Lucas, capítulo 16, versículo 18; Epístola de Paulo aos Romanos, Capítulo 7, versículos 2 e 3). O que você tem a me dizer?
- DEUS, é o seguinte: eu era católico romano de nascimento. Depois de algum tempo, me disseram que eu teria que aceitar o Teu Filho como SENHOR e SALVADOR. Assim eu fiz. Levantei as minhas mãos em uma igreja protestante lá no Brasil. Depois de um tempo, minha primeira esposa se envolveu com o diácono dessa igreja...
DEUS o interrompe e diz com dureza:
- Igreja, não! Templo denominacional religioso.
- Ok, SENHOR, templo denominacional. Voltando ao assunto, minha esposa começou a me trair com o dito diácono, que todos o reputavam como homem de bem, convertido ao SENHOR. Eu até a perdoei e lutei até onde pude pelo meu casamento. Mudei de igreja.
Mais uma vez, DEUS o interrompe e o corrige:
- Eu já ensinei a você que isso não era igreja, mas templo, ajuntamento de gente religiosa.
- Tá, DEUS. Me desculpe mais uma vez, retruca o homem meio assustado e parecendo estar engasgado. Posso continuar, SENHOR?
- Prossiga, ordena DEUS.
- Aí mudei de templo e fui frequentar outra igreja, um pouco mais longe de minha casa.
Nessa hora, DEUS o interrompe pela última vez e determina:
- Pelo Amor a mim e pelas barbas dos profetas antigos, Eu já disse a você que frequentar templo não era necessariamente ser igreja minha; e que eu, no tempo da Graça, nunca habitei em templos erguidos por homens. Você nunca leu o que está escrito em Atos 7:48 e 17:24?
Seu Furestreco, todo suado, trêmulo da cabeça aos pés, tenta se defender.
- É que meu pastor da terra me ensinou que o nome de templo era igreja, que igreja era frequentar templo, que era tudo a mesma coisa. (Nesse momento, surge um ar de decepção em Seu Furestreco com os seus pastores da terra. Ele se lembra do Pr. Astrogildo de Jesus, do Pr. Chiquinho do Dedo Curto, do Pr. Teobaldo, mas nenhum está ali para defendê-lo). Mas voltando ao assunto. Fui frequentar outro templo. Chegando lá, minha esposa danou-se a se deitar com outros irmãos, até que nos separamos; e ela foi se deitar com o mundo inteiro...
Nessa hora, descem lágrimas de comoção nos olhos de DEUS. O Juiz desaba em choro.
- Ela fez isso com você? Pergunta DEUS mergulhado em prantos.
- Sim, fez, SENHOR. E teve mais.
O homem então se aproveita da comoção de DEUS para tornar a sua história mais dramática ainda, com o intuito de, quem sabe, escapar da condenação eterna.
- Mais??????????, indaga DEUS, mastigando as últimas unhas dos dedos.
- Ela engravidou de 5 homens diferentes no Brasil. Foi até tema de novela da Rede Globo. Eu passei a maior vergonha da minha vida. E como ainda era jovem, e não queria passar o resto da minha vida sozinho, entendeu, SENHOR? Eis que meu pastor me apresentou uma irmãzinha também divorciada do marido dela, uma crente de verdade, para comigo se casar. Com essa mulher, morri feliz.
DEUS dá um intervalo na audiência para enxugar as suas lágrimas e voltar ao autocontrole da situação. Ao retornar, afirma:
- Seu Furestreco da Silva, é por essa razão que vejo que o senhor morreu em adultério e, dessa forma, não poderá herdar eternamente o meu Reino (1 Coríntios 6:10).
- Mas DEUS... (Nesse instante, o seu Furestreco tem uma crise de choro e começa a pedir piedade a DEUS).
O SENHOR, comovido de íntima compaixão, sentencia-o:
- O seu caso me comoveu muito. Realmente foi um caso que mereceu uma análise diferente, cuidadosa, de minha parte. O seu caso, pelos contornos dramáticos que teve, merece ser arquivado, esquecido. Por isso, o senhor está livre da condenação eterna.
Furestreco saiu aliviado daquela audiência.
- Entra o segundo...
 
Muitos líderes religiosos imaginam o Grande Tribunal de DEUS da forma descrita acima. E mais: tratam os problemas das pessoas de forma individual, caso a caso, como se DEUS, no Grande DIA, fosse se preocupar em ouvir os argumentos de cada um, e, a partir da dramaticidade do caso, inocentar ou condenar o indivíduo. É como se o homem conseguisse persuadir e comover DEUS com os seus argumentos humanos. DEUS olha as transgressões da humanidade de forma geral como pecado. Caracterizar uma transgressão humana como pecado, ou seja, desobediência a DEUS, já é suficiente para mostrar ao homem que ele está separado do SENHOR: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso DEUS; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Isaías 59:2). Quem morre preso ao pecado de ter contado pequenas mentiras não terá um fim diferente daquele que morreu como assassino de muitas vidas. Assim, quem morre escravo do pecado por ter furtado balas de valor insignificante no supermercado terá o mesmo fim dos homens e das mulheres que morrerem escravos do adultério. Segundo a Palavra de DEUS só há um pecado que não conduz o homem à perdição eterna: o pecado que foi confessado e abandonado pelo transgressor através da oração: “Toda iniquidade é pecado, e há pecado que não é para a morte” (1 João 5:17); “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13). Para DEUS, o único motivo real de um homem cometer pecados é o fato de ele não conhecer nem buscar o SENHOR. Qualquer outra minúcia de fatos, circunstâncias e motivos, no máximo, irá interessar à curiosidade humana. DEUS punirá, com a Sua Lei Perfeita, todo homem que não se arrepender verdadeiramente dos seus pecados. Diferentemente de como muitos líderes imaginam, DEUS não se sentará com o pecador em uma mesa e ouvirá dele os seus argumentos por ter morrido daquela forma.
 
Por essa razão, como pastor e conselheiro, não me importo de ouvir o histórico do problema de ninguém. Mas, meu maior objetivo é detectar o problema e orientar a pessoa a um posicionamento agradável à luz da Palavra de DEUS. Não sou Psicólogo para ouvir os detalhes do passado e os argumentos de ninguém. As histórias podem até ser diferentes, mas o fim de toda ela recebe o mesmo nome: pecado, transgressão contra o Espírito de DEUS. Os transgressores precisam aprender dois caminhos, depois de terem cometido pecados ou terem sido vitimados por eles: 1) o caminho do arrependimento; 2) o caminho de uma nova vida com CRISTO JESUS.
 
Essa doutrina do “cada caso é um caso” pode até ser verdadeira e válida para a Psicologia ou para muitos líderes religiosos. Para DEUS, jamais. O que ela tem feito é massagear o EGO de muitos pecadores e deixá-los cada vez mais presos e acomodados ao pecado que cometeram antes. O JUSTO JUIZ não faz nem nunca fará acepção de pecados, nem deixará de condenar uma pessoa que morreu em adultério (segundo casamento de pessoa divorciada) porque ela não foi a causadora da destruição do primeiro casamento. Eu, como homem, posso até entender e me sensibilizar com a situação dessa pessoa, mas, como pastor e conselheiro espiritual jamais poderei analisar a situação fora da realidade que a Palavra de DEUS me apresenta. Segundo casamento de pessoa divorciada é adultério para DEUS, independentemente se a parte que recasou teve ou não culpa na separação com o primeiro cônjuge.
 
O tempo de ajustar a vida conforme os Mandamentos de DEUS é aqui e agora. Hoje é o tempo de conhecer a Palavra, arrepender-se dos pecados, abandoná-los e viver uma vida de santidade e obediência a DEUS. Ou se busca viver em santidade, uma vida de renúncia e obediência à Palavra, ou se está totalmente perdido para DEUS. Não existe meio termo nem um remédio específico a depender do caso e do histórico que se conte dele. O Tribunal de DEUS será sem misericórdia para aqueles que não perdoaram e não buscaram a reconciliação neste mundo (Tiago 2:13).
 
Que o SENHOR DEUS tenha misericórdia de nós!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

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