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Uma lição extraída do filme "Bonequinha de Luxo"

Bonequinha de Luxo (1961) é um filme que marcou a minha vida desde o tempo em que eu ainda não conhecia o SENHOR. Passei a admirá-lo de forma intensa, buscando todas as informações necessárias sobre o mesmo, além de decorar muitas das falas das personagens. Por muito tempo, ele foi tão marcante que muitas pessoas que assistiam ou ouviam falar alguma coisa dele, logo se lembravam de mim...
                                                     
Não à toa, Audrey Hepburn, que fez o papel da personagem principal (Srta. Holly Golightly), tornou-se, em minha opinião, a melhor e mais bonita atriz de todos os tempos. O filme se inicia com ela em Nova York, descendo de um táxi e caminhando pela calçada de uma das mais famosas lojas de artigos de luxo do mundo, a Tiffanys. Daí o nome em sua forma original: Breakfast at Tiffanys (café da manhã na Tiffanys) que, pessimamente, fora traduzido para o português como Bonequinha de Luxo.

O filme conta a história de uma mulher que abandona a família, marido e filhos, no interior dos Estados Unidos (Sra. Lula Mae), para se aventurar em uma vida glamourosa em Nova York, passando adotar um novo nome, que incorporava a realidade do seu novo caráter avarento (Holly, derivação de Hollywood, lugar de magia e glamour). O sonho dessa nova mulher é conquistar o céu que, segundo ela, seria representado pelas vitrines da famosa loja. Apesar de ser classificado como uma comédia romântica, o filme traz em seu bojo uma esfera profunda de filosofia ao levantar o questionamento se os seres humanos pertencem ou não uns aos outros. De acordo com a personagem principal, não. Ela vive uma vida de liberalismo absoluto e totalmente desapegada aos valores morais, espirituais e emocionais, onde a sua única referência de relacionamento humano, fora os seus clientes, é um “pobre gato sem nome”, que vive a perambular pelos móveis de um apartamento completamente desorganizado. O que interessa mesmo para ela é a fama, o glamour, os artigos da Tiffanys, não importando o que tenha que fazer para conquistá-los.

Logo nos primeiros capítulos do filme, aparece um morador novo no prédio onde ela reside. O seu nome? Paul Varjak, um homem simples, sem grandes ambições, espiritualista, sentimental, escritor, humildemente dependente da venda de seus escritos; e também da “ajuda” financeira que uma mulher lhe dá em troca de carinhos e de amor. Assim que Holly e Paul se encontram casualmente, há um despertar da paixão da parte dele. O máximo que Holly vai nutrir por ele é um sentimento fraterno, saudoso, respaldado apenas na lembrança física que Paul tem com o seu irmão Fred, que ela não vê há muito tempo. Daí, o motivo de ter passado a chamá-lo assim.

A problemática inicial apresenta o seguinte questionamento para o público: é possível pessoas, radicalmente diferentes, darem certo em um relacionamento amoroso? Para o escritor do filme “Para Sempre Cinderella”, é possível, sim. Tanto que ele admite a possibilidade de um pássaro chegar a se relacionar com um peixe. O grande problema é saber onde os dois construirão a morada (se no céu ou nas profundezas do mar). Mas para Holly e suas complexidades mentais e emocionais, essa tentativa é completamente inútil e descartável. Melhor mesmo é cobiçar homens ricos e famosos em seus países de origem. Paul serve, no máximo, para aventuras esporádicas nos comércios locais como pequenos furtos. Mas ele não enxerga dessa forma e, pouco a pouco, vai entregando a sua paixão a quem, explicitamente, não o merece. O sofrimento e a desilusão, logo, batem à porta do seu coração. Até que aparece um terceiro elemento nessa história mal resolvida: Doc Golightly, o marido da Lula Mae, a quem ela abandonou no passado. Para se reaproximar dela, ele usa Paul como ponte; o que gera mais sofrimento para o escritor. Diante de muitas tentativas frustradas do seu marido, tentando-a convencer a voltar para casa, Holly, após ouvir de Doc que a amava em um terminal rodoviário, responde: “Eu sei, e é esse o problema. É sempre um engano que comete tentar amar seres selvagens como eu. Você sempre estava levando seres selvagens para casa. Uma vez foi um falcão com asa quebrada, outra vez foi um gato selvagem com pata quebrada. Tem uma coisa: você nunca deveria entregar seu coração para alguém selvagem. Quanto mais der, mais fortes eles ficam; até que fiquem tão fortes para correr ou voar para longe, até a uma árvore mais alta e depois o céu”.

É óbvio que o amor exemplificado nessa passagem é puramente carnal, sentimental, humano, Eros, entre um homem e uma mulher. Não o Amor ensinado por JESUS em Mateus 5:44, por exemplo. O tom profundo da filosofia apregoada faz lembrar uma passagem bíblica escrita pelo apóstolo Paulo em 2 Coríntios 6:14-18: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso, saí do meio deles, e apartai-vos, diz o SENHOR; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai; e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o SENHOR Todo-Poderoso”.

Há muitos maridos e esposas cristãos, em primeiro casamento, sofrendo por causa da incredulidade e opressão maligna na vida dos seus cônjuges. Há muitos jovens, que se dizem crentes em JESUS, namorando pessoas ímpias, na esperança de que, um dia, elas serão convertidas pelo SENHOR, sujando-se espiritualmente com elas. Há muitos maridos e esposas cristãos, depois de enfrentarem o deserto da separação conjugal, aceitam de volta os seus cônjuges ímpios, por mera conveniência humana, sem nenhuma transformação pelo Espírito Santo. Há templos do SENHOR vinculando-se emocionalmente com templos do diabo. E aí reside o grande perigo, a grande armadilha criada por satanás para destruir a vida das pessoas. O vínculo emocional errado é destrutivo, mortal.

DEUS pede que nenhum marido ou esposa desista da restauração de sua família; que acredite e espere pela libertação do seu cônjuge; porém, o mesmo DEUS afirma que não pode haver comunhão entre pessoas de fé e de natureza tão diferentes, ainda que haja uma aliança de casamento. Essa aliança não pode ser maior que o Reino nem estar acima da paz de JESUS e da salvação espiritual de uma pessoa. É isso que o Espírito Santo nos ensina: prudência, sabedoria e zelo pelas coisas celestiais. Não estou afirmando que uma esposa cristã, que convive com o seu marido ímpio, deva rejeitá-lo e abandoná-lo por causa do estado espiritual em que ele se encontra. Mas, se estão separados ou se a pessoa ainda é solteira, que deva se relacionar apenas com aquele ou aquela que verdadeiramente é do SENHOR. É nesse aspecto que as palavras de Holly são verdadeiras e profundas. Amar carnalmente um ser selvagem, bruto, um ignorante espiritual é o mesmo que jogar a cabeça violentamente contra a parede, propor para si mesmo um suicídio espiritual. As pessoas carnais não conseguem discernir as coisas espirituais. E, por melhores que se apresentem, nunca conseguirão manter um relacionamento até a morte, pelo nível de opressão que enfrentam. É melhor se manter distante e deixar que vivam em seu mundo com as pessoas que possuem o mesmo comportamento que elas. Agora é possível entender porque não dá mais certo voltar um relacionamento com aquele ex-namorado (ou namorada)? Dá para entender agora porque muitos amigos se afastaram de você, depois que você se tornou uma pessoa firme no Evangelho de CRISTO? Compreende porque o mundo te vê como alguém intragável e insuportável? Que assim seja para sempre!

Quase no final do filme, Paul, dentro de um táxi com Holly e o gato, a caminho do aeroporto, esgotado de tudo, de todas as inúteis tentativas, pede ao motorista que pare o veículo e, em uma explosão de lucidez, desfere as seguintes verdades para Holly: “Eu te amo! Você me pertence. Eu não quero colocar você em uma gaiola, eu quero amar você. Mas sabe o que está errado em você? Você é covarde, não tem coragem. Tem medo de dizer ‘está bem. A vida é uma realidade’. As pessoas se apaixonam, pertencem, sim, umas às outras. Porque está é a única chance de as pessoas serem felizes de verdade. Você diz que é um ser livre, rebelde. Está aterrorizada porque alguém vai te colocar em uma gaiola, que você mesma construiu. Não está em Tulip, Texas ou Somali, ou seja lá onde for. Porque não importa de onde corra, você sempre estará correndo de você mesma”.

O mundo é uma prisão que aprisiona as pessoas por dentro com seus convites e suas ambições fracassadas. O adultério dos homens não só os destrói por fora, mas principalmente os mata por dentro, moralmente e espiritualmente. Foi também por isso que JESUS afirmou que aquele que quiser ganhar a sua vida, perdê-la-á. “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma? (Mateus 16:26).

Que nesse ponto específico Bonequinha de Luxo continue a ensinar e a inspirar milhares, alertando-os de que é preciso plantar bem e corretamente para colher frutos saudáveis e seguros.

No Amor de DEUS,

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

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