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A suja e o mal lavado

Você algum dia certamente já ouviu falar da expressão “o sujo falando do mal lavado”. Pois bem, ela se encaixa perfeitamente nas pessoas que se propõem a ser cristãs, mas que não vivem a Justiça do Reino de DEUS como ela é, e, ainda por cima, sentem-se no direito de atirar pedras naqueles que estão entregues no lamaçal do pecado.

Lembrei-me aqui de uma mulher, que cuidei dela por um tempo, exatamente no período em que o marido a abandonou para morar com outra. Ela se dizia ser santa, convertida, mas a sua vida estava muito longe do SENHOR. A frase que mais se ouvia dos seus lábios era a que o marido era um adúltero, endominado, sujo e outras adjetivações semelhantes. Quando a exortei a tirar o foco do problema e a viver a doutrina do Reino, os resultados foram terríveis. Aquela esposa era uma mulher rixosa em pessoa; insubmissa, rebelde, iracunda, raivosa, embora algumas vezes a víssemos de joelhos em oração a DEUS. Havia muitas outras coisas erradas no comportamento dela: não dizimava, era ladra e amaldiçoada aos olhos de DEUS; deleitava-se em buscar a realização da própria carne que as ambições espirituais.

Uma vez, o apóstolo Paulo advertiu à igreja em Corinto que nem adúlteros, nem roubadores herdariam o Reino do PAI (1 Coríntios 6:9-10). JESUS nos ensinou a olharmos primeiro para a trave que está em nosso olho, ao invés apontarmos os ciscos que estão nos olhos alheios (Mateus 7:3-5). Todos nós somos pecadores aos olhos de DEUS. Só nos diferenciamos dos pecadores ímpios quando recebemos o Espírito de DEUS em nossa vida e perseveramos dia e noite na santidade. Essa é uma grande e profunda diferença. Mas, ainda assim, isso não nos dá o direito de sairmos por aí atirando pedras em um e outro. JESUS nos ensina também a orarmos e a jejuarmos pelos que estão se perdendo no mundo, sem tirarmos o foco DELE. JESUS precisa ser o nosso foco, a nossa meta, o nosso único alvo aqui na terra. Sem CRISTO, nada somos. O povo, que se diz cristão, precisa tirar o olhar da vida desregrada que os outros estão vivendo, e apontar esse olhar para JESUS: “Olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hebreus 12:2). Só conseguiremos ter misericórdia da vida do outro, quando entendermos que somos dependentes das misericórdias de DEUS. Só entenderemos que não devemos atirar pedras nos pecados de ninguém, quando olharmos para o espelho e virmos que somos tão pecadores que os outros. Muitas vezes somos até piores. Porque somos conhecedores da Palavra, autoproclamamos cristãos, filhos de DEUS, e desobedecemos a Sua Palavra. Pior é conhecer e não fazer do que o que não faz por mera ignorância, embora ambos, se morrerem assim, irão para o mesmo lugar: o tormento eterno.

Pecar, todos nós pecamos. O próprio apóstolo Paulo expunha certa vez o seu conflito interior à igreja em Roma:“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já não o faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento, e deseja me prender debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado” (Romanos 7:19-25).

Precisamos desse conflito interior de Paulo para saber quem de fato somos. É esse conflito que nos coloca de joelhos e nos faz clamar por misericórdia a DEUS. O conflito nos faz odiar o pecado e nos aproxima mais e mais de uma vida de santidade.

É muita soberba e ignorância de muitos crentes achar que não vão pecar ou que o pecado deles é menor que o pecado dos outros, aos olhos de DEUS. Como povo de DEUS, temos que pedir perdão ao PAI todo o tempo em que estivermos respirando e clamarmos misericórdia a DEUS pelo nosso viver tortuoso. Pois, não existe diferença para DEUS, por exemplo, do pecador adúltero para o pecador roubador de dízimos e ofertas. Ambos estão encerrados debaixo da lei da morte.

Não somos juízes. Somos servos pecadores dependentes da misericórdia do SENHOR. Se o pecado que o outro cometeu contra nós nos fere e nos incomoda, é porque precisamos ser curados, termos uma vida livre para adorar e servir ao SENHOR. Se é de cura que você precisa, busque essa cura com Quem possa te curar. Mas ficar remoendo o mal dos outros, atirando-lhes pedras, apenas te fará mais preso (a) ao que te angustia e entristece a tua alma.

Que o SENHOR te cure e te dê crescimento espiritual!

Receba essa palavra em Amor.


FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

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