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Quando o divórcio é bênção de DEUS

Muito se fala sobre os malefícios que o divórcio causa no seio familiar: desde o rompimento da relação conjugal, passando pelo sofrimento dos filhos até o adultério consumado na relação sexual com uma nova pessoa. Porém é muito raro encontrar um escritor ou pastor cristão que aborde os benefícios oriundos desse instrumento Civil.

Ponho-me, então, neste texto, a defender o divórcio como bênção de DEUS, com unhas e dentes. Há situações específicas em que o divórcio é, sim, uma grande bênção do SENHOR na vida das pessoas que o procuram.

O termo divórcio, no âmbito do Direito, representa a dissolução do casamento Civil requerida por, pelo menos, um dos cônjuges que, descontente com o vínculo matrimonial, busca separar-se para, assim, sentir-se livre outra vez para contrair novas núpcias. No âmbito geral, divórcio representa qualquer separação, afastamento, ruptura. Esse instrumento Civil é tão antigo quanto à Reforma Protestante, embora alguns historiadores atestem para a existência dele no Direito da Roma Antiga.

A Bíblia Sagrada não trata o divórcio como instrumento Civil, jurídico, como encontramos hoje. A carta de divórcio presente em muitas traduções bíblicas reporta ao Libelo de repúdio (um escrito feito a mão), deliberado ao judeu que quisesse se separar de sua esposa em caso de ela ter cometido fornicação (sexo antes do casamento) ou por qualquer motivo. No ambiente do Novo Testamento, considerando a tradução fiel ao texto original, sequer o termo divórcio aparece.

O que se refere à separação conjugal, o Novo Testamento aponta para o perigo em um cônjuge divorciado querer se casar com uma nova pessoa, tratando essa nova união como adultério:

“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada pelo marido também comete adultério” (Mateus 19:9);

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E se a mulher deixar seu marido e casar com outro adultera também” (Marcos 10:11-12);

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera também” (Lucas 16:18);

“De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido” (Romanos 7:3);

“Todavia aos casados mando, não eu, mas o SENHOR, que a mulher não se aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar; ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” (1 Coríntios 7:10-11);

“Mas se o descrente quiser se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão ou irmã não estará sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz” (1 Coríntios 7:15);

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

Esses são os sete textos áureos sobre separação conjugal. Em todos, JESUS e o apóstolo Paulo se referiram a casais que um dia deixaram a casa do pai e da mãe e se deram em primeiro casamento, tornaram-se uma só carne. Na tradução legítima e original, nenhum cita o divórcio, visto à inexistência deste à época. Nos dias atuais, e apenas nessa situação específica em que se trata do primeiro casamento do homem e da mulher, o divórcio é um caminho maldito, de perdição, das profundezas do inferno, que pode levar um e outro cônjuge à escravidão do adultério.

Excetuando-se tal especificidade, em outros casos, no entanto, o divórcio é bênção de DEUS. É sobre essas outras situações a que me refiro adiante.

1) Para cônjuges separados em segunda aliança em diante. Conheci um homem que, quando jovem, fora cobiçado por uma mulher bem mais velha e que se afeiçoara dele. Na verdade, ambos não conheciam o SENHOR JESUS, apesar de serem muito religiosos. Logo se apaixonaram. A paixão fora mútua. Mas havia um impedimento legal nessa relação: ela era casada em primeiro casamento com outro homem, com o qual até já tinha um filho. Então, apaixonada pelo segundo, tratou imediatamente de se desquitar do primeiro (à época a Lei do Divórcio não havia ainda sido aprovada no Brasil, o que acontecera apenas em 1977). Assim que a Lei fora aprovada, a mulher se utilizara dela para se divorciar do seu legítimo marido e se casar no Civil com o segundo. Com o tempo, engravidou do atual e ilegítimo (para DEUS) marido dela. O tempo passou e ambos se separaram. Aquele homem tivera relação sexual com várias mulheres (chegando a engravidar outra) até conhecer uma mulher solteira, desviada da presença de DEUS. Ele então tratou de se divorciar da mulher com a qual ainda mantinha vínculo Civil. Namoraram, noivaram e finalmente se casaram (no Civil e no religioso). A esposa se voltara para DEUS, e ele, o marido, teve um encontro verdadeiro com o SENHOR. Ambos se tornaram um casal cristão, temente a DEUS; e, desse casamento, nasceu uma linda filha. Nesse caso específico, o divórcio fora uma bênção de DEUS para a vida desse homem. Não porque ele era infeliz com a mulher do passado ou não a amava mais, mas porque o “casamento” deles (o do passado) não atendia ao projeto santo de DEUS para as famílias. Ela, como uma mulher, cujo primeiro marido ainda estava vivo, jamais poderia ter mantido relação sexual com outro homem, muito menos casar-se com ele. A TODAS AS PESSOAS QUE ESTÃO SEPARADAS DE UMA UNIÃO ILÍCITA AOS OLHOS DE DEUS, DIGO: DIVORCIEM-SE JÁ, O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL! O DIVÓRCIO É BÊNÇÃO DE DEUS PARA A VIDA DE VOCÊS. Muita atenção àquilo que os pastores protestantes, em sua maioria, não têm coragem nem sabedoria para ensinar: Se você era solteiro (a) e se “casou” com uma mulher ou homem divorciado do seu primeiro cônjuge, na verdade, você continua solteiro (a) diante do SENHOR. Basta você buscar o divórcio de sua união ilícita, arrepender-se do adultério em que esteve aprisionado (a) e passar a viver dentro dos projetos de DEUS. Mas se você também era divorciado (a) do seu primeiro cônjuge e se casou pela segunda vez com uma pessoa solteira ou divorciada, você, na realidade, sempre foi casado (a) para DEUS. Não com o segundo, mas com o primeiro marido ou esposa, se ele (ou ela) ainda estiver vivo (a).

2) Em caso de o cônjuge descrente querer o divórcio e o casamento se tornar uma ameaça à Paz do cônjuge cristão. Em 1 Coríntios 7:15, vimos uma orientação do apóstolo Paulo para os cônjuges cristãos que têm maridos ou esposas ímpias e que estes desejam a separação ou o divórcio. O apóstolo, pelo Espírito de DEUS, orienta aos cônjuges cristãos, que foram repudiados, que aceitem o divórcio. Nesse caso específico, não como uma abertura, uma permissividade para um novo casamento. Jamais! Mas para a manutenção da Paz interior. A prioridade de todos os filhos de DEUS é viver em Paz. Paz significa a presença do Espírito Santo em nós; e marido ou esposa alguma pode ameaçá-la ou roubá-la. AOS CÔNJUGES CRISTÃOS, INCLUÍDOS NESSA SITUAÇÃO ESPECÍFICA, DIGO: BUSQUEM AJUDA, ACOMPANHAMENTO PASTORAL DIÁRIO (DE UM PASTOR QUE CREIA CORRETAMENTE), FORTALECIMENTO ESPIRITUAL NO SENHOR E NÃO BUSQUEM UM NOVO CASAMENTO, MESMO QUE SEJA COM UMA PESSOA CRISTÃ. NÃO ENTREM NESSE CAMINHO ENGANOSO.

3) Em casamentos que se realizaram restritamente contra a vontade de DEUS, em uma manifestação clara do Espírito Santo. Por mais estranho que possa parecer, há primeiros casamentos que, sequer, DEUS testemunhou, simplesmente por não querer que eles se realizassem. São casos raríssimos, é verdade, em que o Espírito Santo se manifestou claramente antes, pedindo a, pelo menos, uma das partes para não consumá-lo. Em toda a minha vida como pastor, só vi um caso assim no mundo, exatamente em São Paulo. No caminho para o templo, DEUS usou uma terceira pessoa que, cheia do Seu Espírito, pedira a noiva para não cometer tamanha desobediência, pois aquele casamento não era da Sua vontade para a vida dela. A noiva desobedeceu, casou-se e até hoje paga um preço muito alto por isso, mesmo já estando divorciada do seu marido.

É claro que o divórcio, sendo bênção ou maldição, vai, inicialmente, deixar rastros de tristeza no coração de quem o busca. Mas, nos casos acima, em evidência, ele é bênção. É melhor o sofrimento que acarreta santidade, vida plena com DEUS; do que viver enganado (a) a vida inteira e no Grande DIA encontrar-se desconhecido (a) por JESUS (Mateus 7:21-23). Se você contraiu um casamento ilícito no passado, mesmo que por ignorância, DEUS está dando a você hoje a oportunidade de consertar o que está errado, por meio do arrependimento, da santificação e também através do divórcio que rompe alianças do mal.

Em CRISTO,

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

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