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Onde está, na Bíblia Sagrada, a aprovação ao divórcio e ao recasamento de divorciados? (Parte 2)

 “Todavia, aos casados, mando não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do seu marido” (1 Coríntios 7:10).



O apóstolo Paulo foi um dos que mais escreveram sobre casamento e relacionamentos em geral. Não é de nos espantar, pois as igrejas, que ele liderava, estavam como as dos dias de hoje, repletas de pessoas com sérios problemas conjugais. Se muitos grupos cristãos, espalhados em diversas partes, enfrentavam tais problemas, os situados em Corinto, certamente, eram os mais problemáticos de todos.

Paulo já havia ido ali e ensinado pessoalmente o que é ser cristão e todo o conjunto doutrinário do Nosso Senhor JESUS CRISTO para que eles vivessem em novidade de vida. Os cristãos, em Corinto, ouviram do próprio apóstolo “in loco” os conselhos de JESUS para uma vida de santidade. Os firmes fundamentos haviam sido lançados sobre eles. E as relações conjugais não ficaram de fora. Em Carta escrita aos cristãos em Roma, Paulo já havia dito que somente a morte poderia desfazer um casamento: “Por exemplo, a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está ligada a ele pela lei (do casamento), mas morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se unir-se a outro homem. Mas, morto o marido, está livre da lei, e assim não será chamada adúltera, se for de outro marido” (Romanos 7:2-3) (grifo meu).

A igreja instalada em Éfeso também teve o privilégio de ser ensinada pelo apóstolo de CRISTO no tema do casamento: “Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor. Pois o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo Ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos (é um dever cristão). Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos (é dever cristão) amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; porque somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa só carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido” (Efésios 5:22-33) (grifos meus).

Paulo ensina que o marido, que repudia a família, além de pecar gravemente contra DEUS por desobediência, atesta que odeia a si mesmo, a própria carne. É uma pessoa morta espiritualmente. Assim como uma esposa que é insubmissa, que tem voz de autoridade sobre o marido, comete a mesma abominação contra o SENHOR.

Embora tais advertências tenham sido escritas às igrejas, ou seja, composição de pessoas que haviam experimentado o novo nascimento em CRISTO JESUS, os conselhos matrimoniais fundamentados em CRISTO serviriam também aos ímpios, pois eles, embora vivam na ignorância e não queiram obedecer a CRISTO, serão julgados pela mesma Palavra. Não haverá uma segunda via de julgamento para os ímpios e ignorantes! JESUS quando escreveu em Marcos e em Lucas, referiu-se à humanidade em geral: “Qualquer um que repudiar a sua esposa e se casar com outra comete adultério, e o que casar com a repudiada pelo marido, adultera também” (Lucas 16:18).

O ponto básico ensinado por JESUS e confirmado pelos apóstolos é de que o casamento é válido até o último respirar do marido ou da esposa; e que, quem repudiar, se separar, tentar fazer dois o que DEUS havia feito um, e se unir sexualmente a uma nova pessoa, estará cometendo adultério, lançado fora do Corpo de CRISTO e, automaticamente, do reino de DEUS. Voltando à Carta de Paulo aos irmãos em Corinto, ele bem atestou essa verdade: “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas (os que praticam sodomia, sexo anal), nem os ladrões, nem os avarentos (os que são apegados ao dinheiro), nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns de vós têm sido (…)” (1 Coríntios 6:9-11) (grifos meus). Portanto, toda pessoa que se enquadra nessa lista de pecados, organizada por Paulo, não tem o Espírito de DEUS e anda sem a salvação da alma. Faz-se necessário arrependimento e abandono do pecado.

Os crentes em Corinto viviam mesmo incomodados por aquilo que Paulo havia ensinado para eles quando lá esteve. Não era possível que pessoas que um dia haviam conhecido e experimentado a luz do SENHOR, quisessem voltar às práticas da velha vida, no tempo em que eram separados de DEUS. Mas era exatamente essa a realidade que estava acontecendo no meio deles. A prova é que alguns deles voltaram a interrogar o apóstolo, por Carta, novamente sobre essas questões. Daí, Paulo, ao iniciar o capítulo 7, começa respondendo essas questões: “Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher” (vers. 1). Paulo inicia o conjunto de respostas afirmando que o ideal, o bom, o agradável, era que homem nenhum tocasse em mulher, ou seja, que não mantivesse relação sexual ilícita antes do casamento. Claro que o apóstolo não estava levantando a bandeira de que todos deveriam viver na solteirice e não gerassem filhos. Mas a advertência aqui é para que homens e mulheres solteiras preservem o corpo virgem, no temor ao SENHOR e só se entreguem, sejam uma só carne, após o casamento. No versículo seguinte, ele explica o porquê da afirmação anterior: “Mas, por causa da fornicação (do grego pornéia), cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (vers. 2) (grifo meu). Paulo está orientando para o seguinte: “solteiros, fujam da fornicação! Porém, quem não consegue se controlar, procurem ter a sua própria esposa e marido”.  Observe: o seu próprio marido e a sua própria esposa. Paulo toca mais uma vez no ponto crucial: casamento para DEUS apenas se for o primeiro de ambos, ou o segundo em caso de viuvez.

Nos três próximos versículos, o apóstolo de JESUS e grande líder das igrejas cristãs alerta sobre o valor da relação sexual para se obter um casamento forte e abençoado. O sexo lícito é o que sustenta o casamento e traz a bênção de DEUS sobre o casal e a família: “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez para que satanás não vos tente pela vossa incontinência” (versículos 3 a 5). Maridos e esposas, licitamente casados por DEUS, pessoas que, quando solteiras, largaram pai e mãe para se darem em casamento, devem pagar um ao outro que é devido, ou seja, o preenchimento da necessidade sexual que um e outro terão no casamento. Pagar! Não dever sexo ao cônjuge para não oprimi-lo por satanás nessa área. A palavra benevolência quer dizer disposição favorável em relação a alguém, demonstrar tolerância, complacência, cordialidade etc. Se a esposa precisar e quiser sexo, o marido não deve criar resistência, pois quem passou a exercer domínio sobre o corpo dele, após o casamento, é a esposa. Assim a esposa deve agir em relação ao marido. Exceto, claro, em casos de doenças, fadiga, algo que realmente impossibilite à prática sexual prazerosa. Nesses casos, o cônjuge deve contar com a compreensão do outro. O versículo 5, Paulo começa com uma advertência muito séria: NÃO VOS PRIVEIS UM AO OUTRO, ou seja, NÃO DEIXEM DE ESTAR EM CONVIVÊNCIA ÍNTIMA, NÃO VOS ABSTENHAM DO SEXO. Se assim fizerem, que seja por consentimento mútuo, na concordância de ambos, por pouco tempo apenas, para orarem e jejuarem; mas, após isso, voltem outra vez a terem sexo, a serem uma só carne, PARA QUE satanás NÃO VOS TENTE, NÃO OPRIMA O CASAL, NÃO CONTAMINE O CORAÇÃO DE AMBOS, PARA QUE O CASAL NÃO DÊ ESPAÇO ALGUM PARA O PECADO DO ADULTÉRIO.

Essa é a brecha que o diabo tanto almeja e que muitos casais cristãos estão dando a ele. O problema sexual nos casais casados é, hoje, uma triste realidade nas igrejas. Irmãos sofrendo com isso dentro de casa, sem apoio dos líderes, que, muitas vezes, mantêm um distanciamento das ovelhas, não dando a cobertura e orientação necessárias. Os templos se tornaram gigantescos e os líderes perderam o controle sobre todos. Passar uma semana sem sexo não é normal para o casal cristão. Passar 15 dias também, não. Muito menos passar 1, 2, 3 meses, 1 ano. Estou escrevendo para pessoas cristãs, tementes a DEUS. A abstinência sexual as levará ao pecado do adultério, à morte espiritual.

O versículo 6, Paulo afirma que se casar não é um mandamento, mas uma permissão, uma escolha deixada por DEUS. E ele explica no versículo seguinte: “Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo (Paulo era solteiro e tinha uma vida dedicada ao SENHOR); mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra” (versículo 7). Não há de negar que o casamento não é uma obrigação, um mandamento deixado por DEUS para a humanidade. Mesmo na igreja primitiva, muitos líderes eram casados e isso não os impediam de servir ao SENHOR. Veja o que Paulo escreveu a Timóteo: “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento (essa é uma triste realidade de muitos líderes atuais); que governe bem a sua casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); não neófito (que não seja novo convertido), para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha um bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo” (1 Timóteo 3:2-7) (grifos meus). Os versículos 8 e 9, da primeira Carta de Paulo aos Coríntios, estão reservados aos solteiros e às viúvas (pois estão na mesma situação para DEUS): “Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”. Esses versículos reafirmam tudo o que Paulo dissera anteriormente e demonstram a importância de ser fiel a DEUS, não só na alma, como também no corpo, abstendo-se da relação sexual ilícita. Se perceberem que não vão conseguir, antes de cair no laço do diabo, casem-se!

Os versículos seguintes são dirigidos por Paulo aos casados em primeiro casamento, não mais como um conselho apostólico, fundamentado na Palavra de DEUS, mas como uma ordem, um mandamento do próprio DEUS: “Todavia, aos casados, mando, não eu mas o Senhor (é DEUS quem manda, quem ordena) que a mulher não se separe do seu marido. Se, porém, se apartar (se, porém, ocorrer a separação), QUE FIQUE SEM CASAR ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher (versículos 10 e 11) (grifos meus). Já explicamos que esses versículos não se tratam de conselho ou de permissão apostólica, mas de mandamento da parte de DEUS. A vontade de DEUS é que marido e esposa não se separem, não se deem em repúdio, não se apartem. DEUS odeia quem repudia: “Porque o SENHOR, o DEUS de Israel diz que odeia o repúdio e aquele que encobre a violência a sua roupa, diz o Senhor dos Exércitos; portanto guardai-vos em vosso espírito e não sejais desleais” (Malaquias 2:16). Ao mesmo tempo, DEUS sabe que separações serão possíveis entre pessoas falhas, errantes, que, muitas vezes, se desviarão da vontade DELE. Por isso, inicia o versículo 11, anunciando essa possibilidade de haver separação, com uma ressalva: se, porém, se separarem, não se casem de novo! Ou seja, não pratiquem relação sexual com nenhuma outra pessoa. O corpo do marido foi feito apenas para deleite da esposa e vice-versa. DEUS exige a preservação da santidade tanto da alma como também do corpo. Casais passarão por grandes tribulações no casamento e alguns até se separarão. Porém, muito cuidado: essa separação pode ocasionar grandes danos espirituais aos que repudiaram os seus cônjuges. A separação de corpos juntamente com a necessidade sexual do ser humano levará quem repudiou à escravidão do adultério e às tristes consequências: morte espiritual, filhos afetados, destruição dos bens construídos pelo casal, doenças, futuras crises financeiras etc. A Bíblia diz que um abismo atrai outro abismo. E essa verdade se vê claramente na vida de quem repudiou. Novo casamento não traz alegria para ninguém, mas apenas tristeza.

Logo após a ordem de DEUS para não se casarem de novo, surge a partícula OU: “…OU QUE SE RECONCILIE COM O MARIDO”. DEUS não está dando duas opções, duas alternativas para os separados, como muitos imaginam. ELE não está ordenando a pessoa escolher isso ou aquilo, a ficar sozinha ou a buscar a reconciliação. Não é isso. Não se trata aqui de uma partícula alternativa, mas de uma conjunção explicativa. A partícula OU só é usada com valor de alternância quando exprime duas ideias opostas para se escolher uma: OU CHUVA OU SOL; OU ALEGRIA OU TRISTEZA. A ordem de não se casar não é, linguisticamente, oposta a de se reconciliar. Não são duas ideias de natureza contrária. A conjunção OU presente no versículo exprime explicação e tem o mesmo valor do PORQUE. Assim o versículo deve ser entendido da seguinte maneira: “SE, PORÉM, OCORRER A SEPARAÇÃO, QUE FIQUE SEM CASAR, PORQUE DEVE SE RECONCILIAR COM O MARIDO. E QUE O MARIDO NÃO DEIXE A SUA ESPOSA”. DEUS mostra o quanto é a favor da restauração do casamento que ELE testemunhou, do perdão entre os cônjuges, da reconciliação de marido e esposas. Eles não se casaram para viverem distantes um do outro, com amargura no coração, mas para crescerem juntos em santidade ao SENHOR.

Os três próximos versículos são direcionados a outros tipos de casais: aos que vivem em jugo desigual (onde, um é crente e o outro, descrente) e não desejam a separação. O versículo 12, para o irmão crente que tem uma esposa descrente, ímpia. O 13, para a esposa crente que tem o marido descrente. Um e outro não devem abandonar seus cônjuges pelo simples fato de ainda não serem convertidos ao SENHOR: “Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam impuros; mas agora são santos” (vers. 14). Observe o grande cuidado de DEUS e do apóstolo para que os casais casados evitem o repúdio. Analise também como muitas denominações, que se dizem cristãs, estão em um padrão de religiosidade muito distante do padrão de DEUS para a Sua igreja, o Seu povo.

O versículo 15 é o texto áureo mais usado por algumas lideranças divorcistas, contra a família de DEUS: “Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão ou a irmã não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz”. Onde DEUS e o apóstolo estimulam o divórcio e o novo casamento nesse versículo? Só uma mente cauterizada pelo diabo pode enxergar tal coisa, além do que, entraria em contradição com tudo o que até aqui foi ensinado por DEUS e ratificado pelo apóstolo. Qual o sentido real desse texto? Diferentemente dos versículos 13 e 14, onde um deles não é crente e não deseja a separação e Paulo os orienta a permanecerem juntos, o versículo 15 apresenta uma situação onde o descrente (seja o marido ou a esposa) queira de toda a maneira a separação. Paulo orienta que o cônjuge cristão aceite essa separação, pois não aceitando estaria correndo o risco de viver debaixo de servidão e chegar a se afastar dos caminhos do SENHOR. Aceitar uma separação é respeitar a vontade do outro. Aceitar uma separação proposta por um descrente não significa, pela Palavra de DEUS, que o repudiado está liberado para se casar novamente. Se assim fosse, Paulo estaria contradizendo JESUS, aquilo que ELE afirmou em Lucas 16:18: “…e o que casa com a repudiada pelo marido comente adultério também”. Paulo, assim como todos os outros apóstolos, sempre andou alinhado com os pensamentos de CRISTO. Forçar uma situação interpretativa apenas para agradar A ou B é uma atitude maligna que será, mais tarde, julgada e condenada por DEUS. A verdade tem que ser pregada para que o trigo e o joio se manifestem. Quem é de JESUS, ainda que tenha ouvido o que não gostaria de ouvir, será confortado (a) pelo Espírito Santo e será muito abençoado (a) por ter renunciado a própria vontade. Os que não são de DEUS ficarão irados, se apartarão, serão entregues pelo próprio DEUS às concupiscências dos seus corações. Quando Paulo encerra o versículo afirmando que DEUS chamou o cônjuge cristão para a paz (CHAMOU-NOS) significa que, forçando uma convivência contra a vontade de uma pessoa opressa, o cristão estará atraindo para si a ira, a revolta, a vingança, o ódio e até a violência do outro. Mas essa separação não significa que o casamento foi desfeito nem que a pessoa repudiada esteja liberada por DEUS para se casar com outra pessoa. Sempre que houver uma separação, todo casal deve se guiar no que está escrito no versículo 11 do mesmo capítulo 7 da primeira Carta aos Coríntios: “NÃO SE CASEM DE NOVO PORQUE DEVEM BUSCAR A RESTAURAÇÃO DA CONVIVÊNCIA”.

Alguém pode me perguntar: “Mas, Pastor Fernando, como buscar a restauração familiar, quando um dos cônjuges, usado pelo diabo, diz que não querer mais de jeito nenhum? Estarei condenado (a) a viver sozinho (a) pelo resto da vida, já que não posso me casar de novo?”. Essas respostas serão tema de um dos nossos próximos estudos. Aguarde!

No versículo 16, Paulo escreve, falando agora da salvação da alma dos cônjuges: “Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?”. De fato, nem o marido cristão saberá se a esposa ímpia dele será salva nem a esposa cristã saberá se o marido dela ímpio se será salvo por DEUS. Mas em todos os casos, solteiros, viúvas e casados devem permanecer e andar com aquilo que DEUS deu, repartiu e chamou. O solteiro cuidando das coisas do SENHOR, buscando como em agradar a DEUS (ref. ao vers. 32). Aquele que está ligado à mulher pelo casamento, não busque separar-se dela (ref. ao vers. 27). E, por fim, “a mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39). Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas!

Ao fim desse estudo, pergunto: onde DEUS aprova o repúdio, o divórcio e o segundo casamento de divorciados? Isso é doutrina de pessoa que ainda não é convertida ao SENHOR, que anda na contramão daquilo que DEUS ensinou e deixou para os Seus filhos. Como disse no início, Paulo foi um dos que mais escreveram sobre casamento cristão. Se adultério realmente desfizesse casamento, se, de fato, essa fosse uma cláusula de exceção no Evangelho de CRISTO, como o apóstolo iria se esquecer de tão preciosa e indispensável informação para a igreja de CRISTO? Terá dado amnésia no apóstolo? Só na cabeça dos hereges passa uma bobagem dessa…

No próximo estudo, iremos estudar minuciosamente o capítulo 19 de Mateus.


Que DEUS nos abençoe!

PARE PARA PENSAR

O que a Palavra de Deus diz a respeito do nosso cônjuge é mais real do que as circunstâncias. Precisamos buscar na Palavra a visão que Deus tem dele, e não aceitarmos passivamente ou conformados as situações contrárias (Romanos 12:2).

É necessário então declarar a Palavra a favor do nosso cônjuge e crer naquilo que ela diz a respeito dele (Isaias 55:11). Meditar nela dia e de noite (Salmos 1:2) e confiar que Deus cumprirá sua Palavra em nossa vida, na vida de nosso cônjuge e em nosso casameno.

Deixa Deus restaurar seu casamento

É preciso deixar Deus restaurar seu casamento pois quando nos queremos fazer do nosso jeito impedimos o agir de Deus!O casamento estabelece entre esposo e esposa a mais profunda aliança que pode existir entre duas pessoas. Os dois se tornam uma só carne, a união entre eles deveria ser a mais forte, a mais sólida e a mais resistente, capaz de suportar qualquer ataque interno ou externo.

Mas infelizmente muitas vezes não é assim todo casamento tem as suas crises e está sujeito ao fracasso. Um casamento pode entrar em crise, pode chegar à beira do abismo, pode até parecer irremediavelmente fracassado, mas também pode ser restaurado. Para isso, algumas atitudes são imprescindíveis:

É precisso ter o desejo de restauração – “Quando um não quer dois não brigam”. “Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” Am 3.3. O ponto inicial para a restauração do casamento é a vontade de restaurá-lo. Quem deseja realmente restaurar o seu casamento e busca ajuda apropriada, ainda que não consiga alcançar o seu objetivo, não perde o tempo, pois ganha amadurecimento emocional, crescimento no caráter e aperfeiçoamento como ser humano.

A CONFISSÃO E O PERDÃO – Quando o casamento fracassa cada um dos cônjuges tenta jogar a culpa sobre o outro. Mas a verdade é que ambos são responsáveis pelo fracasso. E é necessário que eles reconheçam isso e peçam perdão um ao outro. Para o cristão, perdoar não é uma opção é uma obrigação. “Longe de vós toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda a malícia. Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou” (Ef 4.31,32). O amigo de Jó os acusou, mas Jó os perdoou: “Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra” (Jó 42.10).


A REDESCOBERTA DAS VIRTUDES – “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” Fp 2.3 – Os conflitos entre marido e esposa fazem afundar as virtudes e aparecerem os defeitos. Isso leva cada um a olhar pro outro e só ver os defeitos. Precisamos ter a humildade para reconhecer que o outro tem virtudes, virtudes estas que nos atraíram para o casamento e que precisam ser resgatadas e valorizadas.


A RECONCILIAÇÃO COM DEUS – A restauração do casamento tem de passar pelo caminho da reconciliação com Deus. As brigas, os desentendimentos, as mágoas e os ressentimentos causados pelos conflitos conjugais levam o casal a se afastar de Deus. Felizmente o nosso Deus é um Deus perdoador. Davi afundou espiritualmente em suas crises conjugais e existenciais. Adulterou, mentiu, adulou, tramou o mal, matou... Depois se arrependeu conforme relata em alguns salmos, como por exemplo, o Sl 32.1-5. Tentar restaurar um casamento sem restaurar a comunhão com Deus é candidatar-se ao fracasso.


CONCLUSÃO – O casamento pode entrar em crise, mas não precisa desfazer-se por isso. Casamentos danificados podem ser totalmente restaurados. Duas pessoas que iniciaram a mais importante e agradável aventura humana, que é o casamento, não precisam desistir diante dos empecilhos. Basta querer sinceramente e buscar de modo correto a solução.Deus não quer que acabe aquilo que foi santificado!

Onde está, na Bíblia Sagrada, a aprovação ao divórcio e ao recasamento de divorciados? (Parte 1)

“Qualquer que repudiar a sua esposa e se casar com outra adultera contra aquela; e o que casar com a repudiada pelo marido adultera também” (Palavras de JESUS, transcrita por Lucas, capítulo 16, versículo 18).


O divórcio é e sempre será o tema mais polêmico entre as pessoas que se consideram cristãs. Em parte, porque muitas “saem” do mundo e chegam às denominações, que se dizem cristãs, com a vida totalmente esfacelada pelas mãos de satanás. A área mais atingida, sem dúvida, é a familiar. No mundo, as pessoas se casam por emoção (sem conhecerem DEUS verdadeiramente e muito menos a doutrina correta de casamento cristão), descasam-se (face à tanta facilidade) e se casam novamente quantas vezes acham necessário.

Então chegam aos templos religiosos com essa triste lacuna e não encontram líderes preparados sobre um tema que, para muitos, é tratado com muita superficialidade e heresia.

Quando esse conhecimento chegou até mim, eu tinha todos os motivos para contrair novas núpcias: havia sido repudiado pela minha esposa, era jovem, excelente profissional, escritor com vários livros publicados, professor muito requisitado no mercado de trabalho, de certa maneira reconhecido pela sociedade como um homem inteligente e, em termos de beleza, de não se jogar fora, como se diz por aí. Além disso, recebi apoio do líder da denominação que congregava, da família, dos amigos, enfim, de todos que me cercavam. E, confesso que a princípio dei as primeiras investidas para que esse sonho humano acontecesse. Para qualquer ser humano, frustrado consigo mesmo e com o outro, o caminho mais fácil sempre será, sem dúvida alguma, recomeçar a vida e ser feliz. Não importa se esse recomeço vai ou não agradar a DEUS. Qualquer pessoa, que não conhece e não tenha recebido a doutrina correta de casamento, jamais optaria, voluntariamente, por enfrentar um deserto espiritual, renunciar a tudo, ser motivo de chacota, de zombaria, pagar um alto preço em prol da vida do cônjuge e pela restauração familiar, ainda que fosse completamente apaixonado por ele. Se a razão pela renúncia fosse somente a paixão, questões sentimentais, o deserto não duraria muito tempo. A pessoa, de tanto sofrer, de tanto olhar coisas ruins a volta dela, de tanta humilhação, logo perderia o entusiasmo e desistiria.

Somente quem recebeu do Espírito Santo a Palavra certa, a sã doutrina, o conhecimento perfeito e radical sobre casamento, e busca obedecer a vontade do SENHOR, consegue ir até o final e receber a vitória. Só DEUS faz um repudiado ficar na posição certa e atravessar todo o deserto espiritual. Se não for pelo Espírito Santo, não consegue.

A pressão social pelo divórcio é enorme. Em muitas denominações religiosas, essa é uma porta aberta e acessível quando há duas possibilidades envolvidas na situação: adultério e quando um dos cônjuges é descrente, ímpio e deseja, de qualquer forma, não viver mais casado. Essa é uma concepção extremamente vazia, ignorante, fora da Palavra de DEUS, uma ideia de quem não se aprofundou no assunto do casamento. Vejo alguns líderes (alguns até famosos) usarem meios de comunicação para ensinar, usando superficialmente a Bíblia Sagrada, textos isolados (mesmo assim que não orientam para o divórcio), que nesses dois casos o divórcio é aprovado por DEUS. Para o primeiro caso, usam o que está escrito em Mateus 19:9, enquanto que para o segundo, 1 Coríntios 7:15, tudo fundamentado na tradução bíblica que dá respaldo a opinião deles.

O problema das traduções linguísticas é mais sério do que se imagina. Ele tem sido motivo de grandes debates, discussões em centros universitários de reconhecido valor. Ele é antigo e já suscitou muita indignação por parte de quem estudou ou estuda o assunto. Uma tradução linguística tende a acompanhar a evolução linguística da humanidade, adaptando-se a cada cultura, a cada povo. Nem sempre ela é fiel ao texto original, ou seja, aquilo que foi escrito pelo autor de próprio punho. Truman Capote foi um dos que mais se indignaram com algumas traduções e interpretações que ele viu de alguns dos seus romances mais famosos. Simplesmente, mudavam o sentido de tudo o que ele disse originalmente, com o simples objetivo de facilitar o entendimento de determinado grupo social. A Bíblia Sagrada, ao longo do tempo, não ficou imune a tais investidas.

Por exemplo, se um leitor mais atento ler qualquer tradução bíblica de língua portuguesa realizada antes da década de 70 não encontrará, em nenhuma parte, em nenhum versículo sequer, a palavra divórcio. Esse termo só apareceu na Bíblia Sagrada ao final dos anos 70 e início dos anos 80, coincidência ou não, período em que a Lei do Divórcio foi aprovada no Brasil (26 de dezembro de 1977). Todas as traduções bíblicas, antes desse período, traduziam o termo repúdio (por exemplo: “…mandou dá carta de repúdio…” – ref. Mateus 19:7 – ou “Deus detesta o repúdio” – ref. Malaquias 2:16-) como sendo desquite. O desquite era a permissão civil da época para quem quisesse se separar. Era uma separação judicial, mas que não dava direito a ninguém de contrair civilmente novas núpcias. A Lei do Divórcio, no Brasil, passou mais de 10 anos para ser aprovada pelo Congresso Nacional, devido à forte resistência do Catolicismo Romano e dos protestantes. Depois de muitos anos, a doutrina católica romana foi uma das poucas que se manteve resistente em não aceitar o recasamento de pessoas divorciadas. O Bento XVI em entrevista recente condenou essa prática. A maioria dos protestantes, infelizmente, modernizou-se, corrompeu-se, enquadrando-se à realidade do mundo e do século. E as pessoas que iam chegando do mundo, com a vida totalmente desorganizada, entraram no mesmo ritmo e doutrina desses líderes. A elas foi apresentado um evangelho e um deus totalmente diferentes do Evangelho e do DEUS da Bíblia Sagrada. Não é à toa que muitos artistas, que se dizem convertidos, dão um péssimo testemunho cotidianamente. Como essas pessoas apenas queriam uma resposta que amenizasse alguma dor na alma, sem buscarem verdadeiramente uma intimidade com DEUS, simplesmente mudaram de endereço, de placa denominação, de templo religioso. O deus que foi apresentado a essas pessoas é um ser que se adapta facilmente à realidade delas, um deus que, pela sua graça e misericórdia, tudo concebe, um deus de qualquer jeito, sem ordem e sem leis. A palavra renúncia só vale para algumas coisas do passado, como, por exemplo: deixar de rezar a Maria, não se prostrar mais diante de imagens de escultura, não participar mais de algumas coisas do mundo, como não beber, não fumar, não mentir, não se prostituir. A renúncia só era e só é válida quando não afeta um problema maior da vida dessa pessoa. É como a história do jovem rico da Bíblia. Ele fazia tudo de bom desde a mocidade, cumpria os mandamentos, queria ser salvo apenas pelas boas obras que fazia. Quando JESUS mandou que ele abrisse mão das suas riquezas, ele simplesmente baixou a cabeça e retirou-se do local. Hoje, infelizmente, é a realidade de muitas igrejas, que usam o nome de DEUS. Se o verdadeiro DEUS for pregado, se a verdadeira doutrina for ensinada, se o caminho estreito for apresentado, a pessoa logo se retirará, porque, ela só quer estar onde estiver se sentindo bem.

Muitas pessoas estão com a mente tão cauterizada pela mentira, pelo engano, pela falsa doutrina que, quando chego a um púlpito e afirmo que o divórcio nunca existiu para DEUS nem na Bíblia Sagrada, as pessoas se surpreendem. Ora, o grande douto Águia de Haia, Rui Barbosa, um dos maiores catedráticos de todos os tempos, chega a afirmar que o divórcio surgiu na Reforma Protestante. E foi mesmo. Os reformadores foram os principais responsáveis por esse mal no meio da igreja. A Reforma Protestante, no aspecto histórico, foi importante e necessária. Disso, ninguém tem dúvidas. Porém, o radicalismo extremo com que trataram todos os pontos doutrinários religiosos (rejeitando cegamente tudo do Catolicismo Romano) conduziu uma nova geração a um profundo abismo, no que se refere especialmente ao tema casamento. Já foi declarada pelo próprio Lutero, em um dos seus livros, a defesa aberta pela poligamia. Então a Reforma não foi de todo agradável e satisfatória. O grande erro da doutrina católica romana no tema casamento, a meu ver, é considerar o matrimônio válido para DEUS, apenas se foi celebrado por algum padre ou sacerdote. Mas isso vem da falsa ilusão de que essa doutrina religiosa foi a única fundada por JESUS CRISTO e que Pedro foi o primeiro Papa. Até hoje as lideranças católicas romanas passam mal quando veem sua antiga soberania religiosa no Ocidente se ruindo…

O divórcio nada mais é que um instrumento civil, criado por um homem, um senador da República da época, chamado Nelson Carneiro, que visa, dentre outras coisas, a desfazer um contrato celebrado entre um marido e uma esposa diante de um Juiz de Paz. Esse contrato, quando da sua assinatura, estabelece regras bem definidas dentro do Direito de Família, que um e outro devem cumprir. Mas é impossível a assinatura de um divórcio desfazer o casamento. O casamento é uma aliança espiritual, criada e testemunhada por DEUS. Quando duas pessoas solteiras se dão em casamento, DEUS testemunha e confirma aquela união, ainda que as pessoas não andem conforme a Sua vontade. O ápice e a confirmação do casamento se dão através da conjunção carnal, sexual, do marido com a esposa. Um passa a ter direito absoluto sobre o corpo do outro. Esse é o verdadeiro casamento instituído pelo SENHOR, criado no Éden, infinitamente antes da data de 24 de janeiro de 1890, quando o Marechal Deodoro da Fonseca promulgou o Decreto nº 181, que instituiu o casamento civil no Brasil.

Portanto, quem se assombra com o fantasma do divórcio é porque ainda não tem o conhecimento sobre o único e verdadeiro conceito de casamento criado por DEUS. Quem o defende ou o sugere é porque ainda não foi convertido ao SENHOR. Porque a palavra conversão compreende possuir a mente de CRISTO e viver conforme os ensinamentos DELE. A partir de hoje, tudo o que você lê na Bíblia Sagrada, onde apareça o termo divórcio, risque-o e sobre ele escreva a palavra repúdio. “DEUS detesta o repúdio”, como está escrito em Malaquias 2:16. Repudiar é simplesmente se afastar, abandonar, não querer mais. Não tem nada a ver com o divórcio nem com o novo casamento. O perigo que isso causa na vida de quem repudia está exatamente na facilidade de quem repudiou se tornar adúltero com uma nova pessoa e também de expor a pessoa repudiada ao adultério, como bem ensinou JESUS em Lucas 16:18.

O problema maior não é o repúdio em si. Se por um motivo emocional, psicológico, espiritual, a pessoa precisasse repudiar, se afastar temporariamente do seu cônjuge, até quando tudo voltasse ao normal e, depois, se reconciliasse, isso não causaria maiores danos. O ideal é que ambos resolvam os problemas do casamento juntos, buscando apoio, orientação, saída. Afastar-se do cônjuge significa se abster da vida sexual lícita, ou seja, abrir uma fresta para a entrada de satanás na vida de ambos e no seio da família, como bem escreveu Paulo em 1 Coríntios 7:5.

Nos próximos estudos, vamos fazer um passeio na Palavra de DEUS para provar que o divórcio nem o recasamento de divorciados nunca existiram, que isso foi invenção de homens, pura interpretação humana e carnal. A igreja cristã, pura, verdadeira e incontaminável, vive radicalmente longe dos padrões mundanos, recebe esta Palavra no coração e guarda-a até a volta do Nosso SENHOR e SALVADOR JESUS CRISTO.

Até a próxima e que DEUS nos abençoe!

Os propósitos permissivos do SENHOR

Um pai tinha dois filhos. Um bem dedicado, focado na sua espiritualidade, exemplar, orgulho da família. Outro, mais novo, irrequieto, puramente carnal, desejoso por viver as descobertas mundanas. Dois filhos de um mesmo pai, mas tão diferentes...

Essa é uma história da Bíblia que, por mais que a conheçamos, sempre vai nos instigar a descobrir novas lições e conhecimentos.

O homem, séculos mais tarde, não por inspiração do SENHOR, decide intitulá-la de “A Parábola do Filho Pródigo”. Parábola é uma pequena história literária, na qual se encerra uma grande verdade, um profundo ensinamento. Mas por que o título recaiu sobre a trajetória do filho mau? Por que são as atitudes erradas desse jovem que ganharam o contorno principal da escrita? Por que o mal e não o bem?

DEUS tem esses dois tipos de filhos em preparação para o Seu Reino: o que se julga bom demais, santo demais, infalível; e o que é visto como errado, rebelde, desobediente às normas do PAI; o que, aos olhos humanos, morrerá e irá direto para o inferno.

Quase sempre nutrimos essa mesma impressão do filho mais velho. Queremos ser iguais a ele. Raramente uma pessoa se olharia no espelho e veria a face podre do filho mais novo com um desejo enorme de se rebelar e ir para o mundo. Não digo que seja bom, mas vejo como um caminho necessário para o crescimento e para o aperfeiçoamento de alguns filhos de DEUS.

O problema é que insistimos em não conhecer e ter um DEUS-PAI, que, em muitos casos, permitirá que os seus filhos de debatam no mar da podridão do pecado e da rebeldia; sem ao menos perdê-los de vista na condição de PAI. Queremos viver DEUS apenas na plenitude de uma bondade que não deixa, de forma alguma, algum dos seus filhos seguir pelo caminho de morte (sem que morra). E assim olho para a história de Adão, de Noé, de Jacó, de Moisés, de Davi, de Pedro, de Paulo, e vejo o muito da minha história hoje no pouco esfacelado da história de cada um deles.

Filhos são filhos, selados eternamente pela promessa redentora de Nosso Senhor JESUS CRISTO, independentemente de como se encontrem hoje. Eles podem até desistir da condição de filhos pelas suas atitudes, mas DEUS nunca desistirá da condição de PAI na vida deles. Não estou afirmando que eles vão para o Céu de qualquer jeito nem que não sofrerão as consequências amargas das escolhas erradas. Mas o SENHOR não os abandonará. O que afirmo é que filhos verdadeiros, gerados no coração de DEUS, embora se afastem por um tempo, voltarão para o lugar de origem, ainda que com marcas e cicatrizes profundas no corpo e na alma. Filhos nunca deixarão de ser assistidos pelo SENHOR. Há também outros, que fogem do mundo, conhecem a DEUS, vivem experiências espirituais, depois se afastam e não voltam mais. Esses não são filhos gerados no coração do PAI. A Bíblia relata passagens referentes a esse tipo de pessoas, que apostataram e não voltarão mais:

“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim,, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério” (Hebreus 6:4-6);

“Porque se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hebreus 10:26-27);

“Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: o cão voltou ao seu próprio vômito e a porca lavada ao espojadouro de lama” (2 Pedro 2:20-22).

Só se perderá quem, de fato, for filho da perdição, como foi Judas Iscariotes, como cumprimento das Escrituras:

“Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura (João 17:12)”.

A trajetória daquele filho mais novo da Parábola, além de não se encaixar em nenhum dos exemplos citados acima pelo seu fim, demonstra o quanto fora necessário ele viver tudo o que viveu; quanto o Amor do Pai fora imenso pela vida dele. O mal, na vida de muitos filhos de DEUS, não representa morte, mas aperfeiçoamento espiritual, para que volte amadurecido, firmado e fundado na Rocha.

É preciso entender a alma de um filho que, como o filho mais novo da Parábola, nutre um grande desejo pelas coisas do mundo. Só compreende quem, um dia, apartou-se da casa do Pai, lambuzou-se com os manjares do inferno, viveu as etapas de felicidade e de desgraça; e depois voltou profundamente arrependido. Quem não passou por essa experiência, jamais conseguirá ver esperança de cura, de libertação, de redenção na vida de quem vive comendo as migalhas do pecado. Ao contrário, fechar-se-á em um mundo repleto de vaidades, de conceitos favoráveis a si mesmo, de autoexaltação, como o irmão daquele jovem pródigo. Ele não abandonou a casa de seu pai, entretanto, ao final de tudo, revelou-se com um coração extremamente amargo e invejoso. Talvez fosse a hora de ele, também, ir se esbaldar com a podridão mundana.

A fé de muitos é muito imediatista e visual, regida pelas circunstâncias. Mas não é essa fé que nos ensinam e nos desafiam as Sagradas Escrituras. A fé verdadeira consiste em jogar uma carga imensa de esperança sobre a vida de quem está completamente perdido hoje: “Ele vai sair dessa!”. Os erros que o outro comete longe de DEUS não são diferentes dos que cometemos na presença DELE. Imagine um marido sucumbir ao inferno porque morreu enlaçado no adultério continuado e uma esposa ter um mesmo fim, por ter morrido insubmissa e rixosa, mas na “presença” de DEUS...

Quando vejo a trajetória de um marido ou de uma esposa caídos, logo me lembro da minha história e da história de um dos filhos mais famosos do Novo Testamento. Como cristão, preciso crer, com 100% de certeza, que a situação que está diante de mim, é um caso parecido com o meu e de milhares, que DEUS fará o mesmo, que terá o mesmo fim glorioso. Só não posso é desistir por achar que se trata de uma pessoa com o fim parecido com o de Saul, de Judas Iscariotes ou o fim de Ananias e Safira (referência a Atos 5). Eu preciso aplicar no outro a mesma fé que DEUS sempre aplicou em minha vida. Esse é um princípio cristão básico, elementar e muitíssimo importante, presente no chamado de JESUS para o Seu povo: “Ide e fazei discípulos”. Sem fé, eu até poderei ir, mas não farei discípulo algum para o Reino.

Como disse anteriormente, filhos sempre serão filhos, e serão livres da morte pelas mãos e promessas poderosas do SENHOR:

“Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador. Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor; eu sou Deus. Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá? (Isaías 43:10-13) (grifo meu)”.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10:27-28) (grifo meu).

Por fim, ouvir de DEUS hoje que, quando eu me encontrava mergulhado no lamaçal do pecado, as Suas maravilhosas mãos estavam sobre a minha vida, faz-me crer no meu chamado e no selo redentor e definitivo de minha alma. E ainda hoje, como pastor, sou desafiado a cruzar caminhos de morte, para provar a minha fé, o meu temor no SENHOR, e restaurar em mim, cada vez mais, a certeza de que DEUS sempre estará comigo. ELE, como meu PAI, só permitirá que eu, Seu filho, conheça o profundo da escuridão, com o propósito que eu possa sair de lá mais fortalecido no Seu Amor, à medida da estatura de um varão perfeito.

Não atire pedras em ninguém para não recair em um erro maior que o seu próximo. Ore e creia somente! Confie que DEUS permanece no controle de todas as coisas e que só ELE dará a Palavra final...

O novo, o horror, mas o certo

Tudo o que é novo causa um impacto muito forte dentro do nosso ser. Ou repugnamos ou aceitamos. A tendência maior recai sobre a primeira alternativa.

Somos seres aprisionados em costumes e uma cultura. Tudo o que estiver fora desse grande ciclo será reputado como desordem, rebeldia, contravenção. JESUS representou, no tempo em que esteve neste mundo, esse sentido de novidade revolucionária e profunda. Os seus ensinamentos impactaram até mesmo os menos ortodoxos.

O certo é que os nossos costumes e a nossa cultura determinam que devemos buscar o SENHOR em templos, que eles representam a casa de DEUS, que, através deles, iremos alcançar o objetivo máximo de um dia morarmos no Céu.

Bem no final do extenso discurso que Estevão fez antes da sua morte, há um recado direto, efusivo, claro, àqueles que iriam apedrejá-lo: “Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto, o qual, nossos pais, recebendo-o também, o levaram com Josué quando entraram na posse das nações que Deus lançou para fora da presença de nossos pais, até os dias de Davi, que achou graça diante de Deus, e pediu que pudesse achar tabernáculo para o Deus de Jacó. E Salomão lhe edificou casa; mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas? Homens de dura cerviz, e incircunciso de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais” (Atos 7:44-51) (grifo meu).

Paulo, que antes era Saulo e que fora conivente e incentivador da morte de Estevão, depois de convertido, passou a viajar para proclamar o Evangelho em diversos lugares. Em Atenas, encontrou um templo onde havia escrito AO DEUS DESCONHECIDO, ao que, o apóstolo, proferiu um discurso inflamado: “(...) Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; e de um só sangue fez toda a geração de homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; porque nele vivemos, e nos movemos e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também a sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a Divindade seja semelhante ao ouro, ou a prata, ou à pedra esculpida, por artifício e imaginação dos homens. Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo lugar, que se arrependam” (Atos 17:22-30) (grifos meus).

São discursos estritamente iguais. O que Estevão combateu, sob o olhar incrédulo de Saulo, fora o mesmo que Paulo condenou em Atenas. A igreja primitiva reunia-se nas casas, para onde iam os líderes do passado (e não havia mulheres na liderança). Não havia desejo nem necessidade, da parte dos primeiros cristãos, em construírem templos:

“Saúdem também a igreja que se reúne na casa deles. Saúdem meu amado irmão Epêneto, que foi o primeiro convertido a Cristo na província da Ásia” (Romanos 16:5);

“As igrejas da província da Ásia enviam saudações. Áquila e Priscila os saúdam afetuosamente no Senhor, e também a igreja que se reúne na casa deles” (1 Coríntios 16:19);

“Saúdem os irmãos de Laodiceia, bem como Ninfa e a igreja que se reúne em sua casa” (Colossenses 4:15);

“À irmã Áfia, a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que se reúne com você em sua casa” (Filemom 1:2).

A cultura de ser cristão em templo começou entre o IV e o V Século d.C., por meio de um decreto do Imperador Constantino, ignorando todo o zelo da igreja primitiva e a vontade do SENHOR sobre esse assunto. Chamar um templo erguido por homens de “casa de DEUS”, além de ser uma profunda heresia, constitui-se uma afronta ao Espírito Santo de DEUS, que deseja habitar nas pessoas, se elas forem santas e obedientes:

“Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:20);

“O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque nem o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós” (João 14:17);

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1 Coríntios 3:16-17);

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19);

“Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular” (1 Coríntios 12:27);

“E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como disse Deus: Neles habitarei e entre eles andarei, e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2 Coríntios 6:16);

“Assim já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina, no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” (Efésios 2:19-22);

“Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Colossenses 1:24);

“E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa. Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pedro 2:4-5).

No Antigo Testamento, a ideia de construir um templo nasceu do coração de Davi, logo refutada pelo SENHOR, que iria fazer nascer um povo da descendência espiritual do rei para habitar nele. Davi sonhou a construção do templo como um lugar para guardar a Arca da Aliança que, com a destruição do Tabernáculo, não tinha lugar certo. Tal sonho fora realizado pelo seu filho Salomão. O DEUS que permitiu a construção daquele templo fora o mesmo que permitiu a sua destruição por parte dos babilônicos. O templo fora destruído e só fora reconstruído um outro no tempo de Herodes. Certa vez ao saírem desse templo, os seus discípulos ficaram maravilhados com a grandeza dele; ao que JESUS lhes respondeu: “Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada” (Mateus 24:2).

A doutrina é muito clara: DEUS não habita em templos erguidos por homens, mas nos Céus e no corpo de pessoas que O servem e O adoram em espírito e em verdade. A igreja verdadeira deve congregar apenas nas casas; e isso tem uma finalidade precípua: a da unidade doutrinária e da submissão e obediência das ovelhas às autoridades terrenas.

Já observou que os templos denominacionais não produzem a unidade doutrinária esperada por DEUS para o Seu povo? São inúmeros pontos essenciais divergentes entre os frequentadores de denominações diferentes, embora todos se achem herdeiros da glória de DEUS. Há uma grande heterogeneidade doutrinária por parte das lideranças. Algumas chegam até à beira do absurdo.

Outro fator: em templos ninguém se sujeita nem obedece à autoridade, nem ela faz questão de que isso aconteça. Em Hebreus 13 está escrito: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles;  porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas (...)” (versículo 17). Não existe obediência nem sujeição. Há líderes, dependendo do tamanho do templo, que nem sabem o nome de suas ovelhas. Mesmo longe de Filipo, certa vez Paulo escreveu àquela igreja: “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12). Sujeição e obediência à autoridade constituída por DEUS são exigências elementares para quem deseja ser igreja do SENHOR. Famílias são constantemente alvos de destruição por parte do diabo porque as esposas e maridos fazem o que acham que é certo, de qualquer jeito, sem possuírem uma referência terrena que os conduza a um viver de temor. A única referência que eles têm está muito longe, enclausurados em templos, preocupados com as despesas mensais; e muitas nem sabem o que se passa dentro de um lar.

Por causa dos templos, a hierarquia do Reino de DEUS e a doutrina de JESUS e dos apóstolos, aqui na terra, são comumente desrespeitadas. Atitudes como amar o próximo, perdoar e lutar pela restauração familiar fazem parte apenas de um plano teórico superficial, que não produz transformação na vida de ninguém. Hoje temos inúmeras denominações e líderes dizendo-se defensores da família, porém, com infinitos casais em adultério no meio deles. Qualquer união ilícita para eles passa a ser visto como família.

Portanto, dizer a uma pessoa que ela não deve frequentar templos erguidos por homens, mas se reunir nas casas com os irmãos e o pastor, embora tenha respaldo bíblico, neotestamentário, indiscutível, soa como estranheza e absurdo aos ouvidos daqueles que foram induzidos e ensinados que deveriam pertencer a alguma denominação, se quisessem herdar o Reino de DEUS. Essa é uma questão puramente cultural, humana, contrária à vontade de DEUS.

As famílias continuam a ser destruídas dentro dos templos diante dos olhares passivos dos seus frequentadores. Maridos ou esposas envolvendo-se em adultério; esposas totalmente insubmissas, rixosas; cônjuges abandonando o primeiro casamento para se unirem a novas criaturas; uma enorme batalha espiritual se descortinando e as pessoas sem saberem o que fazer, imunes, sem estratégias corretas para destruir as ações de satanás na vida delas e no seio familiar.

Que lideranças são estas, “ungidas e chamadas por DEUS”, que não sabem o menor do posicionamento ante a uma batalha espiritual familiar? DEUS, acaso, chamaria e não as capacitaria?

Ore e peça discernimento a DEUS, porque o que parece estranho e brutal, seja o meio que DEUS quer que você siga para obter a sua vitória...

DEUS nos abençoe!!

O juízo errado e o que se faz um só corpo com a meretriz

Todo o capítulo 6 da primeira Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios é rico em ensinamentos práticos para a igreja.

Do versículo primeiro ao oitavo, temos a larga convicção de que um cristão não deve, em hipótese alguma, levar o seu irmão à esfera judicial dos homens. Apesar de essas autoridades trabalharem na Justiça, Paulo as trata como injustas, indignas de julgar alguém: “Ousa algum de vós, tendo algum negócio contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos?” (vers. 1).

É a lei do espelho interior que impossibilita alguém do mundo de fazer algo contra um cristão. É como se ele, no versículo nono, explicasse a razão de não buscar o julgamento humano por parte dos homens que não foram transformados pelo Espírito Santo, cujas vidas se encaminham para a morte: “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?”. Está aí a explicação. Como pode um homem, que não conhece a Justiça de DEUS e que, por ser injusto, em sua condição ímpia, não herdará o reino de Deus, julgar, por suas convicções humanas, falhas, erradas, um cristão, um ser justificado pelo Sangue de CRISTO? Em outras palavras, DEUS desautoriza um cristão ir a juízo secular contra o seu irmão. Quem assim faz, age contra a vontade de DEUS. É um julgamento em desacordo com aquilo que o próprio juiz é, em sua condição espiritual.

Os versículos 2 e 3 expressam a autoridade dos cristãos no Dia do Grande Juízo de DEUS. São eles quem julgará o mundo. Se algum filho de DEUS transfere a sua autoridade como cristão para uma pessoa ímpia, ele se torna indigno de julgar, inclusive, as coisas mínimas. Uma pessoa, depois de perder a sua autoridade no mundo espiritual, ora, faz diversas campanhas, e não vê resultados algum. No versículo 3, Paulo afirma que os justos julgarão até mesmo os anjos: “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?”. No versículo 4, o apóstolo prossegue com suas indagações à igreja, afirmando que os ímpios não desfrutam de prestígio, de valor, de estima junto àqueles que são membros do corpo de CRISTO. No versículo seguinte, Paulo questiona, para vergonha da igreja, se não há entre ela algum sábio que possa resolver os problemas existentes entre o povo de DEUS. É claro que ele está chamando atenção da responsabilidade dos pastores nessa questão, pois somente eles são habilitados e capacitados para resolver as questões que se levantam no meio dos cristãos. É como se Paulo perguntasse: “Não há autoridade sábia entre vós?”. No versículo 6, há uma conclusão não explícita por parte do apóstolo: De fato, parece que não há. Porque há “irmão que vai a juízo contra outro irmão, e isto perante infiéis”. No versículo 7, Paulo diz que já é uma falta grande no meio da igreja quando surgem problemas, demandas, uns contra os outros; e que a igreja deveria suportar a injustiça, o dano, ao invés de procurar a justiça dos injustos. E no versículo 8, ele encerra a questão afirmando que os justos se tornam injustos e provocam grande dano à igreja quando preferem a Justiça secular no lugar de suportarem as dores e as injustiças.

Parece-nos que esse é um problema grave e emergente no meio daqueles que se dizem filhos de DEUS e igreja de CRISTO. Era um problema em Corinto e é um problema em nossos dias. Apesar de Paulo ter escrito a uma igreja localizada em Corinto, isso não significa dizer que esse era o modelo de igreja que JESUS deseja para vir buscar no Grande DIA. A escrita de Paulo para um povo supostamente convertido ao SENHOR não representava que este povo, em meio a tantos problemas e dificuldades de caráter e de comportamento, já teria uma cadeira cativa no Céu. A Carta foi e é uma forma de exortação, de alerta, para que, tanto a igreja primitiva em Corinto como a dos dias atuais, desfaça-se desses entraves e prossiga para um viver mais justo e santo. É comum, nos dias de hoje, entre aqueles que se acham já salvos, no Céu, uma vida indigna com os padrões do Reino, justificando que as igrejas do tempo de Paulo possuíam os mesmos ou problemas até maiores que os atuais. Essa é uma forma de justificar a vida relaxada, usando o exemplo errado daqueles que estiveram no passado em nosso lugar.

Como nós lemos, no versículo 9, Paulo foi categórico ao afirmar que quem é injusto não poderá herdar o Reino de DEUS. No versículo seguinte, ele traz uma lista de alguns tipos de injustos: devassos, idólatras, adúlteros (e essa adjetivação é válida não só para quem trai dentro do casamento, mas também para quem mantém relação sexual ilícita com outra pessoa mesmo depois de uma separação ou divórcio com o primeiro cônjuge, conforme Marcos 10:11-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2-3), efeminados (homossexuais), sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores. Nenhum desses tipos citados herdará o Reino de DEUS. A surpresa está bem no comecinho do versículo 11: “e é o que alguns de vós têm sido”.

Você pode estar surpreso (a), assim como eu fiquei quando li pela primeira vez essa revelação. Paulo está afirmando que, no meio da igreja, há pessoas infiltradas com essas características. Ou seja, que muitos dos que se dizem e se acham igreja não herdarão o Reino de DEUS. Isso nos faz lembrar de um outro texto muito forte e impactante dito por JESUS no Evangelho de Mateus: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará mo reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7:21-23).

Há pessoas que um dia confessaram a CRISTO como SENHOR e creram no coração na Sua ressurreição, mas que depois se entregaram novamente à escravidão das velhas práticas, permitindo que satanás roubasse a coroa eterna, como um cachorro que volta a se alimentar do próprio vômito. As práticas dos que se dizem justos em nada diferem das práticas dos injustos; e por isso, procuram os injustos para julgarem e condenarem os santos aqui na terra. O apóstolo Paulo encerrou o versículo 11 trazendo à memória da igreja quem a lavou, quem a santificou, quem a justificou. Quem fez todas essas coisas foi o Nosso SENHOR e SALVADOR JESUS CRISTO pelo Espírito Santo de DEUS.

Um irmão levar o outro à justiça dos homens é assunto totalmente esclarecido na igreja de CRISTO. Isso não deve acontecer jamais. Pelo menos da parte de quem é de DEUS verdadeiramente. Nem entre irmãos da fé; muito menos entre maridos e esposas em primeiro casamento. Assunto encerrado.

E Paulo começa os versículos 12 e 13 para introduzir um outro problema grave existente no meio da igreja. Agora ele vai falar para os solteiros, na questão delicada de sua sexualidade. No versículo 12, Paulo escreveu: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei me dominar por nenhuma”. Vamos começar tratando do valor semântico da palavra “lícitas”, empregada no texto. Lícito aqui não significa o que é justo e verdadeiro, como o primeiro casamento de duas pessoas de sexo diferente, que se constitui em um relacionamento lícito aos olhos de DEUS. Não é desse sentido a que está se referindo o apóstolo. Mas do sentido de permissão, do que posso fazer através da minha liberdade humana concedida por DEUS. “Todas as coisas me são permitidas fazer, mas nem todas convêm que eu faça”. Paulo está afirmando que tudo, o que é de bom e de mau, está à disposição da igreja, como se fosse oferecido a ela em uma bandeja. Cabe à igreja saber fazer as escolhas corretas. O curioso é a presença do termo “dominar” ao final do versículo. Paulo sabia que, como cristão, seria impossível viver uma vida de anjo aqui na terra; que, por um vacilo ou outro, estaria fazendo e saboreando daquilo que não agradaria a DEUS. O valor do cristão não está necessariamente e tão somente nas obras que ele executa; mas em um coração e espírito tementes a DEUS.  Mesmo com muito temor e com desejo de agradá-LO sempre, uma hora ou outra, o cristão vai se encontrar fazendo o que não gostaria: “Bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal vendido pelo pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso eu faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. (...) Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:14-19 e 24).

Alguém imaginaria um homem, apóstolo do SENHOR, defensor da bandeira da santidade, afirmar em alto e bom som que é pecador, miserável, e que faz o mal que não gostaria de fazer? Na religiosidade hipócrita de hoje, um homem desses seria apedrejado até a morte e taxado de herege. Como Davi, depois do grave pecado que cometeu com Bate-Sabe. Mas tanto Davi como Paulo, ambos eram grandes homens de DEUS, com o coração desejoso de agradá-LO.

Voltando à questão da presença do termo “dominar”, Paulo está afirmando que nenhum mal pode ter domínio na vida daquele que fora liberto pelo Filho de DEUS: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). O domínio do mal gera correntes e prisão espirituais. E, assim, deixaremos de ser filhos de DEUS para sermos escravos do mal. O final do versículo 13, da Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 6, Paulo escreveu: “O corpo não é para a fornicação, senão para o SENHOR, e o SENHOR para o corpo”. DEUS tem um anseio enorme pelo corpo físico das pessoas que são igreja. É o lugar onde o Espírito Santo escolheu para habitar. Por isso, precisa ser santo e irrepreensível. Fornicação, do grego pornéia, é o pecado sexual ilícito que os solteiros cometem com outras pessoas igualmente solteiras; é a prática sexual ilícita antes do casamento. Por isso, nessa passagem, Paulo está se dirigindo aos solteiros. O nosso corpo, que é membro de CRISTO, será ressuscitado também de forma gloriosa. Isso é o que está escrito no versículo 14 e início do 15. Porque, ao final desse último versículo, vem uma séria indagação: “(...) Tomarei, pois, os membros de CRISTO e os farei membros de uma meretriz? Não por certo”. Paulo não dá tempo nem de a igreja respirar, pensar para responder. Ele pergunta e imediatamente dá a resposta. No versículo 16, escreveu: “Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne”.

Agora vamos imaginar um homem solteiro, que se diz crente em JESUS, saindo de casa em direção a um prostíbulo. Chegando lá, ele paga para se deitar com uma meretriz, uma mulher prostituta, que se deita com vários homens, e cujo corpo está infestado de demônios. Quando há a conjunção carnal, o corpo desse homem deixa de ser membro de CRISTO para ser um só corpo com ela e os seus demônios. Apesar de o texto do apóstolo ter sido escrito para os solteiros, tal assertiva é válida também para os homens casados, que traem as suas esposas com mulheres estranhas ao casamento. O corpo deste marido deixa de ser santo, um templo e morada do Espírito de DEUS, para ser habitat de demônios. E o prejuízo que ele causa ao casamento e à vida da sua esposa, quando volta a ter relação sexual com ela, é enorme. No versículo 17, Paulo afirmou: “O que se ajunta com o SENHOR é um mesmo espírito”. Ele volta a ser categórico no versículo 18: “Fugi da fornicação. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que fornica peca contra o próprio corpo”. Talvez a sua tradução bíblica esteja diferente da tradução da Bíblia utilizada aqui, Corrigida e Fiel aos textos originais. Qualquer outra palavra, que substitua o termo FORNICAÇÃO, não provém do Espírito de DEUS nem da santidade do Seu coração. Fornicação é um meio de prostituição, sim, assim como é uma relação sexual ilícita. Mas o problema que esse tipo sexual não é o único meio de prostituição nem de relação sexual ilícita, que contemplam muitos outros tipos, que não são tratados de forma específica na passagem estudada por nós. Os solteiros devem fugir da fornicação do mesmo jeito que José do Egito fugiu do assédio sexual da esposa do seu senhor.

Os versículos finais do capítulo 6 trazem novamente à memória da igreja o que o corpo físico representa para DEUS e por quem fomos comprados para sermos detentores de tão privilégio: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.

O apóstolo Paulo tratou em todo esse capítulo 6 de dois temas importantíssimos para a igreja, ensinando-a a fazer o correto: não procurar os injustos pela justiça secular contra irmãos da fé; nem se tornar uma só carne com a meretriz. Esses dois assuntos estão bem sintetizados na outra Carta que ele escreveu a essa mesma igreja e que vou compartilhar agora com a igreja de hoje:

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Coríntios 6:14).

Que DEUS continue a falar ao nosso coração!
 

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